Dilma Rousseff, Presidente ou Candidata? Depende da Pergunta!


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A entrevista com a candidata, até então Presidente Dilma Rousseff, no Jornal Nacional em 18/08/2014, foi um verdadeiro vexame. Talvez nem mesmo os próprios militantes do PT esperavam algo tão terrível e desajeitado num cenário de projeção nacional e em horário nobre. Bom, não sou analista político, mas talvez possa fazer uma análise razoável de alguns quesitos com ênfase no comportamento dos participantes; William Bonner, Patrícia Poeta e Dilma Rousseff, vejamos:

William Bonner - Assim como nas entrevistas com Aécio Neves e Eduardo Campos, Bonner não aliviou nas questões polêmicas, muito menos na insistência em querer ouvir dos candidatos um posicionamento claro e objetivo sobre as questões. Penso que seu papel enquanto jornalista, no entanto, foi prejudicado do ponto de vista ético, por não ter tido o bom senso necessário para mudar de questionamento, a fim de cumprir a pauta da entrevista, certamente recheada de grandes perguntas. O momento em que se deu conta da sua insistência um pouco além da medida, já havia passado tempo suficiente para não abordar satisfatoriamente as outras questões. Isso não retira o brilhantismo na postura profissional do Bonner após tantos anos de jornalismo, pois o que pudemos ver por alguns minutos foi um brasileiro e eleitor por trás do profissional, querendo obter diante de uma oportunidade única, as mesmas respostas de satisfação que todos nós desejamos, mas nunca tivemos! De zero a cem eu diria que o Bonner cumpriu 60% da sua pauta!

Patrícia Poeta - A Patrícia se viu no meio de um tiroteio, por vezes demonstrando claramente sua preocupação com a postura insistente do Bonner, precisando sinalizar de modo sutil, com gestos, para que o amigo ao lado desse vez a sua fala. Naquele momento o questionamento teria de ser outro, vindo a "saúde" como quesito. Mais branda que o Bonner, porém sem abrir mão do senso crítico, Patrícia soube administrar melhor a fala da candidata Dilma Rousseff, por vezes  engasgada pelas intervenções do Bonner. O que destaco é que diferente das outras entrevistas, a Patrícia dessa vez atuou mais como uma intermediadora do que como entrevistadora, precisando regular o tempo e também a fala dos participantes. Talvez por uma questão de "ordem na casa" ela fosse designada a dar mais espaço para o Bonner, e nesse sentido fez o  que pareceu ser o melhor. De zero a cem eu diria que Patrícia cumpriu 80% da sua pauta.

Dilma Rousseff - Ela estava aparentemente tranquila, como quem já esperava o "bombardeio" por vir, mas não disfarçou o gaguejo por alguns momentos, nem o já conhecido semblante "amarrado". A candidata do PT tentou, mas não conseguiu. Procurou de todas as formas dar um contorno aos questionamentos que favorecesse os interesses da sua candidatura. Até então tudo bem, pois todos fazem isso, faz parte do marketing estratégico, procurar conduzir a entrevista dando ênfase apenas aos pontos positivos. O problema (para o PT) foi que havia um jornalista disposto a mais uma vez não deixar isso acontecer, encurralando a candidata ao ponto de fazê-la revelar sua expressão original, veja na foto abaixo, volto em seguida:

