Psicóloga Marisa Lobo sofre ameaça de ativistas por falar da Ideologia de Gênero

 Perseguição contra Psicóloga Marisa Lobo

Qual é o limite entre a liberdade de pensamento, consciência e concepção científica, para o ativismo político-ideológico de grupos dedicados a moldar uma classe profissional inteira em acordo com sua visão? Isso depende do que você entende por ciência, ideologias, direitos e deveres constitucionais. Ao que parece, todavia, para um grupo de ativistas que se articulam para denunciar, mais uma vez, a Psicóloga Marisa Lobo por falar contra a ideologia de gênero no município de Ariquemes, em Rondônia, essas diferenças não existem.

As informações foram passadas pela própria Psicóloga Marisa Lobo, após ter acesso a uma série de mensagens de um grupo de Psicólogos (talvez também outros profissionais), que inconformados com a realização de um seminário marcado para o próximo dia 8 de abril em Ariquemes, na Primeira Igreja Batista local, resolveram se mobilizar para denunciar a autora do livro "Ideologia de Gênero na Educação", supostamente, por violação ao Código de Ética profissional.


"Precisamos fazer algo sobre esse evento, além claro de representação contra ela (mais uma, mas desta vez ela não escapa)! Porém não podemos nos calar diante desta afronta à Psicologia como Ciência e Profissão. Absurdo essa mulher ir contra os que a Psicologia coloca como Ético", escreveu um dos profissionais sem destacar qual seria a suposta violação ética, segundo informações da Psicóloga em "prints" arquivados por ela.

"Qual o email para denúncia do CRP?", pergunta outra pessoa, enquanto o autor da mensagem anterior afirma: "Quero lembrar que ela vem infringindo o código há tempos. Ela se coloca como psicóloga, mas mesmo que não se colocasse. Lembram de Ética? Somos psis (sic) todo o tempo! Como vou palestrar e dizer: aqui estou como uma pessoa comum, não como psicólogo!?".

Outra pessoa do grupo convoca: "Devíamos ir na palestra dessa preletora e psicóloga, precisamos ver os absurdos que ela vai falar e até nos posicionarmos, o que acham?", enquanto uma responde "vai ser na igreja! Sei lá! Pensei em outras coisas, rsrsrs". Outro(a) fez piada: "Tô curiosa pra perguntar a ela quantos homossexuais ela já curou 😜", escreveu, provavelmente, repercutindo o termo inventado pela mídia chamado "cura gay".

Alguns advertiram que não poderiam julgar antecipadamente, pois precisariam saber do conteúdo da fala para poder agir. Segundo esses mais sensatos, julgar sem conhecer "também não é o papel de um Psicólogo". Sua afirmação, contudo, parece não ter feito sentido algum, quando outra pessoa acusa a Psicóloga Marisa Lobo de ter feito "cura gay", como segue:

"Ela faz isso a mais de 10 anos...ela "cura" gays e ainda fala de algo inexistente que é  a IDEOLOGIA  de gênero....ela resume o quê  não se deve ser enquanto psicólogos!", escreveu a pessoa, desconhecendo que a ideologia de gênero é um conceito abordado não só por Marisa, mas também por vários profissionais no Brasil e no mundo, e de áreas diferentes.

Preocupação de Marisa Lobo com o ativismo ideológico contra ela


A Psicóloga Marisa Lobo disse estar preocupada com o ativismo ideológico de alguns profissionais da Psicologia. Todavia, vale destacar, que nenhuma mensagem acima tem relação com algum Conselho de Psicologia. Até então, as mensagens acima não passam de meras ameaças contra ela, de pessoas que parecem confundir a regulamentação do exercício profissional com os direitos e deveres do cidadão comum.

Espera-se que os Conselhos exerçam suas devidas funções conforme o previsto pela lei, e não acolham denúncias baseadas meramente em especulação e discordâncias teórica/ideológicas.

Psicólogos a todo tempo?


Em uma das mensagens, podemos observar a afirmação de um Psicólogo dizendo que "Somos Psicólogos a todo tempo!". Ora, a afirmação é conceitualmente absurda! Na prática, uma mentira, no mínimo, intelectualmente desonesta.

Acaso, quem possui mais de uma formação, por exemplo, como se define (Marisa também é formada em Teologia, um dos motivos pelo qual ela palestra muito em igrejas)? Quando fala, se expressa, deverá especificar a cada frase ou discurso em nome de qual profissão se posiciona? Se o Psicólogo é "Psicólogo a todo tempo", em que momento ele pode falar como um Professor, Psicanalista, líder religioso, Filósofo, Jornalista ou, simplesmente, como um CIDADÃO?

