Levy Fidelix - Discurso de Ódio ou Ignorância? Leia para Entender!


O ex-candidato a Presidente da República Levy Fidelix foi condenado a pagar multa no valor de 1.000.000,00 (um milhão de reais), por ter, segundo decisão do STF paulista, feito declarações "homofóbicas" de incitação ao "ódio" contra gays, travestis e lésbicas. Mas será que essa medida representa algum avanço social em relação ao público LGBT? Em quais pontos o Fidelix extrapolou o bom senso em suas declarações? Tentarei nesse texto fazer uma breve análise do que deve ser considerado discurso de ódio, sem, contudo, desconsiderar a liberdade que todos nos temos de ser, também, ignorantes! Leia com atenção.

Longe de concordar com o estereótipo do Fidelix, sua maneira de proferir alguns comentários não contribuem nada para um diálogo equilibrado com alguns setores. Todavia, quando levantamos a bandeira de incentivo a "diversidade", será que consideramos, de fato, essa diversidade como digna de respeito quando é, ao mesmo tempo, oposta ao que pensamos? O argumento principal de quem concorda com a punição do Levy Fidelix é o de que ele ultrapassou os limites da liberdade de expressão. Afirmam que as declarações do ex-candidato foram de incitação ao ódio e não apenas uma opinião, devendo ser, portanto, considerada crime pelo "discurso de ódio". Pois bem, antes de prosseguir vamos rever a fala do Fidelix no vídeo abaixo:

 

 Transcrevo abaixo a fala "homofóbica" de Levy Fidelix:

Dois iguais não fazem filhos. Me desculpe, mas aparelho excretor não reproduz (...) Como é que pode um pai de família, um avô ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? (certamente se referindo aos outros candidatos) Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. Vamos acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano, um pedófilo. Está certo! Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar.”

Fidelix também declarou, ainda em resposta a Luciana Genro:

"O Brasil tem 200 milhões de habitantes. Já pensou se a moda pega? Daqui a pouco reduz para 100 milhões. Vai para a avenida Paulista e anda um pouquinho. É feio o negócio. Pessoas que têm esses problemas precisam ser atendidos por ajuda psicológica. E bem longe da gente, porque aqui não dá."

Vamos a uma análise fria e honesta do discurso?__Na primeira fala Fidelix afirma que "dois iguais não fazem filhos" e que "...aparelho excretor não reproduz". Até esse momento, alguma mentira? NÃO! Alguma falsa acusação ou ignorância na sua afirmação? Também NÃO! Evidente, o que Fidelix declarou é verdade. Mas então por quê o estardalhaço contra essa primeira fala? A frieza, objetividade e simplicidade com que Fidelix fala sobre o assunto, de forma estritamente BIOLÓGICA, rompendo com a "imagem cultural" sobre a homossexualidade, tão difundida atualmente, esse foi o motivo do "problema". Fidelix associa a capacidade de reprodução ao conceito de família, por isso afirma taxativamente que "...órgão excretor não reproduz". Ora, família é um conceito mais abrangente que vínculos sanguíneos, diz respeito também aos afetos. Não precisa, necessariamente, haver reprodução para que um grupo social seja considerado família. Todavia, sabemos também que o conceito cultural e afetivo não é suficiente para resumir a definição de família, os vínculos sanguíneos são importantes pela diferenciação genética, da qual resulta a multiplicidade dos povos (etnias) e suas culturas, assim como pela estrutura (organização) social. Porém o fato mais importante e evidenciado aqui é que sejam famílias consanguíneas ou não, todas dependem da relação de sexos opostos para existirem, e é nessa perspectiva que Fidelix deposita seu argumento, contrário a união homossexual

Ele ERRA ao restringir a concepção "simbólica" de família, mas ACERTA ao dizer que biologicamente é impossível a partir duma relação homossexual, por si só, surgir novos grupos sociais (famílias). 

Até então, juridicamente falando, Fidelix cometeu algum crime? NÃO! No decorrer da sua fala ele exemplifica suas próprias concepções morais, as quais veem a união homoafetiva como algo inaceitável, implicitamente um "mau caminho". Pensar assim é crime? Também NÃO! Assim como não é crime pensar o contrário de Fidelix e enxergar a família tradicional, bem como a heterossexualidade, como "maus caminhos". Ambos os casos dizem respeito a opinião. A declaração de Fidelix até então é abrangente, moralista, de caráter pessoal e diz respeito a sua liberdade de consciência garantida em lei. Por mais que sua objetividade incomode, não sejam palavras delicadas (polidas) ou simplesmente "politicamente corretas", suas afirmações foram válidas como direito a liberdade de consciência e expressão. 

