O Valor das Coisas no Estilo Fast Food de Ser


Esses dias me vi pensando como as boas coisas passam tão despercebidas diante dos nossos olhos. Como àquilo que nos inspira pode, tão facilmente, se "perder" em meio a correria da vida sem ao menos nos darmos conta disso. Esse texto é fruto dessa reflexão, o qual marca, também, uma possível retomada das publicações aqui no blog. Leia com atenção, pois a simplicidade desse conteúdo pode te fazer pensar e enxergar, ao menos por alguns minutos, o teu dia um pouco diferente.


Pode parecer estranho, mas acredite, é a mais pura verdade! Neste exato momento bilhões de pessoas estão operando em pleno "piloto automático". São produtos de uma escala global de produção, cuja finalidade não é, necessariamente, dar significado ao que fazem e pensam, mas sim de sustentar uma engrenagem macro e micro social. 

A macrosocial diz respeito a cultura que pertence, seus valores e diretrizes. A microsocial diz respeito a VOCÊ, seu universo, aquele "mundo que é só nosso", lembra? Todavia, esse "mundo pessoal" é cada vez mais reduzido a insignificância das coisas. 

Literalmente, as "coisas" tem nos tomado o tempo, a atenção e com isso a vida. Nesse curso de acontecimentos vai-se também a nossa capacidade de enxergar, compreender e valorizar o que realmente nos "toca a alma". Nos tornamos tão "objetais" e imediatistas, que as demandas da alma/coração não possuem mais o tempo necessário para que possam florescer, amadurecer e criar raízes. Afinal, o que nos tornamos?

Desaprendemos a lidar com as angústias, o sofrimento e a reflexão, a solução para essas coisas se tornaram pílulas tomadas com ou sem a autorização "legal" de uma "receita médica". Drogas, legais ou não. A religião, com ou sem razão. Sexo, com ou sem amor. Status, por vaidade ou realização. Um sentido, qualquer...  Assim como as exigências de produção em massa acerca de um produto, tornamos as demandas do coração e da alma iguais a copos descartáveis, meramente ÚTEIS para atender uma finalidade que, se não contemplada, será desprezado. Afinal, o que nos tornamos?

Olhar a vida como quem enxerga numa pétala de flor um mar de inspirações, parece ser obra rara desenhada apenas na imaginação de alguns "desviantes da norma", pois a vida que se estabelece como "real" e "necessária", ou ainda, "importante", tem se traduzido em resoluções matemáticas, afim de que, se por acaso, os resultados não forem 100% os que me agradam, todo o esforço de se chegar a esse resultado se tornou INválido. Temos assim pessoas que são excelentes "resolvedores" de problemas... estruturais! E não é esse o curso daS humanidadeS pós-"moderdaS", a operacionalização das... coisas? Apresentar "soluções" tal como se apresenta uma manteiga no caixa afim de saber qual é o preço. Em outras palavras, segundo a interpretação consciente ou "inconsciente" de muitos, somos todos nós apenas manteigas apresentadas no balcão de um mercado, O QUE MUDA É O PREÇO, e a MARCA!

Você pode ter achado que esse texto seria assim, depressivo, expondo a triste realidade do que "somos" no mundo "evoluído" da pós-"modernidade", mas não é isso. Vá ali e tome uma água, talvez um café, e pense honestamente por alguns minutos.

(...) 

No meio dessa "coisa" toda ainda há pessoas que não deixam escapar as boas coisas. Elas enxergam, por teimosia, flores na beira do asfalto pintando cores em sua imaginação. Outros no próprio coração, cravando a alma! Elas tem, como visão de poeta, a capacidade de ver além dos olhos de quem lhe demonstra NÃO APENAS sorrisos, verdades, amor e paixão, mas também tristeza, angústias e depressão. 

Ora, as boas coisas da vida, diferente do que você possa ter imaginado, não se compõe só de acertos e jeitos que te agradam, mas daquilo que apesar dos equívocos e maus entendidos que todos nós cometemos, te faz se enxergar ao final como alguém singular, merecedor de atenção, carinho e cuidado, num tipo de relação recíproca com a vida (você e eu, nós), jamais única, egoísta, mas sempre EM PARTE com o outro, como quem recebe e doa!

As boas coisas da vida então nem sempre são as que mais se repetem, mas sim as que falam mais ao nosso coração. O que nos diferencia, então? Penso que a disposição de escutar mais a um ao invés do outro. Deixar que elas (as boas coisas) falem é também um exercício de confiança, abertura e desprendimento de tudo o que um dia nos fez ter experiências ruins, algo singular em nossa trajetória. É o momento em que precisamos dar vez aos sonhos, a esperança, ao que margeia o coração e lhe toca, sensivelmente, ainda que com muita timidez, mas como quem diz: eu te enxergo! É não deixar com que o "automatismo" das coisas e as más incompreensões atropelem a beleza do que a vida nos apresenta com espontaneidade, jamais fugindo a razão, porém, também não sendo ignorante com a linguagem da alma capaz de silenciar toda diferença com apenas, um... abraço!

Finalmente, que no meio de tantas coisas, boas e ruins, possamos ter a capacidade de valorizar mais o que nos contempla o coração, o sorriso, abraços, a vida, não como metas de "produção" com resultados para serem entregues no final de um dia corrido, mas como significados suficientes para nos sentir valorizados pelo que realmente somos. 

Pensar assim não é ignorar as dificuldades da vida, pois sua concretude já está posta por demais no mundo "real", e isso pesa muito, será que também já não é o bastante? Pensar assim é apenas dar mais razão e oportunidades ao que na beleza da vida também há de muito concreto, mas que muitas vezes a nossa cegueira e modo de vida fast-food de SER insistem em tornar desacreditados!

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