Seminário sobre ideologia de gênero em Ariquemes com Marisa Lobo
O evento que motivou a articulação dos "ativistas", ameaçando denunciar a Psicóloga Marisa Lobo por suposta violação da ética profissional

Dizer que "somos Psicólogos a todo tempo" é uma forma de reduzir toda capacidade de atuação humana em diferentes áreas do conhecimento. Na prática, uma falácia utilizada por quem deseja restringir a liberdade dos profissionais da Psicologia, fazendo parecer que não podem utilizar seus direitos constitucionais previstos no Art. 5 da Constituição Federal, para se manifestarem, TAMBÉM, como CIDADÃOS.

Para ser um "Psicólogo a todo tempo" (como em qualquer outra profissão), seria necessário estar EXERCENDO a profissão de Psicólogo 100% do seu tempo, pois o que caracteriza o "ser profissional" não é o título que possui, mas sim a sua atuação como tal. Do contrário, todo Psicólogo estará obrigado a estabelecer uma relação terapêutica, também, com seus amigos, familiares, filhos, etc., visto que como "Psicólogo a todo tempo" também não pode ser pai, mãe, amigo, etc (risos).

É por esse motivo, racionalmente lógico, que o Código de Ética profissional e os Conselhos profissionais regulamentam as profissões com base na atuação profissional, e não em sua vida pessoal.

E se for uma atuação profissional do Psicólogo?


A atuação profissional fica caracterizada com base em um contrato (acordo) de trabalho, específico para uma atuação limitada ao conhecimento da área profissional. Portanto, se trata de uma atuação que não pode ir além das técnicas (e conceitos) legalmente reconhecidas pelos órgãos de regulamentação.

Ação voluntária, por outro lado, com base numa motivação pessoal para algo além da profissão, como uma palestra, por exemplo, escrita de um livro, artigos, matérias, etc, NÃO É atuação profissional. Por mais que o nome "Psicólogo(a)" acompanhe o material, ele se trata de um título de reconhecimento público, mas não, necessariamente, do exercício vinculado ao título da sua profissão.

Todavia, se por acaso um Psicólogo estiver no exercício da sua função e alguém, por qualquer motivo, achar que ele(a) cometeu alguma violação, deverá ser questionado com base nas regras do Código de Ética e Resoluções da sua profissão. Isto é; tal questionamento precisa estar devidamente FUNDAMENTADO, para que seja legal. Do contrário, opiniões, "achismos" e divergências ideológicas, políticas, ou mesmo teóricas, científicas, não devem ser motivos de denúncia.

Por fim, vale ressaltar também que a Constituição Federal é a Carta Magna do Estado Brasileiro, sob a qual todos os órgãos da administração indireta estão condicionados, não podendo contrariar. Dessa forma, é imprescindível observar se determinada acusação viola os "direitos e deveres" constitucionalmente garantidos aos cidadãos, que antes de serem profissionais, são também PESSOAS!

No mais, qualquer iniciativa visando restringir os direitos constitucionais de uma pessoa, ou mesmo lhe constranger com base em divergências teóricas, filosóficas, religiosas ou políticas, pode constituir um CRIME de calúnia, ofensa ou injúria. Quem faz isso achando estar correto, lembre-se: pode passar de "juiz" a réu de uma causa perdida.

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26 de março de 2017 14:27

- A questão e muito profunda, se você trabalha em uma Organização ou Instituição e você defende abertamente um posicionamento Político ou Religioso, logo você terá algum Problema, pode acontecer de você ser demitido, já que a sua opinião e incompatível com a visão daquela organização e justamente por isso que muitos que querem seguir a vida acadêmica acabam se tornando Professores de Escolas Públicas já que existe uma certa liberdade do professor, e também no Youtube, sendo assim muitas vezes o Profissional busca ser autônomo.
- Quando nos criticamos ou lutamos por algo, logo podemos ter inimigos muitos poderosos, sendo assim alguns Profissionais preferem se isentar de suas opinião e cosmovisão, portanto criticar o Governo, Empresa ou ate mesmo uma Escola ou ideologia pode significar demissão na certa.
- Portanto a Psicologa Marisa Lobo faz algo de muita coragem e é importante para as famílias e para a sociedade Brasileira.

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