A Linguagem para Groddeck - Contrariando Freud?


É bem conhecido o ditado segundo o qual o homem teria recebido a palavra para dissimular seus pensamentos. Cada um é livre para pensar sobre isso o que quiser. Mas a linguagem é capaz de exprimir o pensamento? 

Todos nós sabemos, por experiência própria, que não, que é totalmente incapaz de expor os pensamentos mais preciosos e profundos. A natureza agiu sabiamente, porque o que é profundamente íntimo só ao homem pertence.

A reflexão do homem que lhe é verdadeiramente própria não tem palavras, é subterrânea e inconsciente; e a luta da energia formadora com esta natureza muda constitui a vida interior do homem. O que é propriamente humano, aqui, é o interior mudo, aquilo que se chama alma, espírito ou como se queira. É comum a todos, é geral, é o que faz o homem. Mas é o poder formador que faz o seu valor. O que o homem chega a comunicar do seu interior e a tornar ativo, vivo, o valor do que ele formou assim, é o que diferencia o grande do pequeno, o poeta, que é o maior dentre os mortais, do povo.

Entretanto, mesmo o mais sublime dos poetas não pode traduzir em palavras a parte mais íntima de sua reflexão: sua melhor parte permanece, como para todo mundo, muda, e ele comete um pecado se a revela. É impudico. Perder-se-ia e cessaria de existir como ser individual se chegasse a dizer-se, a linguagem impõe um entrave, um freio salutar.

Georg Groddeck

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