Amor e Sexo - Nudez Explícita em TV Aberta, Pode?


A nudez do programa Amor e Sexo (imagem acima), apresentado por Fernanda Lima na Rede Bobo, diz muito mais do que corpos e genitálias expostas em TV aberta. Não se trata de nudez por nudez, acredite, a coisa vai muito além de uma estúpida apelação por audiência. Por esse motivo convido você a pensar comigo os limites da nudez na TV aberta e quais intenções podem estar implícitas nesses programas, vejamos:

Não toleramos a nudez?

Seria muita arrogância dizer que a nudez, por si só, é algo inconveniente ou absurdo em nossa sociedade. Ora, a percepção que temos do "absurdo", da vergonha, ou seja; da moralização como um todo, é resultado dos padrões que desenvolvemos enquanto cultura. Sendo assim, o que é vergonha para um povo não é necessariamente para outro. O que é "safadeza" para um não é para outro e isso não tem nenhuma relação com o estar certo ou errado, mas sim com a interpretação que cada povo faz dos símbolos (sexo, nudez, genitálias, são todos símbolos) que fazem parte da sua cultura, bem como o modo como vivenciam essas interpretações.

Órgãos sexuais não são mais sexualizados do que um pé, pescoço, barriga ou mãos em determinados povos. Para nós, porém, as genitálias assumem um conjunto de significados que depositamos neles, por esse motivo são importantes ao ponto de não serem expostos publicamente, uma vez que expô-los seria o equivalente a "não ter vergonha na cara". Chegamos no ponto crítico do tema:

O pudor não está no objeto, mas no valor que depositamos nele. O problema de "profanar", banalizar o objeto, não é porque estes objetos por si só não podem ser expostos, mas sim porque eles concentram, em nossa cultura, um conjunto de princípios que norteiam o que para nós diz respeito à civilidade, respeito, limites, comportamentos, educação. Ao "banalizar" estes objetos estamos, na verdade, menosprezando os valores que estão associados a eles. Esse é o grande problema da questão, pois fica a pergunta: até que ponto podemos (ou devemos) ridicularizar os valores que estão associados aos objetos sexuais?

Não é o órgão, mas o entendimento!

A questão é complexa para resumir em um pequeno texto, mas pensando objetivamente, podemos considerar que no próprio desenvolvimento humano encontramos as respostas, ao perceber que a definição de "padrão moral" independe de épocas e povos, por exemplo:

Mesmo a tribo indígena mais isolada possui pudor quanto aos órgãos genitais. Eles atribuem ao objeto (pênis, vagina, bunda), segundo a sua visão, os valores que DELIMITAM parte dos seus comportamentos. Isso nos mostra que há uma função e, portanto, importância muito grande em preservar determinados costumes em torno dos objetos sexuais, algo que não está relacionado ao ser moderno ou antigo, mas a própria necessidade de organização humana acerca das suas ações. Para eles pode não ser uma calça, sutiã, cueca, camisa, mas uma folha amarrada num fio de palmeira, ou simplesmente uma pintura. Entre o pênis, vagina, bunda do sujeito e sua comunidade, existe uma folha ou marca para dizer que "aquele órgão é a sua intimidade, seus princípios, valores, moralidade sobre sobre algum aspecto do seu comportamento". Tirando essa folha ou marca, ele revela a sua intimidade, seus princípios, mas não como um gesto vulgar, deliberado de afronta aos costumes da sua tribo, mas no momento apropriado, pelas razões certas, com objetivos que atendem a moralidade da sua comunidade.

A nudez em nosso contexto é bem diferente, quando exposta em público ela não tem o objetivo de suprir a demanda de uma moralidade específica, mas exatamente de CONFRONTAR as que já existem! Não representa necessariamente uma "evolução" cultural, mas pode ser apenas a DESCONSTRUÇÃO da cultura vigente, em substituição pelo puro e simples LIBERALISMO. Nisso temos um grande problema, uma vez que o liberalismo por si mesmo não é capaz de estabelecer limites, a nudez pode se tornar um meio banal de exploração humana "nas mãos" de quem a utiliza para atender seus interesses, exatamente como ocorreu no programa Amor e Sexo, fazendo da nudez uma apelação por audiência!

A pornografia é outro grande exemplo de como a nudez pode ser usada para exploração humana, e não por uma construção cultural específica. Culturas também estão sujeitas a críticas, mesmo assim, a nudez representada nas imagens, fotos e vídeos que inundam a TV, não dizem respeito a cultural alguma, senão à instrumentalização dos desejos humanos em favor do CAPITAL financeiro. Ficando cientes disso precisamos nos questionar sempre que deparamos com a nudez explorativa exposta na TV, revistas, nas propagandas, pois afinal, temos os nossos desejos (e também entendimentos)  aguçados para atender uma necessidade peculiar à nossa espécie, ou para suprir de vaidade e ganância os que mercantilizam o corpo humano?

O que Pode Acontecer com a Nudez Explícita?

Em programas apelativos, que exploram a temática sexual para fins de audiência, marketing, interesses comerciais diversos, o entretenimento não é só entretenimento, mas também formador de opinião, especialmente para quem não tem (ou pensa que tem) opinião alguma acerca da vida. Esse é um grande problema, pois como escrevi acima, o que dizemos com a nudez nesses casos, principalmente quando a expomos para um público que não podemos "controlar"?

Os defensores vão alegar uma cultura onde não há "repressão", mas sim "aceitação" das pessoas como elas são e que para isso existir é necessário "quebrar" certos costumes e tabus. Sendo a nudez um "depositário" de moralismos, para os que pensam assim, nada melhor do que fazer da nudez um meio de vencer esses "preconceitos", certo? DEPENDE! Quais paradigmas queremos superar com a exibição da nudez? Será mesmo que é preciso ficar nu publicamente para dizer que aceito meu corpo do jeito que ele é? É preciso estar nu para dizer que órgãos sexuais são apenas órgãos, e não depositários de falso moralismo? Penso que não, por acreditar que os que fazem isso, não fazem por uma preocupação com a construção de uma nova Ética acerca da nudez, mas sim porque desejam fazer dela um meio de implantar um liberalismo descompromissado com o bem estar social, alienante, voltado para uma demanda COMERCIAL e não humana!

Quando não vivenciamos uma identidade cultural, possuindo regras, princípios específicos, valores e costumes a serem preservados ou, no mínimo, pensados cautelosamente, sofremos as consequências de um mundo psicologicamente desorganizado. Tudo se torna relativo ao ponto de não haver mais porquê se preocupar com limites e o bom senso. Os mais jovens são os primeiros a manifestarem nas suas condutas e pensamentos, os reflexos dessa "visão" onde o legal é "liberar geral". Não é a construção de uma nova identidade cultural, mas a destruição de uma, pelo vasto campo vazio do relativismo radical

Essas são as consequências que a nudez explícita pode nos trazer: o despimento não só da roupa, mas de todos os valores, bons ou ruins, que através delas expressam a nossa CIVILIDADE e servem para nortear o que ainda podemos chamar de VERGONHA NA CARA! 

Finalmente, nudez explícita na TV aberta só existe porque há pessoas assistindo. Pense no que esse tipo de programação te acrescenta de bom conteúdo e julgue se vale a pena sustentá-los com sua audiência. No mais, restará cada um colher as consequências das suas escolhas.

Abraço e até a próxima...

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16 de junho de 2017 01:04

Maravilhoso texto principalmente por se tratar de argumentos e fatos fora de um contexto religioso!

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