E quanto a Pedofilia?

Fidelix ao emendar na mesma fala um caso de pedofilia, faz associação com a união homossexual. Penso, todavia, que não podemos concluir se a sua intenção foi colocar a homossexualidade em par de igualdade com a pedofilia, o que seria um erro, ou se foi apenas uma referência a um exemplo de moralidade vindo do Papa. Como essa citação veio após ele mencionar a importância da instrução dada por um pai e avô, imagino que ao citar o Papa, sua intenção foi utilizá-lo como exemplo de atitude moral, de instrução e correção, e não de igualar pedofilia com a homossexualidade. Todavia, pelo fato disso não ter ficado claro e sua referência a pedofilia ter se restringido apenas a atitude do Papa, penso que devido a grande margem de interpretações ele não deveria ser julgado por essa citação.

Mas finalmente, ele foi homofóbico ou não?

Não se pode diagnosticar qualquer fobia apenas por uma fala, mas eu diria que foi, sim, infeliz e equivocado ao tratar de forma generalizada a homossexualidade, julgando como sendo "problemas" de pessoas que "...
precisam ser atendidas por ajuda psicológica". Ora, se quisesse argumentar a homossexualidade como sendo ou não um problema, que fizesse dentro dos termos de alguma ciência, filosofia (ciência) ou religião, em outro contexto e propósito, mas não como afirmação "solta" e descompromissada em um debate POLÍTICO. Isto, sim, é o que podemos chamar de PRECONCEITO e imprudência. Fidelix NÃO estava ali defendendo um posicionamento científico ou estritamente religioso, mas sim pessoal. A impossibilidade de constatar que todo homossexual precisa de ajuda psicológica (como pressupõe sua afirmação), torna seu discurso descabido, pois se destina indiscriminadamente a um público muito diverso e abrangente que não pode ser taxado meramente por uma opinião sem fundamentos. Ele agrava sua fala quando também diz "...
E bem longe da gente, porque aqui não dá.". Deixando evidente um sentimento de "repulsa" do ex-candidato para com a condição do homossexual, o que não tem a ver com aceitar para si, concordar ou não com essa condição, mas sim de tolerar e respeitar como diferença humana. Em outras palavras, Fidelix deveria ter se restringido nesse assunto apenas ao campo social, político e humano, podendo sim abordá-lo segundo seus valores morais, como fez, de fato, mas evitando tratá-lo no mérito da ciência.

Então Fidelix mereceu a punição judicial?

Discordo por um motivo muito simples: assim como o discurso de Fidelix teve erros e acertos, tratando de forma abrangente uma sexualidade que diz respeito a um comportamento e condição psicossocial de indivíduos, muitos outros também fazem discursos semelhantes em relação a vários outros grupos sociais, que possuem estilos de vida diferentes da maioria, e que por isso são, as vezes, igualmente julgados preconceituosamente. Lembrando que faço esta associação pelo fato de que a homossexualidade NÃO É RAÇA, mas sim comportamento desenvolvido e/ou adquirido com base numa relação sócio-afetiva multifatorial. Esse é o motivo pelo qual o julgamento deve ser diferente a quem dirige um discurso como esse a população negra, por exemplo. Na questão racial não há o que ser contra ou a favor. Qualquer pensamento fora disso é repudiante, ignorante e deve ser passível de punição, pois raça não se discute mérito ou condição. Por outro lado, tudo o que diz respeito ao comportamento e, portanto, a sua "mutabilidade" cultural, é plenamente possível discutir, respeitando as condições apropriadas, a exemplo da homossexualidade.

