Aborto Clandestino justifica Aborto Legalizado? - "Aborto como Medida de Saúde" é MENTIRA!

A coleguinha da imagem acima se esquece que dentro do útero dela, quando grávida, existe alguém que possui outro corpo, diferente dela, mas que por ser indefeso não tem condições de responder pela própria liberdade. Se fosse perguntado, o bebê gostaria de ser abortado? A "liberdade" que a moça defende é exclusiva dela, simplesmente porque ela já nasceu, percebe a ironia?
Um dos argumentos mais absurdos a favor da descriminalização do aborto e sua ênfase como medida de saúde é o de que muitas mulheres morrem pelo fato de fazerem aborto em clínicas clandestinas, ou em suas casas, por conta própria, etc. Que grande parte dessas mulheres são de origem humilde, "negras", excluídas socialmente, mas que em contrapartida, mulheres ricas e com influência social, econômica, fazem aborto e não encontram problema algum. 


O assunto então se resume a mera questão de "classe", poder aquisitivo e referência social, como se essa fosse a ênfase da questão. Será?

Outro argumento muito difundido é o da moralidade religiosa. Os defensores do aborto como "direito de liberdade" dizem que uma pessoa não pode usar sua concepção religiosa para querer, supostamente, impor uma decisão ao outro, limitando sua liberdade em escolher ter ou não um filho, porque, afinal, se trata apenas de uma questão religiosa e não também de ética humana, certo? 

Vale a pena ainda citar outro argumento, talvez o mais falacioso; o de que se o corpo é da mulher, logo, ela deve ter total direito sobre o seu corpo. Consequentemente, se essa mulher estiver carregando um bebê no útero, mas julgar que ela tem direito sobre seu corpo o suficiente para condenar a morte a vida de OUTRO corpo, (ou seja, do bebê) ela pode, entende?

Não vou refutar diretamente os três argumentos nesse texto, mas apenas o primeiro. Acredito que o leitor é inteligente o bastante para perceber que as respostas estão implícitas no próprio conteúdo.

Em primeiro lugar, a descriminalização do aborto não é redução de danos, porque não trata de uma decisão que envolve apenas um indivíduo, ou de uma condição na qual se veja "dependente" e prejudique a vida sem ter a intenção. Portanto, não deve ser enfatizada como medida de saúde.  

Não é matéria de saúde no que compete ao fazer ou não, meramente, um "tratamento", como quem está resfriado e precisa tomar um analgésico para resolver o problema. A associação e toda ênfase que os defensores do aborto fazem como medida de saúde é uma tentativa de reduzir a complexidade  do assunto, procurando resumir no tema "saúde" uma problemática que vai muito além e invade a concepção do que é a vida humana. 

As consequências dessa investida são trágicas, porque sua influência faz com que a população passe a enxergar a vida humana (feto) como algo passível de "tratamento", tal como uma doença indesejada, a qual podemos expulsar do corpo com intervenções médicas. A verdade, porém, é que a descriminalização do aborto propagada como medida de saúde é uma forma de ABSTENÇÃO DE RESPONSABILIDADE do Estado frente a um problema de ordem ÉTICA/moral, cultural, educacional, política, familiar, que diz respeito a maneira como valorizamos a vida. Em suma, é um problema que embora acarrete consequências na esfera da saúde, parte do SOCIAL em toda sua conjuntura.

Em segundo lugar, se o problema da "clandestinidade" for o grande responsável pelas mortes e complicações de saúde das mulheres que fazem abordo clandestino, logo, não deveríamos aplicar essa mesma premissa a outros problemas de ordem social que são igualmente crimes, tais como o tráfico de drogas, exploração sexual/tráfico humano (de menores e adultos), comércio de órgãos e armas? Ora, em todos esses casos existem comorbidades associadas que afetam as pessoas envolvidas pelo simples fato de estarem às margens da lei.  

Quantas pessoas não perdem suas vidas ou são violadas em seus direitos por se envolverem clandestinamente nessas atividades?  

Seguindo a falsa lógica de quem defende a descriminalização do aborto como medida pública de saúde, deveríamos também:
  
01 -  Descriminalizar o tráfico de órgãos - já que vender ou não seu próprio fígado, por exemplo, deveria ser uma escolha do proprietário, certo? Do contrário, inúmeras cirurgias clandestinas são feitas pelo tráfico de órgãos, expondo os "doadores" a riscos extremos de saúde. Sendo assim, porque não legalizar o comércio de órgãos e disponibilizar a extração deles no SUS? Se o lema "meu corpo, minhas escolhas" valem para retirar algo que não é "apenas" um órgão, mas a vida de um SER HUMANO, qual seria o problema de vender um pulmão?

