As "Vadias" e Hermes Fernandes - Para Ser Subversivo!


O texto abaixo é apenas um exercício do que tenho aprendido com o "Cristianismo Subversivo" de Hermes Fernandes. Por isso não é nada pessoal, mas apenas ideológico, certo?

Li recentemente um texto do Hermes Fernandes, do blog "Cristianismo Subversivo", intitulado "Um Olhar Cristão Subversivo da Marcha das Vadias", e não pude conter o desejo de escrever sobre a infelicidade que tive ao me deparar com as ideias desse autor. 

Já conhecia o "cristianismo subversivo" do Hermes faz tempo, bem como seu posicionamento teológico sobre diversos assuntos, dos quais alguns discordo completamente. Porém, esse texto em especial chamou a minha atenção, pois serve de exemplo para o que eu já iria escrever sobre a dita "Teologia Inclusiva".

Publiquei alguns dias atrás outro texto sobre o assunto, intitulado "Vadias e GLBTT Chocam o Público na JMJ", onde descrevi algumas ideologias por trás desses movimentos, manifestando ao mesmo tempo meu repúdio pela intolerância religiosa desses que dizem lutar, ironicamente, por tolerância, "liberdade" e direitos. Poderá ler clicando AQUI, essa leitura será fundamental. 

No entanto, para minha surpresa (na verdade não é surpresa), querendo fazer jus, talvez, ao nome "subversivo", o Hermes Fernandes surge com seu texto, onde na prática defende as "Vadias". Não se engane, o que a princípio parece uma análise do protesto vista por "...outro ângulo" é, na realidade, uma maneira de suavizar as ideias distorcidas que representa a Marcha das Vadias sob o título de "luta feminista" e inclusão. 

Defendo o direito das mulheres de não serem vitimadas por suas escolhas. Defendo a igualdade de oportunidades, respeito às diferenças de gênero e liberdade de opinião. Defendo as mulheres contra o "machismo" retrógrado oriundo da ignorância sobre o modo como devem ser realmente tratadas. 

Defendo a liberdade de ser simplesmente mulher; mãe, profissional, amiga, filha, companheira OU NÃO! Mas será que as "Vadias" representam esses ideais para receberem apoio do pensamento Cristão? Penso que não, uma vez que seus interesses vão muito além do "feminismo", tocando em pontos contrários ao que para o cristianismo bíblico é essencial! Certamente os anseios humanos por trás das atitudes e palavras, independente de quais sejam, estes sim, encontram acolhida no Cristianismo. 

Mas não é o que parece entender alguns teólogos "liberais", por não saber diferenciar a busca humana por uma verdadeira libertação, das atitudes e sentimentos que lhes mantém escravos de si mesmos.

Antes de explicar o motivo dessa falsa piedade, gostaria que o amigo leitor(a) visse as imagens abaixo, volto em seguida:

"Vadias" lutando por "Liberdade" e "Tolerância"!





"Jesus" caracterizado nas "Vadias"
Liberação do Aborto e "...fora Cabral" (hã?)


Voltei,

O Hermes disse não aprovar essas atitudes, as quais chamou de "exacerbadas". No entanto, apresentando um breve histórico do movimento, quis dar uma base "legítima" ao protesto, passando a impressão de que apesar terem ocorrido exageros, a causa seria "justa". Veja nas palavras dele:

"Em vez de simplesmente censurá-las, por que não fazemos meia culpa? Por que não admitimos que temos lutado na trincheira dos opressores, enquanto Jesus sempre se manteve ao lado dos oprimidos?"

Não sei qual é o cristão sensato com um mínimo de compreensão correta da bíblia luta ao lado de opressores. Certamente a minoria religiosa "quadrada" a que ele se refere não representa a absoluta maioria dos cristãos, mesmo assim ele prefere generalizar e dizer que "..temos lutado na trincheira dos opressores", como forma de inverter a compreensão do leitor, colocando as "Vadias" numa posição de vítimas da "opressão", e nós como os opressores, entende?

Para alguns Teólogos ilustres e, ao que parece, também para o Hermes, defensores de uma "libertação" e "inclusão" humana, digamos... "integral" (segundo eles), se solidarizar com os excluídos e oprimidos culturais, políticos, quase sempre significa abrir mãos das diferenças que nos separam para dar ênfase apenas ao que é interesse comum

Fingir que o erro, a desordem, a desconstrução da vida não são maiores ou iguais que os absurdos de religiosos "fundamentalistas" e pregadores da "prosperidade", dentre outros, é uma necessidade entre eles, pois não conseguem separar o pecado do pecador. Enquanto Deus ama o pecador e abomina o pecado (e por isso lhe chama ao arrependimento) fazendo questão de deixar isso muito bem claro, "teólogos inteligentes" resolvem desconsiderar o pecado apenas para dizer que amam o pecador!  