Penso também que há uma significativa diferença entre discurso de ódio e a ignorância alheia.  Esse é o principal motivo da minha discordância em relação a punição imposta ao Fidelix. Se a compreensão do "discurso de ódio" não for bem definida, corremos o risco de vetar a expressão e liberdade de consciência da população como um todo, confundindo discursos ignorantes com incitação ao ódio. O que se precisa deixar claro é que essa tal "liberdade" não vale apenas para os "sábios", mas também para os "ignorantes", ou será que todos tem a obrigação de serem refinados na oratória e no intelecto? Além disso, nem sempre o que consideramos sábio ou assertivo é resultado do nível de instrução de um indivíduo, mas da maneira como ele interpreta a própria vida, e isso também não diz respeito a liberdade e a diversidade? SIM! Ora, penso que discurso de ódio - é a incitação a violência, ao confronto, a difamação e ofensas explícitas a uma pessoa, grupos ou símbolos de representação social. É o incentivo a intolerância, ao desrespeito, a pejoração e a discriminação. Por outro lado, discurso ignorante - é falar sobre o que não conhece ou não sabe o suficiente, resultando em preconceito. Apresentar dados, fatos e ideias distorcidas e equivocadas sobre algo. É falar estando enganado, por carência de aprendizado, falta de experiência, reflexão ou mesmo debilidade cognitiva. Logo, penso que Fidelix não incitou a violência, porque não chamou para o confronto, não incentivou a discriminação ou ofensas. Seu discurso foi moralista e restrito ao campo ideológico, mas não provocativo! Embora ele próprio tenha discriminado em sua última fala, não foi um ato de incentivo, mas sim expressão particular da sua ignorância em relação a condição homossexual. Fidelix caiu no erro da ignorância e não de incitação ao ódio. Então pergunto: 

...ser ignorante sobre algo é crime? Se for, teremos que multar ou encarcerar 80% da população por ser ignorante sobre os mais diversos assuntos.

O que o movimento LGBT alega?

Na PRÁTICA, que o simples fato de uma pessoa se posicionar de modo contrário a homossexualidade, isso representa, por si só, um incentivo a intolerância, ao desrespeito e a discriminação, sendo considerado discurso de ódio, mesmo que não seja um discurso direto contra a comunidade LGBT. Eles alegam que as ideias, palavras expressas, mesmo não sendo incentivadoras de violência, mas declaradamente contrárias às práticas homossexuais, servem de "ponte/elo" com a prática de quem comete crimes contra essa comunidade, fomentando suas atitudes e, por isso, sendo indiretamente cúmplices de atos criminosos.

O Movimento LGBT está correto em pensar assim?

NÃO! Pelo fato de não fazer diferenciação entre discursos que representam posicionamentos ideológicos científicos e, portanto, fundamentados em estudos, os discursos filosóficos, religiosos, e discursos ignorantes (de pessoas leigas) dos discursos de ódio (violência). Eles colocam na mesma categoria pessoas leigas e que possuem conceitos válidos ideologicamente sobre a homossexualidade, mas contrários a ela, com pessoas que tratam de forma odiosa e violenta o assunto. Ao igualar, se tornam repressores, fazendo do assunto "homossexualidade" algo absoluto, imune à críticas e opiniões de todos os tipos, sejam elas válidas ou não. Isso é um jogo antidemocrático!

Então o que é preciso fazer para punir discursos que são realmente de ódio, sem interferir na liberdade de consciência, filosofia, religião, ciência e expressão, garantidas pela Constituição aos cidadãos de bem?

A primeira coisa é fazer cumprir a legislação que já possuímos, a qual prevê punição para toda pessoa que se sentir moral ou fisicamente agredida pela violação dos direitos individuais, a honra e a liberdade. Segundo é especificar, detalhadamente, o que significa discurso de ódio. Em quais circunstâncias é possível considerar a fala de uma pessoa um crime de incitação à violência e não uma mera opinião, seja ela ignorante ou não. Terceiro, dispor a população ao esclarecimento do que realmente precisa ser esclarecido ao invés de coibir sua compreensão, ou fazer valer apenas um aspecto dessa compreensão, tratando-a como "dogma" e  ignorando as demais visões. Quarto, promover a cultura humana do respeito às diferenças e a real diversidade, e não apenas a diversidade das partes. A moderação e o amadurecimento dos discursos surgirão à medida que os grupos sociais não enxergarem uns aos outros como carrascos de ideias e liberdades, mas contribuintes de uma mesma causa; a causa humana!

Comentários, críticas e sugestões abaixo.

Abraço e até a próxima...

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1 de maio de 2015 16:49

Olá, tenho algumas ressalvas a fazer sobre os seus comentários. [PARTE 1] (tive que dividir pelo número de caracteres)

"Na primeira fala Fidelix afirma que "dois iguais não fazem filhos" e que "...aparelho excretor não reproduz". Até esse momento, alguma mentira? NÃO! Alguma falsa acusação ou ignorância na sua afirmação? Também NÃO! Evidente, o que Fidelix declarou é verdade".