02 - Descriminalizar todas as drogas icitas e principalmente o seu comércio (tráfico) - Se a justificativa para legalizar o aborto é o simples fato de algo ser clandestino e por causa disso acarretar vários danos ao usuário devido ao fato dele não poder fazer o que deseja por meios legais e "controlados" é absolutamente lógico dizer que deveríamos também legalizar imediatamente o uso e venda de crack, cocaína, heroína, maconha, etc, certo? Evidente que SIM.  

As consequências na esfera da SAÚDE de pessoas infectadas por HEPATITE, HIV, tuberculose, mortes por overdose, cirrose e tantos outros males em decorrência do uso clandestino e descontrolado de drogas é absurdamente maior do que os casos de aborto, logo, não há o que se discutir sobre a validade do argumento em favor do aborto como sendo, também, o MESMO para o problema das drogas (todas elas).

03 - Descriminalizar o tráfico humano/sexual - Os argumentos são rigorosamente os mesmos utilizados na questão das drogas e do tráfico de órgãos. Se o problema são as consequências em decorrência da clandestinidade, especialmente no que compete ao suposto "direito de escolha" de uma pessoa, deveríamos também legalizar a exploração sexual, reconhecendo como "profissão" a prostituição de quem vende não só o próprio corpo, como "administra" os de outros, certo?

Os exemplos acima são suficientes para demonstrar a razão do argumento em favor da descriminalização do aborto como "medida de saúde" ser FALSO, uma vez que partindo da saúde, meramente, muitas problemáticas sociais que operam na clandestinidade, isto é; como crimes, poderiam ser abordadas e aparentemente "justificadas", mas nem por isso serem tratadas como legais.  

Você concordaria em legalizar o tráfico de órgãos, por exemplo? Ou a exploração sexual, porte de armas? Porque se você defende a descriminalização do aborto como "medida de saúde" em decorrência da clandestinidade, está OBRIGADO(A) a concordar que os outros exemplos também deveriam ser descriminalizados. 

O ponto de partida para análise do tema "aborto" não deve ser a saúde, mas sim o social. E quando me refiro ao social falo principalmente de educação, ética e cultura. Não devemos deixar de acolher as consequências do aborto da esfera da saúde, todavia, precisamos falar do aborto como um problema de natureza SOCIAL.

Sendo assim, pela perspectiva da educação, ética e cultura, entendo que o problema do aborto diz respeito fortemente ao senso de responsabilidade pessoal de uma pessoa perante a cultura que pertence, com base na educação que possui. Ou seja, Ética

Não é uma questão de "classe", pois atualmente tanto o "rico" como o "pobre" dispõem meios de serem informados quanto a comportamentos sexuais de risco. Se recursos econômicos favorecem o aborto com menos chance de sequelas para mulheres "ricas", isso não tem absolutamente nenhuma relação com a NATUREZA DO PROBLEMA, em si, mas apenas com a sua PROPORÇÃO, comprovando se tratar de uma problemática social, uma vez que atinge todas as camadas sociais. 

Não vejo problema de saúde, por exemplo, numa pessoa que engravida em pleno sec. XXI por transar sem camisinha e chama isso de "gravidez indesejada". Ou mesmo em quem tenha se prevenido, mas o método falhado. Salvo em caso de estupro, toda relação sexual voluntária envolve a responsabilidade dos riscos, e isso não é, definitivamente, uma questão de saúde, mas sim de EDUCAÇÃO, consciência humana e responsabilidade social. Por qual razão, então, a vida de um inocente deveria pagar o preço como consequência das minhas decisões?  

Se é para defender a liberdade, que ela comece pelos mais indefesos em seu direito de viver!

Por fim, o tema é amplo e quando o encaramos via natureza dos fatos, como um fenômeno de competência social, cultural, familiar, educacional, ética, vemos o quanto carece de pessoas aptas para abordá-lo de forma que as ideologias não contaminem a percepção do todo. 

Por hora, deixo nesse texto parte dos motivos pelos quais sou contrário ao aborto, esperando que os amigos compreendam e reflitam sobre isso que é, sem dúvida, uma das grandes discussões da nossa geração.

Abraço e até a próxima...

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