Marina Silva - Traidora ou Estrategista? Os Motivos da União com o PSB


Decepção para uns, expectativa para outros, a decisão de Marina Silva de se filiar ao PSB e dar apoio ao virtual candidato à Presidência da República, o Governador de Pernambuco Eduardo Campos, causa polêmica entre os seus eleitores. Afinal, estaria ela abandonando seus ideais políticos com a Rede Sustentabilidade, traindo os milhares de militantes que conquistou, ou será essa, talvez, uma brilhante decisão estratégica para alcançar o governo? Antes de comentar esse episódio, peço aos amigos que vejam o vídeo abaixo, onde Marina Silva explica os motivos da sua decisão, volto em seguida:

Voltei,

Não quero fazer campanha (ainda) antecipada, mas não poderia deixar de comentar a excelente decisão da ex-senadora Marina Silva em se unir ao então Governador Eduardo Campos. Excelente, não necessariamente para mim, mas para os que desejam vê-la na Presidência da República. Curiosamente previ esse fato uma semana antes de acontecido, afirmando para alguns amigos que a não aprovação do Rede Sustentabilidade, influenciada provavelmente pelo "maquinário petista" nos órgãos públicos, faria com que Marina quisesse unir forças com o candidato de maior expressão "socialista" capaz de abalar a hegemonia petista, o Eduardo Campos. Previsto e acontecido! Mas por que Campos? Por que o PSB? Leia o que diz o coordenador nacional da Rede, Pedro Ivo Batista:

"...esse partido tem uma trajetória próxima à de Marina Silva. Esteve como ela e com a grande parte dos que compõem a Rede Sustentabilidade na mesma trincheira política: a luta pela redemocratização, a construção dos movimentos sociais e a aliança democrática popular. O Partido Socialista Brasileiro é um partido programático e histórico do campo popular e participou das principais lutas democráticas e populares. Foi responsável pelo pedido de liminar contra o projeto que queria excluir a Rede do cenário político em 2014." 

Pedi que visse o vídeo acima exatamente para compreender melhor na fala da própria Marina, embora ela não deixe totalmente explícito o que esta por trás desse "jogo". Veja abaixo os cinco pontos que foram acordados entre a liderança da Rede com Eduardo Campos:

1. Faremos um acordo programático, no qual PSB e Rede definem um projeto político em comum para o país baseado nas diretrizes: avançar as conquistas econômicas e sociais; democratizar a democracia e defender o desenvolvimento sustentável;


2. O PSB reconhece a Rede Sustentabilidade como partido político e realiza conosco uma Coligação Democrática;


3. Os militantes da Rede Sustentabilidade, inclusive Marina Silva, que desejassem se filiar no PSB, o fariam de forma transitória e independente, como membros da Rede Sustentabilidade. No momento que conquistarmos o registro legal, os nossos militantes filiados ao PSB podem se filiar à Rede sem nenhuma retaliação, inclusive os detentores de mandatos.


4. Tentaremos manter coligações estaduais dos dois partidos, entretanto, onde a realidade tornar impossível essa aliança, a Rede adotará um posicionamento independente, apoiando a coligação nacional, mas realizando a tática eleitoral que for adequada ao nosso programa, valores e princípios.


5. A Rede Sustentabilidade apoiará também seus militantes que por circunstâncias conjunturais tiveram que se manter em outros partidos.

Ora, como podemos ver, a decisão de Marina não se trata de "abraçar" a visão política do PSB ou de Eduardo Campos. Ou seja, ela não fez essa escolha pensando na similaridade política entre a Rede e o PSB, por isso deixa claro que é uma "filiação transitória". Se trata de VIABILIDADE POLÍTICA! Eis a razão do seu brilhantismo na decisão: Marina faz do PSB uma vitrine de atuação política para o Rede Sustentabilidade, onde, por meio deste, poderá se projetar como alternativa, ainda que para isso precise abrir mão da sua candidatura em 2014, cedendo para Campos. Assim como esteve no PT e usou a projeção do partido para disseminar suas ideias políticas, até alçar voo próprio como presidente de legendas menores, dessa vez não conseguindo obter sucesso com a Rede, ela novamente instrumentaliza outro partido em favor da sua legenda (mérito dela!). Para quem acha uma "tragédia" tal decisão, é porque não está conseguindo visualizar os anos seguintes (algo elementar para um estrategista político), quando será mais fácil consolidar a Rede Sustentabilidade tendo o PSB no poder, ao invés do PT ou PSDB, especialmente se ela tiver feito parte da base governista desse partido, assim como fez do PT.   

Evidentemente para essa coligação não poderiam ser os tradicionais partidos da direita, como também não os partidos de pouca representação da esquerda. Com o claro objetivo de ganhar as eleições em 2014, derrubando a "era petista" (chavista para ela), Marina tinha que se aliar à um partido que lhe desse a maior visibilidade possível, de preferência, com outro político de grande visibilidade e aceitação entre os diferentes setores da sociedade. Fazendo isso e tendo, ao mesmo tempo, abertura para se colocar politicamente, imprimindo as ideologias do Rede Sustentabilidade na base desse governo, Marina consegue manter viva a sua legenda e ainda ter a chance de sair como cabeça na chapa!

Uma União para Derrubar o PT

O PSB de Eduardo Campos foi um dos partidos que reconheceu oficialmente a criação do Rede Sustentabilidade. Por meio de nota, o Governador de Pernambuco deu "boas vindas" ao nascimento da Rede. Os laços políticos entre os dois partidos, portanto, já estavam "cruzados". Decidir pela aliança política com o PSB, para Marina, significa não "entregar de bandeja" a Presidência nas mãos do PT, porque não apenas as pesquisas, como também o bom senso dos brasileiros, mostram que ela é a única candidata com chances reais de vencer Dilma Rousseff. Sua retirada das eleições, ou mesmo a pouca proeminência que teria se filiando a outros partidos, significaria uma vitória "certa" do PT, uma vez que Aécio, Serra, Eduardo, assim como outros possíveis candidatos, ISOLADAMENTE,  não apresentam números suficientes para ameaçar o governo Dilma. A união com o único "socialista" entre os presidenciáveis na frente das pesquisas, surge como a opção mais viável para alguém que deseja minimizar os riscos de ver o PT mais uma vez no poder. 

Arrisco outro Palpite

Se as novas pesquisas não mostrarem uma migração expressiva dos votos de Marina para Eduardo, tendo ela como vice na chapa, certamente Eduardo cederá sua candidatura para Marina e ela será a cabeça da chapa. Como acredito que isso é o que acontecerá, então arrisco escrever que teremos Marina-Campos em 2014

Eduardo usará a mesma lógica de Marina. Antes no poder, tendo a chance de se projetar e construir os rumos que poderão facilitar futuras candidaturas, do que sem poder algum! Talvez tenhamos nisso um quadro político que se desdobrará muito daqui para frente. O certo é que o simples fato de poder aspirar novos rumos, possibilidades, desperta em nós um sentimento de esperança que merece ser compartilhado com todos os brasileiros cansados da política atual. E para aliviar a agonia da espera, faço uma pesquisa para saber a sua opinião: Você aprova a união Marina-Campos para a Presidência da República? Responda e veja os resultados na enquete que fica acima desse texto, na coluna do lado esquerdo, ou se preferir deixe o seu comentário abaixo.

Abraço e até a próxima...

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