Apesar de você conseguir mostrar muito bem sua opinião em relação ao todo, neste primeira parte é evidente como você não pesquisou antes de declarar fielmente que se trata de uma verdade biológica, no homem a uretra faz parte do sistema reprodutor e excretor-urinário. O ânus não faz parte do sistema excretor, mas sim do digestório.

"sejam famílias consanguíneas ou não, todas dependem da relação de sexos opostos para existirem, e é nessa perspectiva que Fidelix deposita seu argumento, contrário a união homossexual.

Ele ERRA ao restringir a concepção "simbólica" de família, mas ACERTA ao dizer que biologicamente é impossível a partir duma relação homossexual, por si só, surgir novos grupos sociais (famílias)."

O fato de que gays não podem se reproduzir não limita o conceito de família, afinal existem muitos pais heterossexuais que abandonam seus filhos ou os coloca para adoção, este papel social no qual os homossexuais fazem de adotar filhos faz surgir sim isto que você julgar ser um grupo social (a instituição família), há muito o que dizer também sobre a inseminação artificial no qual não cabe aqui abordar detalhadamente. Você pode me questionar dizendo que de qualquer forma a sociedade não "avança" sem reprodução, mas isto não é argumento para ser contra uma união homossexual.

Até aí você concorda comigo que ele está apenas expressando a sua opinião, mesmo com certa ignorância, eu entendo que a questão aqui é criminalizar a opinião, vamos analisar o resto da fala.

"Pensar assim é crime?Também NÃO! Assim como não é crime pensar o contrário de Fidelix e enxergar a família tradicional, bem como a heterossexualidade, como "maus caminhos". Ambos os casos dizem respeito a opinião. A declaração de Fidelix até então é abrangente, moralista, de caráter pessoal e diz respeito a sua liberdade de consciência garantida em lei. Por mais que sua objetividade incomode, não sejam palavras delicadas (polidas) ou simplesmente "politicamente corretas", suas afirmações foram válidas como direito a liberdade de consciência e expressão. "
Primeiramente você incita que pensar o contrário de Fidelix, significa enxergar a heterossexualidade como, usando suas próprias palavras, um "mau caminho", esta generalização foi infeliz, afinal, não vemos nos noticiários pessoas mortas por serem heterossexuais, proibidas de entrar em certos lugares ou sendo expulsas de casa, dentre outras coisas que acontecem com os homossexuais.

"Fidelix ao emendar na mesma fala um caso de pedofilia, faz associação com a união homossexual. Penso, todavia, que não podemos concluir se a sua intenção foi colocar a homossexualidade em par de igualdade com a pedofilia, o que seria um erro, ou se foi apenas uma referência a um exemplo de moralidade vindo do Papa. Como essa citação veio após ele mencionar a importância da instrução dada por um pai e avô, imagino que ao citar o Papa, sua intenção foi utilizá-lo como exemplo de atitude moral, de instrução e correção, e não de igualar pedofilia com a homossexualidade."

Na verdade, esta foi uma das partes mais pesadas em seu discurso, que antes estava no âmbito da opinião, e agora passou para a agressão. Ele literalmente associa que gays são pedófilos, é de uma inocência gigantesca sua, no qual as suas próprias palavras demonstram uma dúvida "ou se foi apenas", "imagino que", mas que mesmo assim, você fez questão de destacar que "seria um erro", julgar a afirmação dele como um discurso de ódio.

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1 de maio de 2015 16:50

[PARTE 2]
Você esqueceu de mencionar o comentário de Fidelix dizendo logo no início também que pais de homossexuais não tem "vergonha na cara" por não instruírem seus filhos, logo após ele fala sobre a pedofilia, fazendo claramente uma ligação. Levando a conclusão de que: pais que não instruem seus filhos para a heterossexualidade (dito o bom caminho familiar) podem correr o risco de ter um homossexual pedófilo em casa.