A tradicional expressão da candidata Dilma na ausência de sorrisos. Semblante de bom humor não faz um bom Presidente, mas certamente ajuda na hora de conquistar a simpatia dos eleitores, certo? ;)
A condenação da cúpula do PT no caso mensalão rendeu a maior parte do tempo, pois ao ser questionada se concordava ou não com a decisão do STF, a candidata comete dois erros trágicos. 01 - Para se esquivar da pergunta ela se coloca como Presidente e não como candidata, utilizando-se da "imparcialidade presidencial" pra não responder o questionamento. Ora, ninguém avisou a Dilma que a entrevista estava sendo feita com a CANDIDATA, e não com a Presidente? Mas Dilma ignorou o fato de ser questionada como qualquer outro candidato, se utilizando da investidura presidencial para se "blindar" contra as críticas ao seu partido. Como ela mesma disse, não quis se "complicar" (trágico!). Acredite, não será surpresa se ela repetir o mesmo argumento em outras entrevistas e debates. 02 - Reforçando uma posição de "assunto encerrado" perante a condenação dos SEUS LÍDERES, Dilma utiliza a falácia de que "decisão judicial não se discute", querendo dizer que não há mais o que comentar em relação a isso. Ora, deixe-me corrigir CANDIDATA Dilma:

...decisão judicial não apenas se discute, como se revoga! O que não se discute é o cumprimento da decisão judicial quando, ai sim, não houver revogação do processo! Ou seja, a discussão do processo independe do que já foi determinado a ser cumprido.

A pergunta feita não diz respeito ao cumprimento da condenação, mas sim a CONCORDÂNCIA com o processo. Você concorda ou não com a condenação dos seus líderes de partido por corrupção? Simples assim. Mas Dilma seguiu o exemplo do seu mestre Lula, em outras palavras preferiu dizer que "não sabe de nada".

No quesito economia Dilma está igual Museu, vivendo do passado. Desconsidera que na primeira metade do seu Governo o crescimento econômico do país foi insignificante, na média de 2%, patamar menor entre os governos desde Collor (1992), e que nos últimos dois anos ficamos estagnados com previsões negativas para o futuro, resultando no pior dado de "crescimento" das últimas décadas! Para mudar esse quadro é preciso novas iniciativas, não vivendo do que já foi feito, mas fazer mais, e melhor! Essa é uma necessidade que a Dilma, bem como a cúpula moralmente desgastada do PT parece não estar conseguindo mais suprir.

No tema saúde a candidata Dilma cometeu outro erro, preferiu ressaltar o programa "Mais Médicos" ao invés de propor medidas que focassem as condições precárias da saúde no Brasil em relação aos hospitais, postos, equipamentos, exploração comercial dos planos de saúde e qualificação profissional. Médicos cubanos (que recebem menos da metade do salário, enviando o resto para os Irmãos Castro) simbolizam o elo político entre o esquerdismo petista com a ditadura comunista cubana, "escola" de perpetuação do poder e exploração da mão de obra. Ora, as principais críticas consistem na carência de equipamentos, estrutura adequada, tratamento humanizado, remuneração justificável para equipe multidisciplinar, composta não apenas por Médicos, mas também por Enfermeiros, Fisioterapeutas, Psicólogos, Nutricionistas, Fonoaudiólogos, etc. O interesse de alguns em se descolar para regiões isoladas é um fator estrutural e não apenas salarial. Outro grande problema é a exploração da saúde pelo setor privado (planos de saúde), que afeta não apenas a postura dos profissionais de saúde (que se tornam mercenários), como quem precisa do atendimento, mas não encontra, uma vez que o poder público além de deficiente ou ausente, também não regulamenta esses serviços em favor da população em geral. Perceba então que o problema da saúde no Brasil é uma questão POLÍTICA e não de demanda profissional.

De zero a cem, eu diria que a candidata Dilma Rousseff cumpriu 10% de tudo o que seu partido havia planejado para essa entrevista. Para piorar, sua imagem ficou ainda mais desgastada. Se a reeleição já estava difícil para o PT, agora babou de vez, especialmente com o iminente anúncio de Marina Silva 40 como candidata oficial pelo PSB

Finalmente, nos resta aguardar as demais entrevistas, pronunciamentos e embates entre os candidatos, para que possamos formar nossa opinião política e decidir nas urnas o futuro político do Brasil. Se você tem uma opinião a dar, deixe-a nos comentários abaixo.

Abraço até a próxima...

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