A Desconfiança Política do Brasileiro - Vale a Pena Votar?


Você pode não querer votar, acredite, eu entendo. Num país onde a política é historicamente corrompida pelos interesses da ganância, vaidade, exploração humana, parece haver motivos suficientes para desacreditar nos candidatos que ai estão. Não exatamente por todos os  candidatos, mas pela desconfiança que nos impede de acreditar ser possível que alguém realmente honesto, comprometido e batalhador possa ser eleito e, finalmente, fazer diferença. Mas será que devemos nos deixar vencer pela desconfiança? Tenho razões para pensar que não e me arisco a expor isso a vocês.



O descrédito na política brasileira é um fator estrutural, que não parte da política, apenas, mas das condições de vida das populações outrora dependentes dos seus "senhores", para que pudessem ter liberdade, trabalho e comida. Não podemos esquecer que o Brasil é um país colonizado. Ele não foi, ele ainda é. O colonialismo continua existindo na mentalidade das pessoas, ainda não conscientes do seu poder enquanto "povo" liberto culturalmente, economicamente, etc. autônomo dos seus próprios interesses, bem como naqueles que numa situação de "poder" pensam estar acima dos direitos comuns. O enquadramento psicológico das "massas" numa situação de "rebanho" é tão importante quanto as ações executadas, pois parte do sucesso dessa execução depende do modo como essa massa se aliena. É, portanto, dessa relação colonial histórica, entranhada na mentalidade popular, que parte a corrupção brasileira, transmitida de geração a geração. Talvez uma diferença em especial atualmente seja a possibilidade de qualquer um tornar-se "coronel", bastando para isso  de algum modo se destacar e fazer alianças com outros "coronéis". Essa nova estrutura de poder, apenas adjetivada de forma diferente, não apenas sustenta a corrupção, como serve de exemplo para os que desejam ingressar nela, servindo de agente modelador até mesmo para quem um dia imaginou ser possível fazer diferente. Mas então, é possível acreditar na política brasileira?

Penso que sim e a resposta em primeiro lugar está na EDUCAÇÃO. O conhecimento aliado a experiência de vida é libertário. Não é por acaso que o Brasil, num ranking composto por 144 países avaliados pelo Fórum Econômico Mundial, divulgado esse ano (2014) em Davos, na Suíça, ocupa a 116º posição no ensino de tecnologias. Limitar o acesso ao conhecimento e instituir uma cultura idiotizante de "escravismo mental", é ter espaço para estabelecer os desejos dos poucos que enxergam com um olho só (hã?). Não por acaso nossas universidades, escolas pública e até mesmo particulares, estão sucateadas, atrasadas em relação ao resto do mundo, gerando títulos de conveniência meramente funcionais (para ocupar vagas de empregos), mas não pessoas formadoras de opinião em suas áreas e produtores de conhecimento. O incentivo a um tipo de cultura medíocre que  subtrai e aliena não contribui para o desenvolvimento humano, esse é outro fator que faz parte da educação. Portanto, pensar em Políticos que tenham o total aperfeiçoamento da Educação e valorização da BOA cultura, como prioridade, é um passo para se acreditar na política do Brasil a médio e longo prazo. Vale ressaltar que não cito aqui a educação como propulsora do desenvolvimento econômico irresponsável, tal como ocorreu nos EUA e Canadá, por exemplo, limitando sua ideia de prosperidade ao consumismo e materialismo, mas sim a compreensão sistemática de uma realidade que precisa ser beneficiada, na qual não apenas nós, humanos, estamos inseridos, mas toda a natureza. Uma educação, portanto, que não se refere ao volume de conhecimento, mas a capacidade de fazer do conhecimento uma ferramenta de desenvolvimento inteligente.

A outra resposta está em acreditar nas possibilidades de quem, vindo de uma educação consciente, possa iniciar uma nova construção política, liberta dos velhos paradigmas e interesses, mas comprometido em ser coerente aos próprios ideais. Neste caso me refiro a quem já apresenta uma trajetória de vida coerente às propostas que apresenta enquanto político. Ora, a verdade é que 80% dos candidatos a cargos políticos são papagaios dos "coronéis" querendo alçar voo do poleiro. Pessoas sem "trajeto" de militância na vida pessoal, e não apenas política. São os que frequentam passeatas, carregam bandeiras, gritam aos microfones, incentivam multidões, mas na vida pessoal não apresentam qualquer compatibilidade com o que anunciam publicamente. São os que defendem, por exemplo, o comunismo, mas desfrutam descaradamente as regalias capitalistas nos finais de semana. São os que pregam contra privilégios, mas oferecem cestas básicas e outros favores em troca de votos. Por outro lado, o político coerente capaz de iniciar uma nova estrutura de poder é o que trás da sua vida pessoal as experiências e valores que compõem seu programa de governo. Ele traduz da sua trajetória as lições que acredita valer para o povo, e encontra, nesse mesmo povo, aceitação, porque se vê naturalmente identificado. A educação quando aliada a essa personalidade, se transforma numa ferramenta de consolidação do seu governo. Por isso é praticamente impossível pensar num candidato politicamente coerente sem enxergar o significado que a educação possui para ele, uma vez que todo bom caráter se fundamenta no recebimento de uma boa educação.

Sendo assim posso ressaltar dois aspectos fundamentais para termos esperanças num novo governo através do voto, são eles a EDUCAÇÃO e a COERÊNCIA POLÍTICA. O primeiro insere o conhecimento necessário para termos consciência da realidade. O segundo torna possível, através do primeiro, a concretização de uma política cuja ética, a moral e a condescendência com as necessidades do povo sejam o reflexo das experiências obtidas com a própria vida. Dirá alguém; e a visão econômica? Ora, penso que quando nossa visão de mundo está pautada por uma educação movida por princípios humanos fundamentais, todas as medidas administrativas passam a ser, naturalmente inclinadas para a melhoria de vida das pessoas. Em outras palavras; um excelente economista, se não tiver o respaldo de uma boa educação e visão de mundo ética, jamais fará um bom governo apenas por seus conhecimentos em economia. Talvez atenderá apenas os interesses dos grandes empresários e bancos mundiais, enquanto o valor humano padecerá. Por outro lado, o governo pautado por uma educação regida por princípios humanos fundamentais, será capaz de converter as necessidades do povo em números (economia) suficientes para sua melhoria de vida.

Finalmente, nas eleições deste ano, quem dentre os candidatos apresenta uma trajetória de vida que aponta para essas duas características, Educação e Coerência Política? Quem trás em sua própria vida as marcas das experiências  pelas quais passou, e pode aprender, querendo transformar isso em medidas coerentes que possam beneficiar o Brasil? Quem em seus discursos de palanque demonstra ser o que defende no seu dia-a-dia, junto às pessoas, a família, no ambiente de trabalho, na igreja, nas praças, ou seja; que fala como o povo porque é o povo? É nesse candidato que devemos votar. Nos apoiamos por muitas gerações na ideia de que o conhecimento, o prestígio e a influência eram os ingredientes fundamentais para eleger um candidato, bem como na ideia de que uma história de vida de pobreza significaria um governo popular. Nos enganamos. Os ricos letrados governaram para poucos e os pobres no poder foram corrompidos pela ganancia. Precisamos mais do que rótulos, partidos e histórias dramáticas. Precisamos agora de pessoas que tenham princípios fundamentados por uma Educação sólida e coerente a sua própria história de vida, fazendo política não por "ocupação e coronelismo", mas por competência de vida, dedicação e incentivo dos que acreditam em seus ideais! Pense nisso.

Abraço e até a próxima...

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