"E bem longe da gente, porque aqui não dá.". Deixando evidente um sentimento de "repulsa" do ex-candidato para com a condição do homossexual, o que não tem a ver com aceitar para si, concordar ou não com essa condição, mas sim de tolerar e respeitar como diferença humana. Em outras palavras, Fidelix deveria ter se restringido nesse assunto apenas ao campo social, político e humano, podendo sim abordá-lo segundo seus valores morais, como fez, de fato, mas evitando tratá-lo no mérito da ciência."

Você ignorou algumas palavras anteriores no qual o Levy disse que é preciso enfrentar essas minorias.Foi a fala mais pesada dele, saindo mais ainda de uma mera opinião para um discurso de ódio, de literalmente,repulsa! Isso deixou de ser liberdade de expressão.
"o que não tem a ver com aceitar para si, concordar ou não com essa condição, mas sim de tolerar e respeitar como diferença humana." no sentido da sua frase, tolerar e respeitar é bem contraditório, tolerar neste contexto significa suportar, e não acolher, respeitar, compreender.
Chamar pessoas para enfrentar outras não é tolerar.

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1 de maio de 2015 16:51

[Parte 3]
"Lembrando que faço esta associação pelo fato de que a homossexualidade NÃO É RAÇA, mas sim comportamento desenvolvido e/ou adquirido com base numa relação sócio-afetiva multifatorial. Esse é o motivo pelo qual o julgamento deve ser diferente a quem dirige um discurso como esse a população negra, por exemplo. Na questão racial não há o que ser contra ou a favor. Qualquer pensamento fora disso é repudiante, ignorante e deve ser passível de punição, pois raça não se discute mérito ou condição. Por outro lado, tudo o que diz respeito ao comportamento e, portanto, a sua "mutabilidade" cultural, é plenamente possível discutir, respeitando as condições apropriadas, a exemplo da homossexualidade."

Você se diz no direito de discutir sobre os comportamentos culturais dos outros, mesmo que sejam repletos de ignorância, afinal são "apenas" opiniões. Homossexuais, lésbicas, travestis, transexuais, são mortos todos os dias, você já teve acesso as pesquisas que apontam que um homossexual foi assassinado a cada 28 horas no Brasil em 2013?
É muito fácil julgar de longe, apontar e sair dizendo que o é certo ou errado numa visão totalmente egocêntrica. Você é bem ciente em relação aos negros, espero que também seja em relação as mulheres, afinal, elas nasceram assim e são oprimidas por religiões e julgadas sobre o seu corpo.
Entenda que as pessoas só querem serem felizes e amar, o Estado é laico, elas tem direito de se casar, sim! Mas gays morrem todos os dias pelo fato de serem gays, lembre-se do caso do pai e do filho que estavam andando pela rua e foram confundidos com um casal gay e sofreram agressões gravíssimas. Por isso não se pode relativizar quando um candidato a presidência da República chega em rede nacional chamando as pessoas para enfrentarem esta minoria, dentre outras coisas. Existem os que entendem isso literalmente, livros, obras artísticas e discursos assim, por exemplo podem ser utilizados como armas (políticas também), será mesmo que a liberdade de expressão não acaba quando ela ofende?

Estes foram alguns dos pontos que eu me incomodei ao ler, geralmente eu não faço comentários. Suas opiniões são de fácil leituras e bem organizadas, alguns comentários que não concordo ou me incomodo demais eu até consigo entender porquê percebo um pouco sua visão, e respeito. Afinal, eu pratico a verdadeira tolerância, se colocar no lugar do outro, o que é difícil porém, não impossível. Abraços e paz!

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5 de maio de 2015 16:10

Marcos Eduardo, primeiramente quero lhe agradecer pelo interesse de ler a matéria e enriquecer o texto com suas reflexões. Tomara muitos tivessem a mesma capacidade de argumentar de forma respeitosa e construtiva aquilo que acredita, parabéns!

Amigo, farei algumas observações em relação às suas ressalvas. Vou enumerar para não nos perdermos, ok?

01 - Em relação ao "aparelho excretor", mencionei a fala do Fidelix querendo enfatizar apenas a sua intenção, sabendo que se o ânus é parte do aparelho excretor ou digestivo, em ambos os casos isso não mudaria a VERDADE de que ele "não reproduz", entende? A questão ai não é a exatidão da função biológica do ânus, subjetivamente entendido por nós (porque na fala não há menção do ânus) mas o simples fato de que ele não reproduz. Foi isso o que eu disse ser uma Verdade. Nisso concordamos, certo?

