Você Carrega Peso Morto? - Se Construa, Viva e Mude!


Não importa o quanto você conhece os fatos, o desenrolar de alguns acontecimentos sempre irão escapar do seu absoluto controle. Não importa o quanto suas concepções estão bem alicerçadas, a experiência te fará duvidar de todas elas. Não importa o quanto você esteja preocupado em seguir uma Verdade, haverá momentos em que a mentira parecerá mais sedutora e convincente, embora a Verdade continue sendo Verdade independente do quão atraente for a mentira. Se você vivencia essas reflexões, pode ser que tua vida não seja uma receita de molho pronto, mas uma construção de lições que vão se delineando conforme suas experiências. Mas o que isso representa de útil? Pegue um cafezinho.

Muitas pessoas vivem a frustração de não conseguirem lidar com as decisões do presente, e por isso algumas ficam sem grandes perspectivas do futuro. Outras -- conduzem -- o presente e idealizam o futuro, porém sem o mesmo ímpeto e motivações do passado. Quando seus planos, idealizações e recursos são abalados, surge um mar de sentimentos e com eles nossos comportamentos vão se moldando, criando estilos de vida que as vezes queremos abandonar, mas aparentemente não conseguimos. Nesse quadro não há questão simples ou complexa, há a dimensão individual de cada sujeito, cujo grau de complexidade é proporcional ao modo como cada um se entende. Esse pequeno texto é uma tentativa de lhe ajudar a pensar o seguinte: estou carregando um peso morto?

É importante seguir um roteiro na vida, todos nós temos um. A própria vida é um roteiro em sua natureza mais elementar: nascer, crescer, produzir, envelhecer e morrer. Isto significa que estabelecer roteiros é necessário para que tenhamos por onde seguir. Difícil é quando durante a sua execução somos surpreendidos por outros roteiros, o de coisas e pessoas diferentes dos nossos, e então somos obrigados a nos adaptar, se quisermos continuar, ou desistir e viver alienado na própria angústia de não ver seu roteiro cumprido a risca. Na prática, quero dizer que muitos carregam "peso morto" nas mãos, são os velhos roteiros falecidos por novas circunstâncias que obrigaram seu autor a modificá-los, mas por não terem feito assim, morreram. Tal como o roteiro falecido, a pessoa não atualizada (emocionalmente, conceitualmente) vai morrendo junto com o velho roteiro, pela insistência de querer dar vida ao que já morreu, quando então surge aquela impressão de "morte em vida". O brilho do sol já não te encanta mais, as flores, orvalho e o cair da chuva, são apenas retratos em preto e branco imersos na rotina de mais um dia. A vida de muitos segue esse "padrão", onde até mesmo a ruptura das normas representa o mesmo papel da norma que você julga ter rompido. A norma de consumir, beber, comer, transar, envaidecer, conquistar títulos, impressões de uma vida que não significa consciência das reais necessidades, sua "essência", muito menos liberdade, senão apenas uma prisão decorada com enfeites "culturais". Você tem a opção de continuar amarrado(a) ao peso morto, qual é o nome dele; metas não alcançadas, sonhos, amores, família, filhos, riqueza, saúde, "beleza", compreensão, aceitação? Sendo assim, você não se permitirá aperfeiçoar seu roteiro, acreditando ter o "magia" do controle absoluto, concepções inequívocas e "verdades" inabaláveis, você estará bloqueado(a) ao que o mundo lhe trará como possibilidades, uma configuração versão "1.0" sem chance de atualização.

Não compreenda mal, esse texto não é uma convocação para ser uma "metamorfose ambulante", pois quem vive assim nunca é sujeito, senão alguma coisa que não se encontra, ao chegar num ponto em que a metamorfose parece mais fácil, uma vez que não requer compromisso com nenhuma essência/verdade. Te chamo para ser HUMANO, essencialmente HUMANO, cuja compreensão da vida necessita, sim, de um roteiro e com ele suas verdades tendo em vista a Verdade que lhe dá sentido. Porém um sujeito capaz de se aperfeiçoar, mudar quando necessário ou permanecer por convicção. Abandonar os "pesos mortos", atualizar-se afetivamente ou conceitualmente segundo a condição das tuas necessidades, tendo a Verdade que te constitui como parâmetro. Mas e se não houver Verdade? E se você descobrir que sua vida foi/está constituída por mentiras? Significa que esta descoberta será a tua primeira verdade, então será preciso escolher entre continuar vivendo a mentira ou encarar a verdade e as mudanças que ela exigirá de você. Todavia, parabéns, é o começo!

Finalmente, dessa pequena reflexão enfatizo a importância de compreender o "estar em construção", como um produto inacabado no quesito afetivo, moral, o que não significa não SER, não estar, não possuir um alicerce ou referencial, um caráter que nos delimite e também sirva de exemplo, mas de saber estar sujeito às possibilidades que a experiência nos traz e oportunizam novas configurações. É nessa compreensão de amadurecimento constante, em processo, que temos condições de abandonar os pesos quando necessário e nos constituir diariamente a medida que nos relacionamos com o mundo

Seja você a circunstância que modificará seu meio, isso poderá não mudar o mundo, mas certamente mudará a maneira de você enxergá-lo!

Abraço e até a próxima...

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