"Mais Médicos" é Sinônimo de Trabalho Forçado - Entenda!


Atenção! Qual a melhor forma de instituir o trabalho forçado senão remunerando para que possa convencer a classe trabalhadora de sua "utilidade"? A única diferença entre a ordem autoritária e a liberdade democrática está no incentivo oferecido, suficiente par enganar alguns, mas não todos! Ou: os que antes usavam chicotes, estão agora distribuindo recursos públicos?

Alguns dias atrás escrevi o seguinte comentário:

"Vão contratar médicos com mega salários para "resolver" o problema da saúde em regiões carentes, periféricas e semelhantes. Agora imagine a seguinte situação:

Vai o paciente no posto de saúde, feliz da vida porque agora tem Médico, certo? Ele é consultado e tem seu problema diagnosticado. Porém, para que o tratamento possa dar o devido resultado e o doente ser, de fato, "curado", ele também é encaminhado para o acompanhamento de um Nutricionista, Psicólogo, ou ainda um Fonoaudiólogo, Fisioterapeuta, Odontólogo, até mesmo do Assistente Social para que lhe eduque preventivamente. Mas esses profissionais não foram inseridos no "plano de saúde" do Governo, logo, estão em falta na clínica, pois o conceito político de "saúde" no Brasil permanece o mesmo de 100 anos atrás, chamado: clínico-assistencialista! Então o que fazer, vamos importar também esses profissionais excelentíssima Dilma Rousseff, ou também lhes daremos o humilde salário de 10.000,00/mês?

__Profissional de saúde, valorize sua categoria. Saúde é o resultado de várias ações conduzidas por especialidades diferentes, e não um conceito resumido ao diagnóstico de doenças. Médicos conscientes sabem disso, e apoiam!"

Voltei:

Agora o Governo indica que haverá também a contratação desses outros profissionais, possivelmente, querendo corrigir o grave erro de querer promover saúde numa perspectiva atrasada como é a assistencialista, ao invés da preventiva e "universal". Mesmo assim, tropeça em alguns quesitos, são eles a liberdade individual e a motivação pelo trabalho. Ao obrigar que esses profissionais atuem em regiões distantes do seu lugar de origem, possivelmente em áreas (também de atuação) onde nem todos irão se identificar, sob a pena de não receberem diploma (o que será provavelmente uma condição), o Governo institui uma trágica relação de trabalho forçado

Uma vez que não se trata de estágio curricular, necessário para que o aprendiz adquira os conhecimentos de sua profissão em diversos campos de atuação, mas sim de um trabalho extracurricular, tipicamente configurado como um -- trabalho -- pela necessidade de remuneração, o sistema viola o direito humano de escolher como, e onde, deseja exercer a sua profissão depois de formado, ou seja: após ter encerrado a grade curricular exigida pelo MEC.

O que temos, na prática, é um erro tentando ser justificado com outro erro, onde a liberdade individual do profissional esta sendo substituída por uma estratégia pensada na pressa, apenas, com a intenção de responder as exigências da população, sem, contudo, levar em consideração as liberdades individuais atreladas as expectativas que cada pessoa desenvolve ao optar por uma determinada área de atuação. 

O Governo desse modo, age como autoritário, querendo fazer uso do bem público (dinheiro) para "comprar" o interesse de classes trabalhadores, sem, contudo, dar ao sistema de saúde o mais básico para o seu funcionamento adequado, isto é; equipamentos, infraestrutura, espaço e mobilidade.

Evidentemente qualquer profissional é atraído pelo valor que lhe pagam, mas isso apenas não é sinônimo de qualidade e satisfação no serviço desempenhado. Se não estiverem associados o desejo pessoal mais a valorização do Estado na forma de incentivos, nenhum quantitativo de profissionais dará conta de uma população carente de pessoas que lhes prestem atendimento de qualidade, mais do que por dinheiro, e sim, também, pela satisfação em ter os recursos necessários para o desenvolvimento do seu trabalho.

Abraço e até a próxima...

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