Marina Silva Aprova Casamento Gay? Entenda Melhor!


Recentemente, numa entrevista ao site UOL, Marina Silva declarou sobre o casamento homossexual:

“O casamento é uma instituição entre pessoas de sexos diferentes, uma instituição que foi pensada há milhares de anos para essa finalidade” 

Peço que você veja o vídeo abaixo para ouvir da própria candidata o que ela pensa sobre o assunto, em seguida leia o texto, pois nele explico o que realmente significa o pensamento de Marina Silva, fazendo algumas ponderações em relação a união homoafetiva.


Já viu o vídeo acima? Ok, vamos ao texto. Ela também afirma: “Prefiro que o movimento gay olhe para mim e diga: ‘a Marina nesse aspecto não pensa igual a mim. Rapidamente suas palavras criaram polêmica, especialmente por alguns setores da comunidade GLBT. No entanto, muitas pessoas, especialmente os cristãos, não compreendem corretamente a postura de Marina Silva quanto ao tema casamento gay, por isso trago aos amigos do Opinião Crítica o que venho compreendendo sobre o assunto, tentando esclarecer o questionamento que ainda está na cabeça de muitos eleitores: afinal, Marina Silva é ou não a favor do casamento gay? Leia com atenção!


Para quem acompanha os discursos de Marina Silva, sabe que seu posicionamento sobre o tema "casamento gay" é favorável do ponto de vista civil. Ou seja, ela concorda em aceitar a união civil gay como direitos da comunidade GLBT, pois entende que isso não fere o âmbito religioso, nem diz respeito a ele, mas sim ao Estado. O que é importante compreender é que esse pensamento não significa concordância com a união homossexual, algo que parece evidente em sua fala quando faz separação entre casamento religioso e casamento civil. Ou seja:

...podemos afirmar com base na afirmação da própria candidata, que Marina é contra o casamento gay, uma vez que para ela o casamento, quando compreendido sob a visão religiosa, só é legítimo quando realizado entre pessoas de sexos diferentes.

Em outras palavras, é certo que Marina Silva busca separar suas convicções religiosas (não apenas religiosa, mas Ética e filosófica) dos assuntos pertinentes a um governo que deve ser para todos. Por isso estabelece para si diferença entre casamento civil e religioso, colocando-os em áreas distintas, sendo um de responsabilidade do Estado e o outro da Religião.

Politicamente falando, e apenas politicamente, Marina esta agindo de modo mais coerente que os demais políticos. Sua postura demonstra imparcialidade, dando a "César o que é de César" e a "Deus o que é de Deus", deixando para que cada indivíduo responda por si as decisões que toma, seja perante o governo humano ou divino. Penso apenas que falta dela, porém, mais contundência ao se posicionar enquanto pessoa, mãe, mulher, cidadã, docente, para que sirva ainda mais de exemplo a outros, uma vez que a Marina política já conhecemos. 

Penso que não podemos cobrar de Marina uma postura baseada num saber Psicológico (científico) pertinente às questões da homossexualidade, por não ser essa a sua área de atuação e nem ser esse o cargo adequado para um posicionamento como tal. Uma coisa é ser eleito para administrar um Pais que é "para todos", outra bem diferente é ser convocado a dar uma palestra sobre comportamento sexual. Entender que o reconhecimento do casamento homossexual, seja ele apenas civil ou não, pode ser a oficialização de um sofrimento psíquico, algo muito carente de estudos e transparência, não é da sua competência, por isso o reconhece apenas politicamente, acreditando que assim faz cumprir direitos individuais, deixando as discussões científicas, filosóficas e religiosas para serem debatidas pelas pessoas certas e nos espaços adequados. Uma vez que a união civil gay não venha impedir o direito que outros tem se se manifestarem contra (assim como muitos se manifestam contra a família "tradicional"), bem como de promover debates, estudos, etc. de fato, politicamente falando, parece ser uma questão justa!

