Carne Fraca - UE quer suspender exportações das empresas investigadas

 Suspensão das exportações de carne pode render prejuízo bilionário

A Comissão Europeia (CE) exigiu nesta segunda-feira que o Brasil suspenda aos países que a integram as exportações de carne de empresas envolvidas na Operação Carne Fraca.

O porta-voz de Segurança Alimentar do bloco, Enrico Brivio, afirmou que após "intensos contatos diplomáticos" durante o fim de semana, a CE pediu "mais esclarecimentos" ao Brasil sobre o escândalo, e que por enquanto as autoridades do país "confirmaram que os estabelecimentos envolvidos suspenderam a exportação à União Europeia (UE)".

A CE também pediu a seus membros para que "fiquem atentos e aumentem os controles sobre a carne proveniente do Brasil, tanto em termos de documentação dos produtos como nos aspectos 'físicos' dos mesmos, o que é o procedimento padrão neste tipo de caso", explicou o porta-voz.

"Estamos em processo de assegurar que os estabelecimentos envolvidos na fraude suspendam suas exportações à UE", frisou.


Além disso, a Comissão solicitou mais detalhes sobre os produtos "recentemente certificados" pelos estabelecimentos envolvidos e que estão "em rota".

Isto não representa a suspensão da entrada de todos os produtos de carnes do Brasil por parte da União Europeia - uma decisão que já foi tomada por Chile e China - e afeta só as quatro empresas que contavam com uma licença para exportar ao bloco, do total das 21 afetadas pelo escândalo.

A UE não conta por enquanto com mais informações sobre a quantidade de carne que eram exportavam à UE por estas empresas, nem o tipo de produtos, embora possa se tratar majoritariamente de carne bovina, e não de aves, como se acreditava em um primeiro momento.

Em 2016, a UE importou 65 milhões de quilos de carne bovina brasileira, no valor de 449 milhões de euros.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, e o quarto no segmento de carne suína.

As vendas externas desses três tipos representaram em 2016 7,2% desse comércio (11, 6 bilhões), sendo a UE o principal comprador.

O escândalo revelou uma máfia integrada por agentes públicos e diretores de empresas que adulteravam carnes já vencidas e as vendiam dentro e fora do Brasil.

Essas práticas envolviam o uso de químicos para melhorar o aspecto das carnes, a falsificação de rótulos com a data de validade ou a utilização de alimentos não adequados para o consumo na elaboração de embutidos, entre muitas outras irregularidades.

Devido ao escândalo, foram suspensos 33 fiscais do Ministério da Agricultura e detidos de forma preventiva vários diretores de empresas e agentes da área de vigilância sanitária.

Os produtores europeus, representados pelo Comitê de Organizações Agrárias e Cooperativas Comunitárias (Copa-Cogeca), pediram por causa do escândalo "proteger os padrões de segurança". Eles também pedem que os países do Mercosul, com os quais a UE negocia um acordo comercial, garantam a rastreabilidade da pecuária".

"Estes países não têm os mesmos padrões que os nossos", ressaltaram.

O porta-voz de Comércio da UE, Daniel Rosario, disse que o futuro acordo comercial "não vai enfraquecer, mas reforçar" as "exigentes normas de qualidade e segurança alimentar" da UE.

Fonte: EFE

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