Qual é a Função do Milagre? Não Somos a Geração do Sinal!




A geração do sinal atualmente é aquele povo que tem sua fé condicionada a eventos "sobrenaturais", fundados em experiências "místicas" e de emoções fortes. Uma geração que não compreende a Deus como Senhor de suas vidas, mas sim como mordomo das suas necessidades. 


O milagre para essa geração não é sinal de autenticidade da mensagem de Deus ao humano, mas sim, e apenas, um meio de aquisição e demonstração de um suposto "poder", personificado na figura de alguém dizendo-se mensageiro de Deus. 

Na versão mais tradicionalmente aceita, milagre é algo que temos "direito", porque em Cristo "...tudo posso", certo? Uma manifestação de poder que chega a ser por muitos o principal objetivo de culto à Deus, ou seja: a busca do milagre! Algo bem doutrinado por canções "gospels" famosas. 

Mas, afinal, qual será a verdadeira função do milagre? Longe de aprofundar o tema teologicamente, esse texto é uma pequena reflexão, simples e objetiva, para dizer resumidamente que a função do milagre na antiguidade não foi a mesma da atualidade, e que na atualidade o milagre não é mais uma necessidade. O que restará ao final é você se questionar de qual geração você faz parte: a geração do sinal ou a geração da fé?  

Vejamos:

Acreditar no milagre de Deus é antes de tudo acreditar que Deus é soberano sobre nossas vidas ao ponto de fazer conosco o que bem entender, assim como permitir acontecer o que de forma natural todos os humanos estão sujeitos nesta vida. Acredite, esse entendimento confronta nossa ideia convencional de fé, porque sempre que pensamos em atos de fé, associamos ela a um desejo que é NOSSO, e não de Deus, muito embora tenhamos a consciência de que “seja feita a vontade de Deus”

Entregar a Deus nossa vida, depositando nEle nossa fé através de Cristo como autor e consumador é, primeiramente, estar consciente de que a maior prova de amor de Deus para conosco já foi dada na cruz, quando pelo sacrifício imensurável de Cristo fomos salvos espiritualmente, libertos da condição eterna do pecado. 

Ao contrário do que se imagina, os milagres de Cristo não objetivaram livrar o humano da sua condição de sofrimento físico, mas sim testificar a autoridade espiritual de Deus SOBRE Cristo, afim de que por meio disso os humanos cressem e fossem por Ele “sarados” da morte ESPIRITUAL

Dessa forma, é importante compreender que os milagres nas escrituras tiveram uma função específica, contextualizada na época em que Cristo ainda não fora reconhecido como o Messias prometido, antes e depois do seu nascimento, tendo sido morto e ressuscitado. 

Os milagres, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, serviram como testemunhos do agir de Deus em meio a um povo incrédulo, respaldando a mensagem dos Profetas e cumprindo em Cristo a função de autoridade, tão reivindicada por eles; “Mestre, dá-nos um sinal...”.  

Aquela geração pedia um sinal porque não possuía FUNDAMENTOS que dessem sustentação a fé. A única forma de tornar possível a fé de um povo "sem fundamento" era através de sinais. A própria linguagem (compreensão intelectual) e cultura religiosa demandava um tipo de conhecimento religioso vinculado a eventos "mágicos", que pudessem diferenciar os "deuses" em acordo com seus sinais.

A encarnação virginal de Cristo, por exemplo, como "logos de Deus", constitui um sinal miraculoso que também serviu de mensagem aos gregos adeptos da filosofia, onde o conceito de logos já tinha sentido como sendo algo de onde tudo tem início, vinculado a uma divindade ou semideus. Jesus, portanto, tornou-se o Logos perfeito ou, como argumenta o Dr. Louis Markos, "o mito que se tornou real". 

Por outro lado, os milagres em nossa geração não são mais uma necessidade de fé, sinais, símbolo de autoridade, uma vez que agora temos o testemunho dos Apóstolos e o cumprimento da vinda do Messias testificados, ambos registrados na bíblia. Ou seja, crer em Deus não está mais condicionado a manifestação de milagres numa conjuntura cívica de mitos e lendas que precisavam ser diferenciadas por sinais miraculosos reais. 

Cristo passou a ser o "autor e consumador da nossa fé", o fundamento perfeito, uma vez que nEle foram cumpridas todas as profecias (mais de 300). Não há, portanto, um único sinal que possa falar e testificar mais acerca de Deus e sua relação com a humanidade, que não esteja personificado na pessoa de Cristo e sua obra salvífica. É por essa razão que não temos mais motivos para "pedir sinais..."  

Então significa que os milagres descritos na bíblia deixaram de existir? 

Seria muita prepotência afirmar que os milagres deixaram de existir, pois isso constituiria uma negação da soberania de Deus e, portanto, uma contradição bíblica, especialmente porque há passagens bíblicas que nos dão base para continuar acreditando na continuidade dos milagres. 

Ora, os sinais seguem “...aos que creem”, porém, como atos deliberados de Deus em favor dos seus, mediante sua soberania, como favor IMERECIDO, possível através da graça, segundo a sua vontade, sem qualquer relação com a necessidade outrora nos tempos bíblicos de autenticidade da mensagem transmitida aos Profetas e por Cristo através de sinais. 

O que diferencia o antes e depois quanto a existência de milagres na atualidade não é o mero fato de poder existir ou não, mas sim o MOTIVO. Enquanto antes o principal motivo dos milagres era a autenticação da mensagem de Deus através dos Profetas, de Cristo e dos Apóstolos, atualmente a bíblia é a grande fonte de fé, por onde podemos compreender a função dos milagres nela registrados, numa época onde a Palavra de Deus não era reconhecida por escrito.

O cristão que deseja buscar os sinais de Deus, milagres, deve achá-los primeiramente nas escrituras e na experiência diária de uma vida que, mesmo pecaminosa, pode ser “achada” por Cristo mediante sua expiação. Por essa perspectiva, milagres como a cura de paralíticos, cegos, ressurreições, transposições, se tornam detalhes, possíveis, porém não mais objetivos em si mesmos com vistas à fé!

Aquela geração pedia um sinal e Cristo foi a consumação dos sinais que seguiram antes dele, culminando também, nEle, o ápice de todos os sinais: a ressurreição!

Em nossa geração o sinal é Cristo, tendo as escrituras como seu maior testemunho. Somos, portanto, a geração da fé, porque temos Cristo como fundamento.  

Se você, portanto, deseja alcançar um milagre, olhe para Cristo, querendo conhecer seus ensinamentos, a fim de que possa se assemelhar a Ele, até que seus desejos, assim como os de Cristo, não tenham mais lugar de prioridade em sua vida, senão a vontade de Deus. 

Acredite, se você entender e viver isso, fará parte de uma geração que não precisa mais pedir “sinais” porque os verá diariamente, a cada vez que acordar e puder agradecer à Deus por mais um dia de vida. Pelo pão de cada dia. Pela saúde

Pela graça que nos basta!

Abraço e até a próxima.

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