Crianças com TDAH sofrem de "transtorno cerebral", diz estudo - Comentário

Estudo tenda compreender a TDAH como transtorno cerebral

Crianças com hiperatividade e déficit de atenção, diagnosticadas com TDAH, sofrem de "transtorno cerebral" proveniente da lentidão no crescimento neuronal. É o que diz um estudo publicado na Holanda, que tenta eliminar o conceito de que o TDAH é fruto, principalmente, da falta de educação familiar.


"Há uma base neurobiológica que explica o Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). E isso os pais devem ter consciência e aprender a lidar com seus filhos", disse o responsável pelo estudo Efe Marcel Wortel, do hospital universitário de Nijmegen, na Holanda, em uma publicação para o noticiário francês EFE.

Para os pesquisadores, uma das regiões mais afetadas são os gânglios basais, a parte do cérebro envolvida no controle da emoção e a cognição, e que se encontra perto da base do cérebro, dentro do telencéfalo, além de constatarem uma suposta lentidão no crescimento neuronal de crianças com TDAH, diferente das que não sofrem com hiperatividade e déficit de atenção.

Comentário:

"Transtorno cerebral" é um dos meios mais comuns dentro da área médica como forma de tentar explicar comportamentos não compreendidos. Isso ocorre devido a herança "patologizante" e "fisicalista" do conceito em saúde. Grande parte dos transtornos de comportamento, afetivos, associados com "distúrbios" no cérebro são, na verdade, frutos da incapacidade de compreender o tal "transtorno" sob uma perspectiva muito mais ampla.

O cérebro humano se adapta ao ambiente. Através da "plasticidade" cerebral sabemos que determinadas reações no cérebro podem ser nada mais do que consequências de uma condição vivenciada no ambiente, que devido a experiência emocional, psicológica e sensorial, produz estímulos capazes de afetar determinadas regiões do cérebro.

Dessa forma, não é nenhuma surpresa constatar que o cérebro de crianças hiperativas possui alterações diferentes de outras não hiperativas. Isso de forma alguma significa que existe um "transtorno mental", mas apenas que o cérebro se "adapta" ao que é vivenciado pela criança em seu contexto.

Já publicamos a pesquisa de Marilyn Wedge, uma escritora e terapeuta familiar com 20 anos de experiência, onde afirma que para ela o TDAH é uma problemática de ordem cultural:

"...faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.", disse ela nessa publicação AQUI.


Por fim, existem diversos fatores associados ao desenvolvimento da TDAH, alguns atrelados ao uso abusivo de dispositivos virtuais, enquanto outros a simples falta de compreensão das diferenças individuais, natural de cada ser humano. Em nenhum dos casos, porém, é possível dizer que há "transtorno cerebral". É mais fácil que tal "transtorno" exista, sim, na compreensão de quem não enxerga a relação cultural entre o conceito de saúde e a psicologia humana.


Por: Will R. Filho

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