O Desabafo de um Médico - A Verdade Sobre a Saúde no Brasil


 O horário do médico, quando existe, também é irreal e em alguns dos nossos municípios existem hospitais de papel, com folhas de pagamentos de técnicos, médicos, enfermeiras, despesas e receitas, só existentes nos papeis da prefeitura que irão ao tribunal de contas.

Coloco abaixo um "desabado" do Médico e professor da UFPE, Dr. Jairo de Andrade Lima, com relação as decisões políticas para a Saúde no Brasil, sendo evidentemente, também uma crítica à gestão da Presidente Dilma Rousseff. Não concordo com o "Ato Médico" (comercial) como ele defende, mas nas demais questões lhe dou completo apoio, por isso faço desse espaço mais um meio de propagação da sua opinião crítica. Leia:
 
“Sou médico há 28 anos, tenho 63 anos de idade e confesso que nunca vi tanta falta de senso com relação à saúde do nosso povo como nos dias atuais.

Estarrece-me uma presidenta que nada entende de saúde e culpa os médicos pelo mau gerenciamento dos parcos recursos destinados a mesma. A medicina envolve uma indústria e um comércio onde circulam bilhões de dólares que despertam a cobiça dos nossos senadores, ministros, deputados, prefeitos, vereadores e toda a “corja” ávida por dinheiro público, por nós eleitos ou designados aos cargos pela nossa querida presidenta. 

Será que nossa presidenta sabe que alguns municípios que sequer tem hospitais receberam dez aparelhos de anestesia geral? Que no hospital onde trabalho já recebemos mesas cirúrgicas ortopédicas não solicitadas, esteira ultrassofisticada e bicicleta ergométrica para o bloco cirúrgico? Será que ela sabe que na segunda maior emergência do Estado de Pernambuco no sábado à noite passado não existiam antissépticos, nem gaze e nem luvas cirúrgicas? Será que ela desconhece que mais de cem mil pacientes hoje no Brasil se encontram em macas ou no chão dos hospitais há alguns dias esperando um leito? Se não sabe, deve estar habitando noutro planeta, pois até no exterior estas imagens estão disponíveis.

Nossa presidenta nunca deu um plantão no Hospital das Clínicas da UFPE, onde o colchão não tem forro, não existem travesseiros, o banheiro é nojento, não existe alimentação para o médico, o ar condicionado está cheio de poeira, ácaros e fungos e o médico vem dar plantão com uma mala de viagem de mais de vinte quilos. Será que oito plantões mensais nestas condições não mereceriam o salário de um deputado federal?

Outro aspecto a considerar é que o Brasil nunca proibiu médicos de qualquer nação de exercer a profissão no Brasil, desde que passem em uma prova de português, uma prova de medicina geral e equalizem seus currículos de acordo com as nossas normas. Que venham os estrangeiros dentro da lei. Será que nossa presidenta se considera superior as leis brasileiras?

É vetado a estudantes de medicina exercerem a profissão com ou sem preceptoria. Mais uma vez a nossa presidenta estimula a criminalidade, quer que estudantes trabalhem por dois anos sem diploma.

O plano de saúde da família deveria funcionar e por que não funciona? Porque os prefeitos declaram salários irreais para os médicos que deixam mais de cinquenta por cento na conta pessoal de secretários ou dos próprios prefeitos. O horário do médico, quando existe, também é irreal e em alguns dos nossos municípios existem hospitais de papel, com folhas de pagamentos de técnicos, médicos, enfermeiras, despesas e receitas, só existentes nos papeis da prefeitura que irão ao tribunal de contas.

Estarrece-me que após seis anos de curso médico, dois anos de residência, mestrado, duas especializações de seis meses em São Paulo, doutorado na UNIFESP, meu salário por quarenta horas de atividade assistencial, aulas e treinamentos de pós graduandos, não atinja cinco mil reais e será reduzido à metade com a minha aposentadoria. Estarrece-me que um professor de nível universitário troque o seu emprego em uma entidade pública para trabalhar na coleta de lixo de um município vizinho ao Recife, porque o salário é duas vezes o do professor.

Estarrece-me que a reforma política não passe por uma drástica redução no número de ministérios, de deputados federais e de senadores. Nós brasileiros não conseguimos sustentar tantos malandros.

Estarrece-me que a transposição do Rio São Francisco que granjeou sonhos, músicas, poesias, investimentos, não tenha sido sequer iniciada de fato, que o dinheiro tenha desaparecido e ninguém tenha sido preso.

Estarrece-me as vilas das “Minha Casa Minha Vida”, abandonadas e cheia de animais pastando nos terraços e nas ruas. Nós brasileiros estamos cansados de sermos enganados com obras que não terminam ou são absolutamente fictícias.

Estarrece-me a empáfia, arrogância e o “déficit visual e auditivo” da nossa presidenta. Nem nos tempos do general Médici presenciei tais coisa. A diferença é que o Exército prendia e matava.

Com relação ao Ato Médico, desejo que na próxima endoscopia da nossa presidenta, a mesma seja anestesiada por um fisioterapeuta e biopsiada por um biomédico!

Dr. Jairo de Andrade Lima* 18/7/2013
*Ortopedista e professor da UFPE.

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