Estudo comprova que embrião humano tem autonomia e organização fora do útero


O estudo foi elaborado por cientistas do Reino Unido e publicado nas revistas Nature e Nature Cell Biology. Ele constitui um avanço no estudo de embriões humanos, favorecendo a fertilização in vitro, assim como uma concepção mais precisa sobre o início da vida humana, que segundo os pesquisadores acontece no momento da fertilização.
  
Após a fertilização, por volta do terceiro dia, as células-tronco se agrupam para entrar no estágio conhecido como blastocisto. Neste ponto, existem três tipos de células: as que se tornarão o corpo do feto (o epiblasto), as que se desenvolverão na placenta e as células que formarão a endoderme, o que garante que o feto receba nutrientes essenciais.
 

O embrião deve se fixar no útero para sobreviver e continuar o desenvolvimento após sete dias. A falha nesse processo é uma das principais causas de gravidez mau sucedida. Estudar as mudanças celulares e moleculares que ocorrem durante esta fase de desenvolvimento, porém, é impossível, uma vez que a realização de pesquisas sobre um embrião no útero não é uma opção. 

A lei do Reino Unido permite a pesquisa de embriões humanos por até 14 dias de desenvolvimento, no entanto, a equipe de cientistas  liderada pela professora Magdalena Zernicka-Goetz, estudaram o estágio blastocisto  buscando uma maneira de cultivar embriões humanos em laboratório (fora do útero) além do sétimo dia.

"O desenvolvimento do embrião é um processo extremamente complexo e, embora o nosso sistema não seja capaz de reproduzir plenamente todos os aspectos deste processo, permitiu-nos revelar uma notável capacidade de auto-organização de blastocistos humanos que era anteriormente desconhecido", disse o Dr. Marta Shahbazi, um dos co-primeiros autores do estudo.

Basicamente, a técnica utilizada pelos cientistas foi de enganar o embrião simulando as condições de um útero materno. Dessa forma eles puderam testemunhar o desenvolvimento autônomo do embrião, como se estivesse no útero. Zernicka-Goetz explicou que as células do epiblasto podem se reorganizar e criar uma cavidade que representa a estrutura básica do embrião inicial após o implante em um útero natural.

"Sem essa cavidade, seria impossível que o embrião se desenvolvesse mais, pois é a base para seu desenvolvimento futuro. É também um mecanismo que podemos estudar usando células-tronco embrionárias humanas. " , disse a cientista.

A descoberta favorece os contrários ao aborto 

Ao descobrir que embriões humanos após a fertilização (espermatozoide + óvulo) possuem material genético e celular suficiente para se auto-organizar, sendo considerados praticamente autônomos, a ciência deixa claro o que contrários ao aborto afirmam enfaticamente: que o embrião não é um amontoado de células. Ele é por definição e natureza um ser humano "completo" desde o início da concepção.

Exemplificando de forma muito simplória, mas precisa, a grande diferença está no fato de que nenhum outro arranjo celular possui essa autonomia. A organização embrionária orientada para a vida é, portanto, um sinal da sua independência em relação ao corpo da mãe, justamente por se tratar de outro indivíduo e não uma espécie de anexo celular.

Com informações: Medical Daily 


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