Em detrimento de uma vaidade política que nada tem a ver com Jesus Cristo, fazem discurso de uma tolerância travestida de humanismo, na prática, cúmplice dos erros humanos. Hermes ainda escreve:

"Não quero dizer que devemos nos alinhar a todas as reivindicações feitas nas marchas, mas ao menos deveríamos demonstrar alguma empatia..."

O problema de pensamentos assim é que em favor do "politicamente correto", ignoram a Verdade em prol de uma falsa inclusão (na realidade, o que é a Verdade para eles?). Querem parecer piedosos, sem perceber que estão sendo tão hipócritas quanto os fariseus que denunciam aos milhares. Ele escreve que não devemos nos alinhar com TODAS as reivindicações das "Vadias", mas deveríamos ao menos demonstrar alguma empatia. Contradição! 

Não se engane, o termo "empatia" aqui está muito longe do quesito "compreender" ou se colocar no lugar do outro, apenas, pois para tal, não é preciso ser cúmplice do que pensa. No sentido original, todos nos podemos ser empáticos com as "vadias", mas é muito provável que o Hermes esteja expressando algo mais. 

Empatia na linguagem de um "cristianismo subversivo", compreendido pelo contexto de muitos outros posicionamentos "piedosos", na prática significa dar razão, apoiar ou ser, no mínimo, omisso em denunciar a contradição daquilo que para alguns é o "politicamente correto". E por acaso não foi exatamente isso que fez ao escrever o seu texto, querer dar algum tipo de apoio, apesar de constatado erros que ele minimizou chamando de mera "exacerbação"? Por isso ele deixa claro:

"...não me vejo em condição de recriminá-las por sua reação exacerbada. Solidarizo-me com o sofrimento de mulheres que poderiam ser minhas irmãs, filhas, mãe ou esposa.

Parece comovente? Até seria, se o pensamento não fosse tão comum e por isso também já não fosse traduzido em conformidade, ao invés de exortação à mudança de perspectiva. Ele solidariza-se com o "sofrimento" das "vadias" e para isso precisa minimizar os crimes cometidos por elas, colocando-se na posição de incapaz para não ter que reconhecê-los.  É um excelente marketing de sugestão! Suficiente para desviar o senso crítico de muitos leitores do grande problema em questão, para uma impressão de piedade e justiça "cristã"!

Ele fala de Jesus Cristo como sendo àquele que andou com as "vadias" de sua época. Engraçado essa aparente limitação de entendimento, ao ponto de não enfatizar que as "vadias",  assassinos, roubadores, maldizentes, blasfemos, religiosos e tantos outros pecadores que andaram com o Cristo, tiveram suas vidas transformadas/tocadas exatamente por andar com Ele

Ou seja, Cristo, na prática, só não "trocou ideia" com Satanás porque ele já fora condenado, caso contrário também teria caminhado pacificamente com o Diabo. Mas isso faria dele cúmplice do Diabo?  Acaso foi Jesus omisso quanto ao pecado da mulher adúltera apenas porque não lhe atirou pedras, embora "legalmente" pudesse? Pelo contrário, ele foi exemplo de misericórdia, porém, uma piedade e -- empatia -- que teve como proposta em todas as circunstâncias, o arrependimento e mudança de caráter ("...vai, e não peques mais"), tendo sido Ele, o Cristo, a própria Verdade uma condição de vida.

Esse "outro lado da moeda" que Jesus praticou ao incluir e aceitar as "diferenças", não parece ser levado em consideração pelos "pensadores evoluídos" da Teologia Inclusiva/Libertação. O efeito do "politicamente correto" aliado a vaidade humana, silencia e mascara a mensagem incisiva e absoluta do evangelho cristão na mente desses sujeitos. Na prática, o "vinde a mim como estás" significa também "permanecer como está", mesmo que o pensamento e conduta contrarie os ensinamentos bíblicos. 

Diferente de Jesus que sentou a mesa dos pecadores para lhes dar testemunho da Verdade, buscando neles uma mudança de entendimento/conduta, esses tais "teólogos embananados" pelo relativismo radical se adequam à doença do pecador, ao invés de lhes oferecer a cura. Fazem parecer que estão sãos, quando eles próprios já foram contagiados pela doença dos enfermos...

