A Disposição de Mudar e o Conforto de "Ser Assim"!


A vida seria muito mais fácil, porém certamente sem graça, se fosse uma configuração específica de algo, como um carro, por exemplo, que para funcionar corretamente basta fazer a manutenção e trocar peças quando necessário. O tempo passa, mas o carro permanece o mesmo, não muda, não se atualiza, aquele modelo GTi 1.6 será sempre o GTi 1.6 e sua mecânica permanecerá a mesma até que se torne inútil! Mas não somos carros, nosso funcionamento é muito mais complexo e não possui um padrão para que possamos compreender e resolver sempre que "der um problema", então o que devemos fazer quando a vida apresentar falhas? 


O que vou escrever não é um método, mas um passo necessário para que cada ser humano compreenda e encontre sua própria maneira de lidar com as "falhas". Esse passo se chama DISPOSIÇÃO! Sim, acredite, nenhuma outra característica é tão importante no comportamento humano, para solucionar conflitos, do que a disposição. Sem ela, não adianta o quão bom você é em compreender a vida. Autocrítica, coragem, inteligência, recursos financeiros ou profissionais, são meros acessórios quando você se depara diante de circunstâncias que exigem de você disposição. O fato é que praticamente tudo o que envolve nossa maneira de ver o mundo e lidar com ele, diz respeito a disposição que temos para pensar e praticar algo. Ou seja, é impossível pensar em corrigir falhas na vida sem considerar que primeiro eu preciso ter a disposição necessária para agir em prol de alguma mudança. Muitos são profundos conhecedores das dificuldades que possuem, sabem exatamente os maiores defeitos, porém não conseguem agir em favor do que necessitam para serem pessoas melhores, e isso diz respeito a falta de três disposições fundamentais, são elas:

01 - Disposição para aprender, sempre...

Se você leu o título e disse "ah, mas isso é óbvio", acabou de comprovar que possui dificuldade para aprender. É comum pensar assim quando algo lhe parece óbvio. No entanto, a disposição para aprender não se refere a ouvir, observar ou estudar, mas sim a capacidade de dedicar um pouco do seu tempo para analisar e buscar compreender "o novo" a partir de outras perspectivas, diferente das suas. A maioria das pessoas estão acostumadas a serem "filtros" de conteúdos, tendo contato apenas com o que para elas parece interessante, ao invés de analisar tudo quanto lhes vier ao encontro, para só então absorver o que for bom. Ou seja, na prática, só estão dispostas a aprender o que parece conveniente (leia-se: confortável, simples e objetivo!), o que não significa algo necessariamente bom. Isso é um grande problema, pois se para corrigir falhas for necessário "tocar" em áreas sensíveis da vida que geram incômodo, angústia e ansiedades, como irão mudar? É por esse motivo que muitos decidem "ser assim", eliminando qualquer possibilidade de melhoria em sua personalidade, consequentemente em toda a sua vida! Não é surpresa se ao longo do tempo passarem por inúmeras crises pessoais. Por outro lado, quem possui disposição para sempre aprender, não pode deixar de lado a próxima característica:     

02 - Disposição para avaliar, sempre...

Existe algo muito importante para ser compreendido nesse ponto. As pessoas em geral confundem avaliação com julgamento. Elas não avaliam e sim julgam partindo das perspectivas que já possuem, no fim de eliminar tudo àquilo que gera nelas algum desconforto. Isto é, elas recebem o conteúdo, mas tendo à frente uma "barreira de pressupostos" (opiniões) que não se abre as possibilidades de um novo entendimento. Isso não é avaliar! Penso que avaliar, sua essência, consiste na capacidade de considerar o maior número possível de possibilidades trazidas por algo, colocando seus próprios conceitos à prova perante ele! É receber, compreender a sua razão e verificar se o que trás confirma ou contraria meus próprios conceitos e os motivos. Para que isso ocorra é necessário que eu ponha "no chão" tudo o que diz respeito ao que "eu acredito", para que o novo tenha espaço e a possibilidade de ser aceito realmente exista. Não significa abrir mão do que se acredita, mas sim não fazer do que se acredita um conteúdo envelopado, lacrado, intransponível, e sim uma referência que servirá de base para o momento em que precisará se colocar e tomar decisões. Uma vez avaliado o conteúdo, seguimos para a próxima característica: 

03 - Disposição para mudar, sempre...

O ponto chave dessa característica consiste nas duas outras disposições, ou seja, aprendizado e avaliação. Por que a mudança muitas vezes é traumática para muitos? Há pessoas que nem podem ouvir falar em mudanças, que logo se incomodam, por quê? Ora, isso acontece devido ao fato de na maioria das vezes querermos IMPOR as mudanças, seja no outro ou em nós mesmos. Nenhuma mudança surte efeito positivo quando não é fruto de uma compreensão acerca da sua necessidade. Muitas vezes a pessoa apenas SENTE a necessidade, mas não a compreende, gerando angústia, ansiedade, compulsões. É nesse momento que a autocrítica (reflexão), bem como a relação com os outros se tornam tão importantes, pois é na REAÇÃO ao meio que não apenas me concebo enquanto sujeito (passo a existir), como  me percebo (me enxergo). A troca de experiências me possibilita enxergar no OUTRO minhas próprias falhas, através da reação que ele tem a meu respeito. A disposição para mudar, então, se partindo de um aprendizado e uma análise que conclua a necessidade de mudança, fará com que essa ocorra naturalmente, bem diferente da mudança "imposta" a qual muitos se submetem e por isso sofrem muito. No entanto, perceba que esse == naturalmente == só é possível porque aparece como consequência do saber aprender e saber avaliar, qualquer coisa fora disso pode significar, ao invés de mudanças positivas, experiências negativas e traumáticas.

Finalmente, esse texto é uma reflexão que parte das minhas próprias necessidades de mudança, mediante a relação de troca com outros no meu dia-a-dia. De uma forma ou de outra, alguma "evolução" acontece na minha forma de encarar o mundo quando dispenso um pouco de tempo para pensar sobre isso, não necessariamente escrever, mas especialmente pensar. E você, uma vez que "trocou experiência" comigo ao ler esse texto, será que pode aprender, avaliar e, quem sabe... mudar?

Abraço e até a próxima...

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