Falso Bombeiro Faz Declarações no Velório de Bruna Gobbi

Praia de Boa Viagem, PE
Em meio ao drama durante o enterro de Bruna da Silva Gobbi, na última quarta-feira, uma pessoa chamava a atenção por prestar tantas declarações num momento em que ninguém queria falar. Fábio Francisco da Silva se identificou como um dos bombeiros que teriam ajudado no resgate das vítimas em Boa Viagem. Tudo mentira.

O Corpo de Bombeiros nega que o rapaz tenha participado do socorro. Afirma que Fábio nunca foi da corporação. Agora, ele pode responder por alguns crimes, entre os quais falsidade ideológica.

Durante o velório, Fábio chegou em uma moto e ficou afastado da multidão. Relatava que tinha participado diretamente do resgate e ajudado até o momento em que Bruna foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira, Zona Sul, antes de ir para o Hospital da Restauração (HR), na área central, onde faleceu.

Nas entrevistas, chegou a citar até expressões usadas por militares, mas tudo não passava de uma farsa, de acordo com os bombeiros. "Conseguimos identificar, por meio de algumas informações, quem é ele. Nosso serviço reservado trabalhou e conseguimos identificar tudo", disse o tenente-coronel Valdy Oliveira, assessor de imprensa do Corpo de Bombeiros.

Por causa dos depoimentos falsos, Fábio pode ser indiciado por falsidade ideológica. "Entre outros crimes, como se passar por funcionário público, que é o crime de falsa identidade", explicou Valdy.

Todo o levantamento feito pelo serviço reservado do Corpo de Bombeiros vai ser encaminhado para a Polícia Civil. Um inquérito deve ser aberto nos próximos dias para investigar o caso de Fábio Francisco, que mora em Escada e é estudante de direito.

De olho em nova orla

Um dos focos do monitoramento marítimo que recomeça hoje com o barco Sinuelo será a área da engorda da orla de Jaboatão dos Guararapes. O objetivo é avaliar possíveis impactos ambientais das obras, que já movimentaram 400 mil metros c...bicos de areia, carregados de uma jazida na Praia do Xaréu, no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife.

"As pessoas envolvidas afirmam que a engorda será benéfica, mas o projeto é baseado em modelagem, ou seja, pode acontecer ou não o previsto. A dragagem sempre traz impactos. A argumentação é que se usou uma areia com uma granulometria maior e isso faria com que os impactos fossem temporários. Vamos observar a interação desse novo ambiente com os tubarões. Nosso foco será no monitoramento por causa da engorda. Sabemos que esses animais estão tão próximos à costa por causa do desequilíbrio ambiental", ponderou a presidente do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Rosângela Lessa. Segundo ela, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), integrante do comitê, vai auxiliar nos trabalhos.

O perigo foi reforçado por Fábio Hazin, ex-presidente do Cemit e vice-presidente do Comitê de Pesca da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em palestra anteontem no 65º Encontro Anual da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Cerca de 40% das obras de recuperação da orla de Jaboatão já foram executadas. A conclusão é prevista para setembro. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Habitação e Saneamento afirmou que está planejando ações de sinalização e conscientização, diante do provável aumento do número de banhistas.

Em nota, o prefeito de Jaboatão, Elias Gomes, negou que a engorda traga prejuízos ao meio ambiente e eleve o risco de ataques de tubarão. "A obra somente foi iniciada após percorrer todos os trâmites que resultaram no licenciamento pela CPRH. Todos os estudos técnicos necessários à elaboração do projeto e execução da obra foram realizados e aprovados em todas as instâncias ambientais e territoriais. A engorda apenas recompõe a praia, devolvendo a faixa de areia recreativa outrora existente e que foi encurtada em razão da erosão marinha", ressalta.

Ação reforçada em locais de correnteza

O Instituto Oceanário e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) iniciaram um estudo para definir onde estão as correntes de retorno permanentes entre o Pina, Zona Sul do Recife, e Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, onde ocorreram 76% dos ataques de tubarão no Estado, foco dos casos de afogamento e trecho onde há maior presença de banhistas. Os resultados servirão para que as áreas onde há o fenômeno sejam reforçadas pelo Corpo de Bombeiros. Foi uma corrente de retorno que arrastou a turista paulista Bruna da Silva Gobbi, 18 anos, para o mar aberto, a 20 metros da faixa de areia, onde ela foi atacada por um tubarão.

"Percebemos que as correntes de retorno possuem um papel preponderante em relação ao risco, pois elas jogam os banhistas de mais perto da praia para o mar aberto. Por isso, vamos reforçar as ações de educação ambiental nesses pontos, logo após mapearmos os locais", afirmou o presidente do Instituto Oceanário, Alexandre Carvalho.

O Corpo de Bombeiros dispõe de 250 homens atuando na orla do Grande Recife, distribuídos em oito postos. Além disso, o Oceanário conta com 26 educadores transitando na praia. A ideia é que este efetivo se concentre nas áreas de maior perigo.

Carvalho explicou que as correntes de retorno permanentes ocorrem onde há falhas nos arrecifes, gerando por vezes redemoinhos. "No espaço entre um arrecife e outro, a velocidade da água é muito maior. A área onde Bruna foi atacada era assim", informou.

O oceanógrafo Pedro Pereira, professor da UFPE e desenvolvedor do estudo, ressaltou que duas correntes de retorno já foram identificadas: na frente do Edifício Acaiaca, em Boa Viagem, e num trecho localizado 930 metros ao sul. "O projeto está sendo iniciado. Os resultados ainda virão. Baseados no conhecimento da área, poderemos fazer uma prevenção mais efetiva", comentou. Pereira citou como exemplo a Praia de Cupe, em Ipojuca, na Região Metropolitana, que tem uma corrente de retorno a cada 100 metros, média considerada muito alta.

O especialista disse que esse foi um fator preponderante para a morte de Bruna Gobbi. "No caso dessa menina, a corrente de retorno influenciou de forma decisiva", observou, acrescentando que a velocidade do fenômeno varia conforme a altura das ondas e das marés. Existem ainda as correntes de retorno não permanentes, relacionadas à topografia das praias, que mudam de acordo com o movimento da areia e não podem ser previstas.


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