O Dia da Mulher e o feminismo "politicamente correto" - O que devemos comemorar?

 O dia internacional da mulher perdeu sentido diante do feminismo atual

Joguem fora as suas rosas! Talvez você não tenha percebido, mas a triste verdade é que quanto mais avançamos no tempo e os "coletivos" se apropriam da individualidade, como fez o movimento "feminista" (com aspas, mesmo!) com as mulheres, a impressão é que perdemos cada vez mais o sentido de comemorar datas, por exemplo, como o Dia da Mulher, na geração do "politicamente correto". Estranho, não?

Historicamente, o Dia Internacional da Mulher foi estabelecido no começo do sec. XX como um marco da luta contra a desigualdade trabalhista e social, entre mulheres e homens. As mulheres eram excluídas em muitos aspectos da vida social e o seu trabalho desvalorizado em relação à mão de obra masculina. Havia, de fato, uma necessidade de lutar por direitos e por mais espaço (de melhor qualidade) da mulher na cultura, política, nos cargos públicos e também dentro do lar.


Todavia, com a evolução do feminismo e sua "fusão" com o discurso político comunista, sob as lentes de "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado", obra assinada por Engels, em que a família é retratada como um lugar de opressão, onde a mulher e os filhos são nada mais do que "operários", servindo como mão de obra para exploração do homem (marido) e a relação "esposa vs marido" é um reflexo da "luta de classe", o Dia Internacional da Mulher tomou outro rumo e significado.

O Dia da Mulher atualmente, por mais absurdo que pareça, não faz sentido quando analisado sob a perspectiva do feminismo moderno. O "politicamente correto" se apropriou até mesmo da capacidade lógica dos indivíduos em analisar a coerência de suas pautas políticas e ideológicas.

Sob a concepção da ideologia de gênero, a qual fundamenta o discurso feminista atual, o que é ser mulher?

Segundo essa ideologia, se a definição de "mulher" é fruto de uma construção cultural, utilizada como instrumento de poder (risos) para oprimir e definir a identidade sexual em acordo com o sexo biológico, e não como o "sujeito" se percebe, e sente, qual é o sentido em se comemorar o Dia Internacional da Mulher? Não seria isso uma forma de reforçar os "preconceitos sociais" de gênero, visto que resume o "sujeito" ao estereótipo socialmente construído chamado "mulher"? Ora, conclua você mesmo(a).

Ex-feminista Sara Winter conta como saiu do feminismo
Livro da ex-feminista e fundadora do movimento FEMEN Brasil, Sara Winter, onde relata os motivos pelos quais o feminismo não representa as mulheres.
"Assim também a meta final da revolução feminista deve ser, ao contrário da meta do primeiro movimento feminista, não apenas a eliminação do privilégio do homem, mas também da própria distinção sexual: as diferenças genitais não mais significariam culturalmente", escreveu a feminista Shulamith Firestone na obra "A Dialética do Sexo", página 21, retratando bem o objetivo final pretendido pelo movimento.

Para Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília, o Dia 8 de março "...deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres", disse ela em uma publicação da Nova Escola. Parece correto, não? Apenas não faz sentido! Pois a questão é, repito: o que é ser mulher? A contradição está explícita.

Algumas feministas dirão que o feminismo não é uma coisa só. Que existe o "radical e o moderado", assim como diferentes fases. Isso é mito. Os "coletivos" se apropriaram do seu discurso, amiga. Feminista moderada é igual muçulmano moderado: desconhece a própria doutrina! Você não existe no movimento. Ele existe e fala por você. A prática, portanto, é outra. Não está no discursinho entre amigos, mas nos redutos onde lideranças definem quem é a voz do "coletivo" e a direção que devem seguir.

Finalmente, o Dia Internacional da Mulher faz sentido apenas para quem entende o que é ser mulher e sabe diferenciar o que são conquistas justas, necessárias, de pautas políticas e ideológicas que se apropriam da "mulher" para falar em nome delas. Mas, infelizmente, o próprio 8 de março já foi tomado pelos "coletivos", de forma que esse dia, talvez, não represente mais você. É muito provável, por exemplo, que nesse exato momento milhares de mulheres (?) estejam nas ruas defendendo algo que você não concorda, muito embora estejam falando em SEU nome (risos).

Na geração do "politicamente correto", as vezes o desafio é conseguir se diferenciar para ser indivíduo num mar de coletividades confusas e perdidas em definição, valores e objetivos. Se você é mulher e entende o que isto significa, deve saber que o "Dia Internacional da Mulher" está deixando de representar, cada vez mais, quais são os verdadeiros interesses da mulher.

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