A Teoria dos Jogos no Consumo e na Vida Humana


 
A vida, os desejos, as ambições humanas como um todo são motivações de um “jogo estratégico”, onde teoricamente alguns precisam perder para que outros possam ganhar. A essa dinâmica chamamos “Teoria dos Jogos”. Zugman afirma que atuamos como jogadores, dispostos de maneira que uma relação de poder se estabeleça em quase tudo o que fazemos. O sucesso ou fracasso estaria relacionado à capacidade de “jogar melhor”, algo não associado a figuras humanas, apenas, mas também a organizações, nações, grupos diversos. Cada vez que tomamos uma decisão criamos um “ponto de colisão” entre nossa vontade e a dos outros. Satisfazer essa vontade ou necessidades dependerá das estratégias elaboradas por cada jogador para conseguir os resultados desejados.

Prever as atitudes do adversário é uma das melhores estratégias apontadas por Zugman, porque ela consiste em antecipar as próprias ações, almejando estar à frente do oponente ou situação adversa. Fazendo um paralelo com as ações de Marketing, por exemplo, podemos compreender a Teoria dos Jogos na avaliação de mercado, elaboração de metas e planos que visam alcançar determinados objetivos. Prevendo tendências ou mesmo criando situações onde possa haver equilíbrio de forças entre os jogadores, nem que para isso precise, às vezes, recorrer ao “blefe”.

Fábio Zugman, em sua obra "Teoria dos Jogos – Uma introdução à disciplina que vê a vida como uma sequência de jogos", traz o “dilema do prisioneiro” para ilustrar a importância do cooperativismo estratégico, mostrando que a relação “perde-ganha” nem sempre é o melhor caminho para a tomada de decisões. Citando vários exemplos, Zugman faz entender que é mais interessante adequar os preços de um serviço ou produto de acordo com a dinâmica de mercado, minimizando os riscos de ficar obsoleto e ter, consequentemente, perca de clientes.  Desse modo, “entregar” o concorrente para as dificuldades do segmento não é interessante, se é possível utilizar à própria concorrência como benefício, aumentando, por exemplo, a valorização de um produto, pela popularização, pelo custo, utilidade, etc. 

Citando também o “Equilíbrio de Nash”, o autor explica com a Teoria dos Jogos o motivo pelo qual em grandes centros comerciais as lojas costumam ficar próximas umas das outras. Isto é; cada qual com seu espaço, agindo, porém, de forma cooperativa. Em outras palavras, interligando ainda ao “dilema do prisioneiro”, é a utilização da concorrência como fator de atração e desenvolvimento comum, uma vez que sem o aglomerado de lojas não seria possível haver as disputas que tanto atraem o interesse do consumidor. Por isso Zugman aponta o “mutualismo” como sendo o maior diferencial dessa teoria.

Ele ainda faz referência ao conceito do economista Thomas Schelling, chamado por ele de “Brinksmanship”, em que certas situações exigem medidas extremas, às vezes, como último recurso para o equilíbrio de forças. Consiste basicamente na ideia de que o poder de um jogador pode se voltar contra ele mesmo, fazendo com que seu opositor, teoricamente mais frágil, obtenha conquistas mediante a exploração desse conceito. O autor dá exemplos diferentes de brinksmanship, envolvendo a comunicação, remuneração salarial, custo e venda de produtos, até mesmo a disponibilidade de acesso em certos momentos.

Diariamente tomamos uma série de medidas baseadas em estratégias semelhantes aos jogos. Se nos comportamos como jogadores, sendo a vida às vezes um jogo, as ferramentas de um "marketing estratégico", por exemplo, certamente nos auxiliam para criar planos, metas e realizar conquistas, pois analisa diferentes contextos no fim de potencializar ideias, marcas, condutas, mediante ações coordenadas de modo inteligente, utilizando um número cada vez maior do conhecimento humano.

É enxergando a motivação de compra, consumo, serviços e promoção sob a Teoria dos Jogos, que notamos a relação de equilíbrio (Nash), força e radicalidade (brinksmanship) em diferentes jogadores, cada qual com suas estratégias. Cada qual com seus resultados, forças e fraquezas que podem ser compensadas se pensadas de forma inteligentes.

A teoria dos jogos trata especificamente da relação de consumo, poder e realizações em torno desses elementos. Ela, porém, não aborda os dilemas éticos envolvidos nas relações humanas quando motivadas pelo consumo. Até que ponto ganhar ou perder é uma questão de sobrevivência humana? De que maneira podemos estabelecer uma relação de mutualismo, sem que para isso, alguns tenham que ser excluído dos nossos círculos?

Penso que a vida humana precisa ser pensada como algo muito além de um jogo. Essa reflexão, no entanto, talvez se contrapunha as tendências de uma maioria. As pessoas, talvez, prefiram se comportar como jogadores, dispostos a matar, se preciso, para não levar uma derrota para casa.

Abraço e até a próxima... 

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