Líder cristão é condenado em Cuba por criticar funeral de Fidel Castro


Eduardo Cardet, chefe do Movimento Cristão de Libertação (MCL), foi condenado a três anos de prisão após a sua violenta detenção na frente dos filhos, depois da morte de Fidel Castro, em novembro.

Algumas testemunhas dizem que Cardet foi ouvido criticando o governo por forçar os cubanos a assinarem notas de adeus exageradas em "livros de condolências" emitidos pelo governo. O governo cubano impôs um período de luto de nove dias após a morte do falecido Castro, no final de novembro de 2016, aos que ousaram desafiá-lo.

Na terça-feira, os tribunais cubanos condenaram Cardet por agressão contra um oficial do Estado, um crime que sua família que testemunhou sua prisão diz que ele não cometeu. "A sentença é baseada em dados manipulados, sem levar em consideração o testemunho de testemunhas de defesa", disse a esposa de Cardet, Yaimaris Vecino, em um comunicado divulgado pelo MCL.


"Como imaginamos, esta foi outra tentativa de prendê-lo o maior tempo possível." Segundo a esposa sua família apelará a sentença.

Vecino testemunhou a prisão do seu marido. A polícia cubana o prendeu e espancou, disse ela, enquanto mantinha seus filhos longe da cena. A polícia  arrastou Cardet para longe  e desde então negou-lhe fiança em três ocasiões.

A Anistia Internacional declarou Cardet prisioneiro de consciência. "O doutor Cardet está confinado a uma prisão de Holguín apenas por ter criticado Fidel Castro", disse um comunicado divulgado quarta-feira pela ONG.

Cardet é um médico. "Dr. Cardet é um prisioneiro de consciência que deve ser libertado imediatamente." A Anistia declarou Cardet prisioneiro de consciência em fevereiro desse ano.

Durante sua estadia na prisão, Cardet, de 47 anos, sofreu graves problemas de saúde, particularmente um ataque violento com asma. Vecino disse à emissora de Miami  Martí Noticias que ele havia desenvolvido uma infecção respiratória na prisão e começou a desenvolver uma tosse grave.
Cardet está longe de ser o primeiro a ver sua saúde se deteriorar nas condições brutais das prisões cubanas.

O artista cubano Danilo Maldonado Machado, conhecido por seu nome artístico "El Sexto", também disse a repórteres e ONGs de direitos humanos que ele havia sofrido ataques agudos de asma enquanto estava na prisão. Maldonado foi preso na mesma semana que Cardet por celebrar ativamente a morte de Fidel Castro nas ruas de Havana em um vídeo do Facebook Live.

Ao contrário de Cardet, uma campanha internacional para libertar Maldonado foi bem sucedida, e ele está atualmente em uma campanha de defesa dos direitos humanos no exterior.

No início deste mês, outro dissidente cubano, Hamell Santiago Maz Hernández, morreu em circunstâncias misteriosas em uma prisão cubana. Ele não foi condenado, mas cumpriu oito meses de prisão aguardando julgamento por "desrespeito" ao governo comunista, um crime em Cuba.

Funcionários cubanos disseram à família de Maz que ele havia morrido de "parada cardíaca", mas os membros do grupo dissidente União Patriótica de Cuba (UNPACU) rejeitaram a explicação oficial. Muitos membros da UNPACU atrás das grades exigiram garantias para sua segurança após o incidente.

Cardet estava entre as mais de 10 mil prisões motivadas por motivos políticos cometidas em Cuba em 2016, segundo a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), uma ONG que controla a opressão política em Cuba.

A polícia cubana cometeu mais de 2.000 prisões em 2015 do que em 2016, ano em que o presidente Barack Obama fez sua histórica visita à ilha. Muitas das vítimas dessas prisões são membros do grupo dissidente Ladies in White, que participam de missas católicas carregando fotos de prisioneiros políticos como um ato de protesto. As mesmas mulheres são muitas vezes presas semanalmente, após espancamentos e agressões verbais humilhantes.

Cardet assumiu o MCL após a morte de seu fundador, Oswaldo Payá, em 2012. Payá morreu em um acidente de carro em circunstâncias misteriosas, e muitos dissidentes cubanos acreditam que o governo agiu para causar o acidente e matá-lo. Payá e a organização MCL exigem eleições livres e justas para uma transição que visa livrar o país do comunismo.


Fonte: Breit Bart


COMPARTILHAR

Edição:

Somos uma mídia independente, oferecendo conteúdo com perspectiva cristã através de comentários sobre notícias do Brasil e do mundo. Para apoiar, compartilhe nossos textos e curta a página no Facebook.

Anterior
Proxima