Legalização da Maconha - Da Liberdade à Falência Cultural




A legalização da maconha (ou descriminalização, se preferir!) é mais do que uma luta por direitos. É também um exemplo de como a “evolução” cultural da humanidade, apesar de todo desenvolvimento tecnológico/intelectual, não é sinônimo de um bom conhecimento para o humano. Na realidade, ele pode ser tão destrutivo quanto uma bomba atômica, a única diferença está na filosofia que lhe atribuímos e no formato que opera. No caso da bomba é a filosofia da “defesa”, enquanto para a maconha é a de liberdade! Ambos os pensamentos “justificados” por conceitos que lhes foram dados, igualmente destrutivos, mas com atuações diferentes. Então significa que a legalização da maconha na perspectiva cultural tem o mesmo efeito de uma bomba atômica? A diferença é que uma tem o efeito devastador visto imediatamente, enquanto a outra se percebe apenas com o tempo. Continue lendo para entender melhor:


Quando a sociedade dá sinais de “ópio”, alienação comum que se converte em corrupção, falta de segurança, exploração humana, financeira, desigualdade e tantos outros males que surgem, especificamente, da mente humana, ela procura meios para aliviar o “peso” da sua realidade. Outros preferem “fugir”, ao ter que encarar as exigências, também ausências, do meio em que vive. As drogas, com exceção dos motivos religiosos, historicamente representam as principais ferramentas de “alívio e fuga” utilizadas pelo ser humano. Elas criam a falsa sensação de que tudo vai bem (dentre outras coisas), uma alegria basicamente da química para a química, contrariando a consciência que muitas vezes acusa o sujeito de que algo está errado e precisa mudar. As drogas dizem o contrário, ainda que por um pouco de tempo, elas tem o poder de anestesiar a crítica, a dor, o sofrimento, a imaginação, ou fazê-los saltar para níveis potencialmente perigosos

A maconha de fato não é o problema por si só. Quem discute o tema legalização das drogas, analisando apenas a droga em questão, seus riscos no organismo, por exemplo, está fazendo uma crítica parcial e limitada sobre o assunto. A problemática é cultural e envolve a concepção de humano em convívio com a sociedade. Por esse motivo, não diz respeito apenas à maconha, cocaína, mas também ao álcool, cigarro e derivados. Reformulando então o que penso devera ser a ênfase do assunto, a questão seria:

Por que legalizar uma substância que é, na absoluta maioria das vezes, motivo de alienação e dependência humana? Não seria mais correto promover uma cultura onde as drogas não fossem um requisito de “subsistência” emocional para uma soma de pessoas em conflito com a realidade?

Incluo nisso todas as substâncias alucinógenas, pois como escrevi acima, a maconha apenas não representa o que está em questão, mas sim o que ela, como substância psicoativa, aponta existir numa sociedade em que diversos problemas “pesam” nos ombros de todos nós. Quem diz não haver relação do uso de entorpecentes, incluindo a maconha, com a dependência e os motivos de “fuga ou alívio” social, está sendo desonesto intelectualmente. Faço uso das palavras do ex-viciado Rodolfo Abrantes (ex-raimundos) em entrevista no Altas Horas, quando disse que para saber a relação de dependência de um usuário de maconha, por exemplo, basta retirar dele o baseado (cigarro) e ver como fica o seu estado. Não é preciso ir longe para constatar isso, vemos também nas mesas de bar, “baladas”, onde o consumo de cerveja e outras bebidas possuem extrema relação com o estado afetivo/psicológico dos sujeitos, ao ponto de tornar “sagrado” o momento de “encher a cara”. Nada anormal se não sugerissem muito mais do que um simples momento esporádico de prazer e descanso mental, mas também o de um “alívio” e “alegrias” sustentados por uma dependência real daquelas substâncias. 

Penso que temos diante de nós, não a legalização da maconha, mas do estado depressivo no qual se encontram diversas culturas humanas. Não por acaso as “doenças da alma”, como estão sendo chamados os transtornos de humor, tal como ansiedade (neurose), depressão, histerias e manias, são as que mais cresceram nos últimos anos, e com expectativas alarmantes.

Tornar legal, portanto, as drogas, é o mesmo que oficializar o estado de humor doentio no qual muitos jovens, adolescentes e adultos se encontram, fazendo uso de entorpecentes para “mascarar” a dura realidade de uma cultura cada vez mais sem identidade (Stuart Hall) que gira em torno do consumo, da exploração e do poder.

Por fim, o ser humano é livre para decidir sua própria vida, mas existem determinadas condutas que não se restringem apenas a esfera particular, pois tem o poder de afetar também os que estão a sua volta. Esse é um dos principais malefícios das drogas (em geral). O Estado, portanto, tem o dever de coibir qualquer ação que venha colocar em risco a saúde e o bem estar coletivo. Precisamos para isso rever nossos conceitos sobre cultura, querendo entender os verdadeiros motivos que levam ao uso de drogas e não meramente seus efeitos. Se o que leva jovens às ruas reivindicar o uso de maconha é o resultado de um desejo espontâneo pela liberdade em decidir a própria vida, ou se é o indício de uma cultura adoecida por uma opressão que já não nos permite mais decidir. Eu penso que vivenciamos o segundo caso, por isso afirmo sem dúvidas que SOU CONTRA a legalização da maconha!

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Abraço e até a próxima...

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