Carentes de Ouvir e Viver nossas Próprias Deficiências


As pessoas estão carentes de ouvir o que precisam e acreditar no que desejam. A sociedade está desiludida com o amparo, acolhimento e vivência humana, cujo significado de solidariedade, compreensão e igualdade estão sendo dissolvidos em marketing, moda e ausência de conceitos alicerçados em uma falsa cultura de identidade, crenças e valores.


O sujeito que hoje se presta a uma profissão, por exemplo, não tem na "vocação" um ideal de realização, mas de conquista, porque para ele além do conceito de vocação ser abstrato e desnecessário, não atende o que a demanda imediatista lhe exige como ideal. Ocorre, porém, que falar de vocação diz respeito a tratar de conceito, valores e tradições. Uma identidade que encontra em referências algo que possa balizar o seu ideal de realização, sendo a conquista mera consequência de um conceito muito maior do que o alcance de metas objetivas.

Em suma, o que desejamos é atender uma demanda cada vez mais imediata, onde a obtenção de prazer e conforto frente a uma constância de problemas são objetivos majoritários por si mesmos. Temos NISSO a própria construção de vínculo, referência de identidade e consolidação de ideais. O que nos conforta, ameniza o sofrimento perante a "vacuidade" de existência e compreensão da angústia. 

Em outros termos, NÃO QUEREMOS COMPREENDER A RAZÃO DA ANGÚSTIA. Queremos solução. Algo que nos faça "relaxar" e ter, na vivência de experiências que escapam à urgência do real, motivos para viver e acreditar que somos felizes.

Nesse mundo moderno somos 144 caracteres, resumidos a um Twitter. A imagem posta em 160 x 160 pixels do Facebook. Frases de efeito copiadas de quem já morreu. Resultados fictícios de aplicativos que tentam dizer quem você é, como quem busca na avaliação de códigos padronizados a compreensão de si mesmo. Ouvidos onde não há, abraço que não se pode obter, apenas pela ilusão de CONFORTO e relação de proximidade que algo nos oferece, parecendo ser àquela pessoa que só existe em nosso imaginário.

Abraço e até a próxima...

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