Por Que Temos Medo da Morte? Uma Explicação Curiosa!

Como encarar o medo da morte e qual é o seu significado

Você já parou para refletir sobre o porquê sentimos medo da morte? Será esse um sentimento decorrente apenas da cultura? Se a morte é um significado ético, tal como a moral, seria possível então modificá-lo para que ao invés de "dor", saudade e tristeza, a morte fosse sinônimo de alegria, dever ou conquista?

Resumindo a existência humana apenas a um conjunto de significados (pois sem eles não teríamos como perceber a vida, senão como animais guiados puramente por instintos), a morte seria, também, apenas mais uma concepção cultural e, portanto, sujeita à mudanças de significado. 

Na prática, o que para uma cultura é sinônimo de alegria e prazer, em outra pode ser de tristeza e sofrimento. Podemos ver exemplos disso no livro de Jacques Marcireau, intitulado Ritos Estranhos no Mundo, onde diversos ritos de morte assinalam entendimentos diferentes sobre a morte conforme a cultura dos povos. Seria então possível dizer que o medo da morte é nada mais que uma construção cultural?

O livro descreve uma quantidade curiosa de ritos de morte.

Dizem alguns que todo medo é fruto do desconhecido. Ou seja, tememos àquilo que não sabemos o que é, por isso sofremos, também, pela incapacidade de conhecer. Nessa "falta" ou, como irá chamar o Teólogo e Filósofo alemão Paul Tillich; "vacuidade", o ser humano busca significação. Não a encontrando, receia ou teoriza (fantasia para alguns) acerca do que não conhece, no fim de tornar menos dolorosa a experiência do não saber, apoiando-se na esperança criada por suas próprias conjecturas. 

Segundo tal entendimento, portanto, o sentimento religioso, isto é; a religião, é a principal figurante das fantasias humanas tentando explicar/significar a morte. Talvez, sua associação com esse fenômeno ocorra em função dela, a religião, tratar especificamente acerca do "sobrenatural", sem as amarras dos métodos científicos modernos (não tradicionais, porque a ciência tradicional é o misticismo antigo). 

No entanto a função cultural/psicológica exercida pela religião não é diferente, por exemplo, da Filosofia, Astronomia, da Física, Química e até mesmo da Política. A diferença está na aceitação do método, além dele a essência permanece igual.

O que é a evolução humana senão a busca pelo conhecimento, a fim de se livrar da angústia lhe causada pela ignorância?

O que o Físico procura na reação dos átomos, o astrônomo na observação do universo e o Filósofo na especulação do pensamento é o mesmo que o religioso na mistificação dos fenômenos, quer sejam considerados "naturais" por uns ou "sobrenaturais" para outros.  

A própria política, isto é; o sistema de organização cultural que estabelece o modo de vida da sociedade é reflexo de uma angústia capaz de traduzir em "leis e normas" a necessidade de significado contra àquilo que chamamos de morte. Instinto de preservação, apenas? Penso que não, pois qual ato instintivo é capaz de exercer juízo sobre si mesmo? Tenha como exemplo o suicídio.

Compreendendo a ânsia humana acerca da morte pelo conjunto das suas ações nas ciências e cultura, podemos acreditar que a concepção da morte não é natural para nós humanos. Refiro-me não a morte física, esta é natural como em todas as espécies, mas sim ao conceito trazido por ela a nós, no caso, de dor, sofrimento, perda, destruição, angústia, etc. 

Em outras palavras, não aceitamos a morte como perda e encerramento da vida, por isso temos a necessidade de criar esperança ao acreditar que numa outra vida iremos nos encontrar. Frequentemente o consolo da morte está associado às boas lembranças e a possibilidade de estadia num lugar melhor, o “céu”. A continuidade da vida, ainda que no imaginário, é a maneira afetiva de racionalizar a dor da morte, substituindo a não aceitação pelo conforto da esperança. 

Não há outro modo de especular a morte, tentando explicá-la, sem recorrer também ao pensamento religioso. Ignorá-lo seria uma verdadeira afronta a história e experiência humana. Considerá-lo, por outro lado, é ser no mínimo coerente com a própria angústia de não saber. 


Para o quê aponta a religião? Será o sentimento religioso (não a religião) a "marca" deixada por um Criador para que a humanidade jamais pudesse esquecer de que "há muito mais entre o céu e a terra do que supõem a nossa vã filosofia"? Seria a diferença humana em relação às outras espécies um indício específico de que fomos dotados com a capacidade de perceber, e se relacionar, com um Ser Criador onde a morte encontra um propósito específico?  

Se tal fato é correto, podemos explicar a angústia da morte não pelo receio do que não conhecemos, mas sim pela falta daquilo que perdemos: o relacionamento com este Criador. Se isso também estiver correto, seria então esse o motivo pelo qual pessoas que dizem ter experiências com Deus são capazes de desconstruir o significado angustiante da morte, por uma certeza de alegria, passagem e conquista de uma vida futura? A experiência humana diz que sim.

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