O Brasil em Greve! Protestos Assustam o Governo - Efeito Colateral?




Toda proposta que não for consequência dos questionamentos levantados nas ruas é fruto de interesse duvidoso, provavelmente com a intenção de mascarar as verdadeiras mudanças e grandes erros.

O Brasil vive um momento propício para greves e manifestações de todos os tipos. Pouco mais de um ano para as próximas eleições, diversos setores da sociedade aproveitam a situação conturbada em que o país se encontra para expressar as mais diversas insatisfações. Começaram com estudantes, agora rodoviários, médicos, professores, enfermeiros, caminhoneiros, agricultores, religiosos, que diferente de outras ocasiões, dessa vez fazem protesto ao mesmo tempo, as vezes lado a lado! Mas afinal, é possível dizer que tais manifestações são legítimas, partindo do próprio cidadão, do trabalhador, ou será mais um jogo político incitado por grupos opositores ao governo?


Argumentei no texto indicado acima a opinião de que os grupos que iniciaram as manifestações pelo Brasil, encabeçados inicialmente pelo Movimento Passe Livre, expressavam ideologias políticas, embora não associadas diretamente a qualquer partido, mas que tinham como “pano de fundo” aproximar através dessas reivindicações o público de uma política esquerda renovadora. Isso aconteceria, não com a derrubada ou desmoralização do PT, mas sim com o seu aperfeiçoamento e fortalecimento, fazendo uso do “poder” já conquistado por esse partido em favor daqueles (partidos) que não possuem força (aceitação) suficiente para galgar a mesma posição. Se essa for uma verdade, é possível que uma “crise” política esteja sendo usada para que medidas drásticas (como uma constituinte, por exemplo!) sejam tomadas e, no final das contas, os detentores de maior influência (partidos e aliados) possam ver seus interesses atendidos. Ora, a proposta de plebiscito para uma reforma – eleitoral – com cinco temas controversos para ser votado em tão pouco tempo não seria a confirmação dessa intenção?

Por outro lado, ainda que parte de uma possível estratégia esteja se concretizando, assim como em praticamente tudo, existem os riscos, certo? Qual seria então o maior risco de criar um – motivo – justo para realizar uma reforma política (eleitoral) através de manifestações populares? __De que elas tomem uma proporção maior que o esperado, generalizando o tema e ganhando aspectos diferentes do inicial. Logo; teríamos nisso a explicação para tantos protestos e pautas diferentes ocorrendo em todo Brasil

Considerando essa possibilidade, o Movimento Passe Livre teria sido apenas uma ferramenta utilizada por ideólogos interessados em “reavivar” a esquerda brasileira, tendo como início de pauta a “exploração dos transportes”, especialmente nas capitais onde os governos serão rivais do “esquerdismo” nas próximas eleições. Mas o que deveria se concentrar em denunciar as falhas dos adversários, acabou englobando temas que devido a diversidade do público alcançado, se voltaram contra o próprio “esquema”. O que seriam protestos contra tarifas abusivas do transporte no intuito de fragilizar governos rivais, tornaram-se contra a PEC37, Renan Calheiros, os “Mensaleiros”, Projeto 478/2007, Copa do Mundo, PDL 234/11, Médicos Estrangeiros, PEC 33, em prol de melhorias na Saúde, Educação, Segurança, Liberdade de Expressão, Abuso de poder, Mobilidade, etc. Ou seja, temas que inevitavelmente incluem toda a classe política do País, chefiada pela Presidente Dilma Rousseff e, por isso, vista como a principal responsável.

Neste cenário agora o que vemos é uma luta pela apropriação do discurso. Quem falar mais alto, e melhor, ganhará “preferência na mudança”, podendo influenciar mais a população. O povo deu o primeiro passo nas ruas, mas até mudanças concretas e significativas acontecerem temos um longo caminho pela frente, onde o final poderá não ser exatamente o resultado que muitos esperam. Neste momento, as greves e paralisações generalizadas demonstram apenas o oportunismo (plausível, diga-se de passagem!) de sindicados e categorias, que fazem da pressão popular um importante aliado junto às suas reivindicações, uma maneira de “render” o governo sob a ameaça de ainda mais transtornos, algo que nenhum gostaria de lidar em seu mandato, concorda?

Quem tem queixas a fazer, que FAÇA! Clima pré-eleitoral num País tomado de reivindicações e um governo disposto a “vender a alma” para retomar o controle da situação... Não haveria momento mais ideal (risos)!

Finalmente, penso que a tendência é de que a “voz das ruas” comece a ser substituída por partidos e entidades organizadas, que vão se aproximando da população (conforme argumentado no outro texto) na intenção de representá-los politicamente e ir recobrando a confiança. Desse modo o “confronto” passa a ser travado basicamente na linha de frente de empresas, ONGs, grupos comunitários, religiosos, uma vez que possíveis medidas podem prejudicar ou favorecer seus interesses. Parece ser exatamente isso o que já vinha acontecendo e acontecerá com muito mais ênfase nos próximos anos, descentralizando a política das Câmaras para os redutos onde a opinião do povo, quem sabe, ganhará mais força. É importante que a população fique atenta a esses desdobramentos, para que saiba quais pautas representam suas verdadeiras necessidades, e então possam se colocar naquilo que lhes parecer melhor.

Abraço e até a próxima...

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