Jesus Cristo tinha uma predileção por denunciar a hipocrisia dos religiosos, mas não abriu mão em alertar os demais pecadores quanto à necessidade de arrependimento. Se por um lado criticou a riqueza como um dos maiores empecilhos humanos, por outro apontou o pecado do pobre cego como sendo a causa do seu mal. Em Jesus não há extremos, mas apenas Verdade, utilizando perspectivas diferentes como exemplo para pessoas diferentes.


Outro ponto que merece atenção é o fato do Hermes mencionar as "Vadias" como sendo representantes das mulheres, seus direitos e conquistas. Um engano (que pare ele não é)! Talvez essa tenha sido a minha principal motivação para escrever essa crítica. 

O feminismo na Marcha das Vadias é apenas um viés para dar respaldo a um conjunto de reivindicações que envolvem política, religião, cultura e direitos civis. Elas são na realidade um movimento feminista de caráter partidário, alinhado com as diretrizes de muitos outros movimentos, dentre eles o principal, talvez, dos homossexuais, todos utilizando os "direitos humanos" como escudo contra a crítica. Temas como Estado Laico, "Fora Cabral", Eduardo Paes, Homofobia, Legalização da Maconha, Aborto e outros, não representam a busca da absoluta maioria das mulheres por respeito, igualdade de oportunidades e valorização, mas à interesses políticos e ideológicos de "gabinete" que não tem a menor intenção valorizar as diferenças, como dizem, mas de estabelecer uma cultura normativa absoluta, fruto de seus próprios ideais. Sim, não é feminismo, é POLÍTICA!

Mulheres inteligentes sabem do que precisam e quais são as medidas necessárias para atender as suas necessidades. Não precisam fazer "baderna" e desrespeitar o pudor e o credo alheio para chamar atenção para os seus direitos, elas podem simplesmente pensar. Veja o comentário da leitora Simone Costa, no Pavablog (vixe!), sobre o referido texto:

"Assunto controverso e o ponto de vista exposto acima não condiz com toda a verdade. Na marcha das vadias no RJ, mesmo dia e local da JMJ não foi "somente" o problema de se quebrar imagens de santos (fato que, por si so, já é crime). Elas extrapolaram e fizeram uma performance de masturbação com imagens de santos e com a cruz. So por este fato, ja deveriam ter sido presos, uma vez que o fizeram em publico, próximo a crianças, inclusive. Ou seja, mais crimes. Outra bandeira que a marcha traz e a bandeira da liberação do aborto. A maioria da população do pais não concorda, menos ainda as pessoas inseridas em uma religião crista. Deixando o assunto religião de lado, meu ponto de vista: como uma mulher que começou a trabalhar cedo, que teve que aprender duramente a ocupar seu espaço, que continua lutando por seu lugar a revelia de machismo, sexismo ou seja la o que for, como posso concordar que um bando de mulheres desnudas saiam na rua para falar que não são vadias, com qual discurso, querendo afirmar o que? Que defendem meus direitos? Como? Mostrando o corpo, chocando ao marcharem para frente de igrejas, com o discurso que querem ser tão liberais sexualmente como qualquer homem sem serem rotuladas de vadias? Eu simplesmente não ligo, cada um deve fazer o que bem lhe aprouver com sua sexualidade, desde que esteja seguro do que esta fazendo e saiba que ninguém, eu disse ninguém, esta livre de ser criticado. O que eu quero, e suspeito que a maioria das mulheres querem é um lugar na sociedade, em que não seja julgada por ser mulher, mas sim ser respeitada como profissional, mãe, amiga, namorada, esposa. Quero ser uma profissional em pé de igualdade com o mesmo profissional do sexo masculino, porque eu posso e não porque eu acho que é justo. Eu não quero ser um homem. Não quero brigar para poder me comportar como homem. Quero ser respeitada como pessoa e não como forma."

Tenho certeza que o pensamento da Simone, SIM, representa a maioria das mulheres! Apartidário, mas apenas legitimamente humano (não comercial), feminino e equilibrado. Esse pensamento, no entanto, não deve ganhar atenção dos teólogos da inclusão, pois se representa a maioria, não carrega em si o significado de "minoria" e exclusão, incluir o quê? O bom é se pôr ao lado do "oprimido", não pelo real interesse de restaurar sua dignidade, lhe oportunizando a Verdade como fez o Cristo com todas as suas "vadias", mas pelo prazer de ser "progressista", "revolucionário", "aceito", "subversivo", caso contrário... qual é a graça?

Abraço e até a próxima...

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