02 - Não questionei a existência de famílias homoafetivas, nem a sua validade enquanto grupo familiar. O que eu fiz foi distinguir grupos familiares de laços afetivos e sanguíneos. Do ponto de vista afetivo, até papagaio, cachorro e borboleta são famílias, entende? Minha intenção nessa fala foi dizer que o Fidelix RESUME seu conceito de família a consanguinidade, por isso eu disse que nesse aspecto ele ERRA. Mas por outro lado, eu disse que ele ACERTA quando coloca a relação familiar consanguínea como sendo a "base" da sociedade, isso por razões de variabilidade genética e estrutura social.

Imagino que o amigo sugere a inseminação artificial como sendo uma "evolução" das novas famílias, ao ponto de no futuro a humanidade não precisar recorrer às relações sexuais opostas para se produzirem, certo? Ora meu caro, essa realidade não muda o fato de que dois homossexuais não reproduzem. Entenda que a questão não está no fato de poderem ou não terem filhos, mas sim de COMO terão e no significado do porquê não podem ter de forma natural. Em outras palavras, do ponto de vista biológico, não poder gerar filhos significa incompatibilidade biológica, que no caso dos homossexuais não é por disfunção, mas sim natureza do sexo!!!


Continua...

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5 de maio de 2015 16:11

03 - A comparação com a heterossexualidade como "mau caminho" foi apenas para ilustrar o direito a liberdade de pensamento, que poderia ser igualmente inverso. Não tive nenhuma intenção de "vitimar" os heterossexuais de perseguição e preconceito.

Há sim preconceito e privações contra homossexuais na sociedade, mas esse é outro assunto. Recomendo que leia um texto publicado nesse link aqui: http://www.opiniaocritica.com.br/2013/05/gays-de-direita-e-q-libertarios-na.html

04 - A associação com pedófilos é subjetiva. Foi exatamente por isso que eu não fiz afirmações conclusivas, deixando margem para interpretação. Todavia, preciso lembrar ao amigo que minha intenção do texto foi fazer uma análise que buscasse justificar ou negar o parecer jurídico do caso. Levantei possibilidades, e minha "conclusão" foi que o fato de Fidelix ter mencionado "pedofilia" lado a questão homossexual não nos dá capacidade de afirmar que para ele todo pedófilo é homossexual.

05 - O "temos que enfrentar essa minoria" interpretei como discurso político. Perceba, amigo, que um olhar de militante acirrado, pode interpretar isso no viés do confronto corpo a corpo, violência, etc. mas, perdoe, isso é uma interpretação "forçosa" demais para meu entender. Vi esse "enfrentamento" no campo das ideias, das medidas políticas, do posicionamento, etc, e não da violência física, por isso não dei destaque a essa fala.

Para entender melhor isso basta se colocar no discurso, como se fosse você falando, dirigindo essa fala a outro grupo, como por exemplo os RURALISTAS. Percebe como a conotação se torna política? Por que dei o exemplo dos ruralistas? Para "desviar" o foco da sua mente ao tema "homossexualidade", que possivelmente está "condicionado" a associar discursos contrários a uma incitação a violência.

Obs. Eu disse que "seria um erro" se ele tivesse associado pedofilia a homossexualidade. Ok?

06 - Acredito que repudiei a frase que deveria repudiar. A ideia de "repulsa" fiz na intenção de classificá-lo como uma pessoa ignorante sobre o assunto. A ideia de "tolerar" foi exatamente a de "tolerar", amigo. Isso porque nem sempre precisamos (ou conseguimos) compreender, acolher ou aceitar algo para poder conviver com ele. É nesses casos que a tolerância entra em cena, nos fazendo "suportar" a convivência comum em respeito às diferenças individuais. Todavia, concordo que o ideal é compreender e aceitar, quando possível.

07 - A última fala do amigo diz respeito a violência e estatísticas sobre a população Gay, assim como questões civis. O espaço é pequeno para argumentar sobre tudo isso, mas como já indiquei acima, recomendo a leitura do link indicado para notar que a grande maioria do que o amigo toma conhecimento sobre casos de "homofobia" são forjados. Aliás, tenho publicado na página principal do blog um caso no qual eu mesmo testemunhei! Quanto aos direitos civis, a população homossexual, se deseja igualdade de direitos, já possui. O que não pode existir, para qualquer grupo, seja ele qual for, são privilégios!

Abraço e paz!

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