João Alexandre Deixa de Ser Gospel? Entenda!


João Alexandre publicou uma nota em seu perfil no Facebook, afirmando estar "fora" do meio "gospel". Ele critica de forma veemente os "artistas gospels", se referindo a um meio "idiotizado". Diz que a música "gospel" está baseada na fama, na grana e na idolatria dos artistas. João não está dizendo que deixará de compor e cantar músicas cristãs, mas sim que não deseja ser chamado de cantor "gospel". Pois bem, discordo de algumas coisas, explico:
 
Compreendo a tristeza do João, mas discordo da sua postura. Particularmente ouço poucas rádios evangélicas, simplesmente porque tenho mais frustração do que alegria. Transito entre as rádios procurando algo útil, ficando naquela que tem algo construtivo a me oferecer. Claro, há exceções, mas não tenho paciência para procurá-las, então na maioria das vezes prefiro ficar com minha seleção particular de músicas no pendrive, onde há João Alexandre, Logos, Vencedores por Cristo, Expresso Luz, Carlinhos Veiga, Sal da Terra, Sérgio Lopes e muitos outros de variados estilos musicais, tais como Oficina G3, Novo Som, Katsbarnea, Salomão do Reggae, Virtud, Resgate, Ao Cubo, Petra, Bride, etc.

 
Em relação à nota de João Alexandre, me faço uma pergunta: será justo, ou coerente, vir a público dizer que o movimento gospel é um mercado "idiotizado"? Não seria mais correto dizer que há músicos, grupos, que são idiotizados e por isso “mancham” o movimento gospel, separando o joio do trigo? Penso que toda afirmação conclusiva que engloba uma categoria de pessoas, especialmente "restritas" a uma nomenclatura (gospel, religioso, liberal, fundamentalista, etc), é potencialmente injusta, prepotente e ofensiva. Isso porque faz um julgamento de algo que é impossível conhecer a sua totalidade.

 
A prova de que o movimento gospel é, também, reduto de bons trabalhos, músicos e grupos dedicados à genuína música cristã, está no fato do próprio João Alexandre, assim como os que citei acima, terem ajudado a construir esse movimento, sendo eles próprios os pioneiros e grandes referências da nossa música. Dizer que eles diferem desse movimento por prezar mais pela “brasilidade” é um engano, falácia de quem agora quer “ser diferente” do que está sendo posto pela mídia! Um olhar mais atento saberá, por exemplo, que boa parte dos arranjos e melodias desses e outros músicos, possuem a base do Blues, Jazz, Soul e outros estilos... importados! Vai dizer que não?

 
O João critica as influências musicais de uma globalização sem identidade cultural que esses "artistas" gospels trazem para o Brasil. Em parte isso é verdade, mas com todo respeito, gostaria de perguntar se alguma vez ele já comeu HAMBÚRGUER, PIZZA ou foi ao CINEMA. Me causa estranheza aqueles que criticam o estrangeirismo musical, mas andam de carro importado, usam Adidas, vestem Calvin Klein ou, mais precisamente, tocam com instrumentos importados. Ora, se posso ter costumes e preferências por marcas e produtos importados, por qual motivo com a música seria diferente? RESPONDO:

 
Pergunte aos proprietários da Giannini o que eles acham melhor, um violão Takamine ou um Giannini? Pergunte aos donos de uma churrascaria gaúcha o que eles acham de ter um restaurante chinês como vizinho, qual será a opinião dessas pessoas em relação à influência cultural? Acho que não preciso responder! 


O que afeta o nosso trabalho (prestígio, reconhecimento, orçamento?) é sempre alvo das nossas críticas. Não estou dizendo que João Alexandre faz suas críticas por esse motivo, mas sim que há, também, possivelmente uma razão pessoal que envolve seu trabalho em meio a uma geração que vem se modificando em decorrência de inúmeros fatores. O fato é que não podemos ser incoerentes criticando um processo sob o qual estamos sujeitos aos mesmos delitos. A diferença está no “produto” a ser consumido, para alguns é Pizza, para outros é o Country. Para uns são os filmes de Steven Spielberg na TV de 32” no interior da Paraíba, enquanto outros preferem Lasanha. 

 
A globalização das preferências, por tanto, não é um problema por si mesmo, mas sim as escolhas que faço em relação a elas, se fazem bem ou não. Há boas opções, estilos, que podemos extrair de cada cultura, isso vale também para a música, especialmente num país como o Brasil, caracterizado pela miscigenação cultural. 

Ora, em relação à Verdade Cristã empregada na letra das canções, bem como o tipo de motivação/interesse daqueles que cantam, vejo como algo a ser combatido de forma específica, e não generalizada. Quais grupos e cantores não refletem o verdadeiro pensamento cristão? São eles que devemos denunciar explicitamente, partindo do exemplo!

 

O Movimento Gospel, portanto, representa um aglomerado de iniciativas de pessoas com diferentes contextos e pensamentos. Se há falhas, heresias que precisam ser corrigidas, penso: o que estou fazendo com meu trabalho para mudar isso? No caso do João, por exemplo, ele fez uma música chamada “É Proibido Pensar”. Excelente crítica, exortação para o que há de ruim nesse meio envolvido pela Teologia da Prosperidade, isso é o que deve fazer. É essa crítica que esperamos de alguém como João Alexandre. Uma pessoa com ferramentas suficientes para representar o que há de bom na música cristã brasileira. Semelhantemente a banda Resgate fez uma música chamada “Eles Precisam Saber”, outra excelente crítica. Então pergunto: em ambos os casos, eles não representam a música cristã? Claro que sim. Fazem parte de uma conscientização em meio ao movimento gospel? Penso que também sim! Se chamarmos isso de “gospel” ou não, é uma questão de “capricho”, apenas mais um “catchup” a nossa mesa lado ao requeijão mineiro, posto para ser escolhido.
 
Resumindo: nenhum movimento é independente, ele é composto de pessoas. Quando critico um movimento, quem estou criticando? Devido à possibilidade de ser injusto com pessoas que fazem um trabalho sincero, honesto e dedicado dentro desses movimentos, independente de como queiram ser chamados, melhor é guardar minha crítica para situações específicas, ao invés de atirar pedras ao vento e terminar atingindo alguém imerecidamente.

Abraço e até a próxima...

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