Um Evento Feliz - Uma Crítica na Perspectiva Terapêutica

 

O filme "Um Evento Feliz", relata a gravidez sendo vivenciada de modo conturbado segundo a perspectiva materna, onde a figura do pai, mais precisamente do sexo masculino, assumiu o papel de reforço desses conflitos, quando o homem não tem sua função definida junto à mulher, exercendo a função paterna. O desenrolar dessa vivência é marcado por incertezas, ansiedade, insegurança e expectativa, não revelando autonomia emocional dos pais perante o momento, mas colocando-os numa  situação dependente num contexto de vida não planejado.

Tanto o pai quanto a mãe, resgatam um --- modelo --- de vida passada que parece não ter se atualizado, e por isso podemos dar atenção ao que chamamos "pré-história". A relação dependente do pai com a m~e, sustentada até o momento atual, impede-o de exercer a função paterna, cuja responsabilidade exige a ruptura dos cuidados maternos originais. Evidenciando essa dependência, o pai trás para dentro da relação com sua esposa à figura da mãe, fazendo alusão ao cuidado e "segurança" outrora conquistado em sua vida. O filho ao invés de sancionar a maturação do casal enquanto ao cuidado de si próprio (porque para cuidar do outro é preciso estar seguro quanto ao cuidado de si mesmo), representa para esse pai uma ponte de ligação entre ele e sua mãe, servindo para sustentar a relação dependente.

A mãe, semelhante ao pai, embora mais disposta a se desvencilhar da modelagem referenciada pela mãe, não consegue atualizar seu comportamento, uma vez que tem nas pessoas ao seu redor, estímulos confusos que não lhes servem de referencial -- positivo! A constante intromissão da família, lado ao marido passivo, imaturo, indisposto à necessidade de atualização, cria um "vácuo" na construção do sujeito materno, fazendo com que essa mãe não tenha certeza das suas capacidades, uma vez que não consegue definir seu papel enquanto mulher, profissional, mãe e filha! É a angústia da indefinição e descontrole que sujeita a mulher ao desconhecido (relacionamento extraconjugal e embriagues = "reset mental"), aparente sensação de liberdade da situação opressora. Em ambos os casos, o que se revive (vive) são conflitos afetivos que envolvem o contexto de vida como um todo, com ênfase nos referenciais mais próximos, ou seja: família! Desse modo, penso, não é possível enxergar o desenvolvimento das funções maternas e paternas, compreendendo que tais funções não se resumem a determinados gestos, como amamentar, acalentar, mas por um entendimento traduzido na certeza da autoimagem enquanto pessoa.

Finalmente,

Os motivos da procura terapêutica, principais queixas e objetivos. Uma vez identificado no comportamento da criança o reflexo de referência dos pais, a abordagem seria na construção das figuras paterna e maternas, questionando a maneira como se desenvolveu (ou não) e as consequências que ela acarreta para a criança enquanto referencial simbólico. Uma reflexão que desse a oportunidade de atualizar a compreensão desses sujeitos, seus comportamentos e percepções, separando-os --- se preciso --- dos modelos negativos do passado.

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