Marina Silva parece reconhecer o direito a união civil homossexual uma questão de liberdade e igualdade social. Minhas ressalvas quanto a esse pensamento existem por enxergar o assunto sob as lentes da Psicologia, da Psiquiatria e Biologia, que me fornecem base teórica suficiente para entender a homossexualidade (com exceções) como uma construção psicossocial conflituosa que se desdobra num caráter afetivo "modelador" do comportamento. A lógica dos direitos iguais para o casamento gay, se aplicada à outras construções da identidade de gênero, nos obrigaria a reconhecer também, como direito ao casamento civil, um número "infinito" de possibilidades para às motivações sexuais do ser humano que podem se originar de conflitos psicoafetivos, o que seria um grande problema, pois teríamos que modificar a compreensão que temos sobre os transtornos da identidade de gênero (CID F66) e distúrbios da sexualidade, em favor do reconhecimento e normalização desses comportamentos pela política, e não pelo consenso científico. Um processo que vem sendo tratado por esse viés, de forma decisiva e influenciadora, desde 1971-73 através da Associação Americana de Psiquiatria! Ora, é por essa "lógica" que existem grupos em diversas partes do mundo (inclusive no Brasil) defendendo a Pedofilia como uma orientação sexual. A Zoofilia como orientação sexual, e da mesma forma, várias outras parafilias como sendo uma Identidade de Gênero tão aceitável como as demais. Uma vez que tal concepção equivocada da identidade de gênero separa a sexualidade do corpo, dando ao sujeito psíquico o status de absoluta identidade (como se o corpo não fosse parte dessa identidade), qualquer construção psicológica capaz de orientar um indivíduo nas suas motivações sexuais e de personalidade, sejam elas quais forem, serão tidas por essa "lógica" como perfeitamente naturais. Isso é, na verdade, um grande equívoco!

O ponto de vista acima, no entanto, não é político, mas Psicológico, Biológico e Psiquiátrico, bem como particularmente Filosófico. Se eu fosse pensar como Marina sem o conhecimento das ciências comportamentais, politicamente falando apoiaria a união civil homossexual, por não fazer um julgamento técnico das razões que levam duas pessoas do mesmo sexo a se unirem dessa forma. Eu estaria pensando apenas administrativamente, em igualdade de direitos, como um político tentando ser imparcial e querendo dar a todos a liberdade de ser. Por isso tento compreender Marina sob essa perspectiva, deixando para exigir dela, posteriormente, a mesma imparcialidade na hora de preservar à liberdade de consciência, opinião, manifestação do pensamento e escolha realmente de todos, e não apenas de uma minoria. Como não sou político, continuo enxergando e pensando o ser humano sob a perspectiva das ciências do comportamento.

Muitos religiosos certamente não sabem diferenciar a postura política de Marina Silva de suas concepções pessoais enquanto cristã.  Estas pessoas pensam que um cristão, sendo político, deve imprimir nas decisões políticas seu caráter cristão, ao ponto de "atropelar" a liberdade daqueles que não são cristãos, o que seria um erro. Não confunda Teocracia com Democracia. É possível ser um cristão, manifestar e vivenciar os valores cristãos, sem, conduto, fazer do poder político um meio para restringir a liberdade dos que não pensam segundo os princípios cristãos. Ao deixar claro, por exemplo, que casamento é um sacramento feito apenas entre um homem e uma mulher, Marina manifesta seu testemunho enquanto cristã. Temos como exemplo na bíblia a vida de José, que mesmo sendo governador de todo o Egito, não usou esse poder para restringir as crenças e costumes dos egípcios em nome do seu Deus. José demonstrou perfeitamente seu caráter cristão (judaico) sempre que foi pedido a "...razão da sua fé". Sua cristandade estava presente quando, por exemplo, não adulterou com a mulher de Potifar. Quando não negou seu Deus perante os questionamentos de Faraó. Ou seja, a vida pessoal de José, crenças e costumes, não foram afetados por ele governar os egípcios, mas pelo contrário, serviu de testemunho para eles. Certamente José enquanto Governador, não tomaria medidas que contrariasse sua fé em Deus, que se voltassem contra os valores pessoais, impedindo o exercício da sua fé, mas também não fez uso do seu poder sobre a lei para restringir a liberdade dos que não professavam a mesma fé que ele e desejavam, por isso, continuar sendo egípcios.

Tentando aproximar um pouco à postura política de José, ao concordar com o casamento civil homossexual Marina Silva dá a liberdade para aqueles que não partilham dos seus princípios pessoais, decidir sobre sua própria vida, fazendo uso do que o ESTADO pode lhe oferecer, sem que isso contrarie à mesma liberdade que ela possui de manifestar seu pensamento e viver em acordo com o que acredita. Pensando como uma política, Marina me parece agir politicamente correto, querendo preservar a liberdade de todos. Se há nela competência para se posicionar sobre tais assuntos, embasada cientificamente, que se posicione. O ideal é que ela e demais políticos façam isso munidos tecnicamente de profissionais especializados, visando um consenso teórico para o benefício da população. Mas se não há, então que deixe, no mínimo, para a sociedade resolver por si mesma através de referendo popular.

Abraço e até a próxima...

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