Bode Gaiato - O Fenômeno do Facebook, Preconceito ou Valorização?

((•)) Ouça este post

Veja abaixo a figura do Bode Gaiato, dê umas boas risadas e depois retorne a leitura. Comento em seguida:

Breno Melo é o criador do Bode Gaiato, a maior sensação do momento no Facebook. Um jovem de 19 anos, estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Campina Grande, Paraíba. É Pernambucano, nasceu em Recife, mora atualmente em Caruaru, Agreste do Estado. 

O Bode Gaiato (acesse AQUI) é um fenômeno, hoje dia 07/06/2013, conta com 1.393.169 de curtidas e 1.098.538 de pessoas falando sobre os personagens criados pelo jovem no Facebook. São números astronômicos para uma iniciativa que não teve qualquer intenção de alcançar fama. Começou como uma brincadeira de férias, hoje virou negócio sério. Segundo Breno, ele passa as tardes atendendo empresas interessadas em fazer publicidade em sua página. Já existem camisas e canetas com a marca "Bode Gaiato" e parcerias com empresas de outros Estados. Mas afinal, qual é a receita para tanto sucesso e em tão pouco tempo? Eis a minha opinião:

Identidade Cultural

Para o sociólogo Stuart Hall, autor do livro "Identidade Cultural na Pós-modernidade", o mundo vive uma crise de identidade. As diversas culturas estão sendo substituídas por interesses de organizações, empresas, onde a globalização tem sido um meio de contribuição para a substituição de valores comunitários, construídos ao longo de gerações, por rápidas e constantes transformações, em sua maioria sem qualquer orientação bem definida. Estas mudanças, segundo o autor, uma vez que afetam a economia e consequentemente a cultura local de cada povo, modifica também o sujeito. As pessoas estão sofrendo um processo de descaracterização. Tornando-se mais distantes de suas raízes e velhos costumes, elas ficam mais ansiosas e entediadas, sem uma definição de valor, também, acerca de sua própria identidade. Em outras palavras, a cultura vigente a nível global é uma verdadeira "metamorfose ambulante". 

O Bode Gaiato representa exatamente o CONTRÁRIO dessa descaracterização cultural argumentada por Hall. Com o uso de palavras, frases e principalmente situações do cotidiano comum ao povo nordestino, ele não apenas resgata, como VALORIZA essa cultura, criando uma forte IDENTIFICAÇÃO do povo que vivencia diariamente as situações representadas pelos personagens "Junin", "Mainha", "Biu", "Zefinha", dentre outros. Qual o nordestino que ao ver uma de suas figuras não pode associar imediatamente às suas raízes? Sua infância, experiências? Veja mais uma imagem abaixo, volto em seguida:


Diferente de alguns críticos que argumentam tratar de preconceito, o Bode Gaiato retrata a maneira simples de um povo que possui uma cultura ainda muito bem definida (tomara que continue), traduzida na fala, nos gestos, costumes e crenças, na forma como ela é. Um jeito de fala resumida, as vezes preguiçosa ("armaria, nãm"), mas que por sua autenticidade conquista milhares pelo Brasil e mundo. O nordestino que se reconhece nas situações representadas pelas figuras não deve se sentir ofendido ou discriminado, mas pelo contrário, deve sentir alegria, por ver ali a reprodução de uma cultura cotidiana (leia-se: simples!) na forma de humor.

Segundo Breno, ele já recebeu mensagens de Brasileiros fora do país dizendo que matam a saudade com as publicações do Bode Gaiato, por fazer lembrar as suas origens (como argumentado antes: identidade cultural). Foi com esse "jeitim nosso", por exemplo, que o Rei Luiz Gonzaga conquistou o Brasil, traduzindo a realidade do povo sertanejo em canção, fosse ela triste ou alegre, mas com a linguagem e detalhes de uma cultura que ainda não se perdeu no tempo. É dessa mesma forma que o Bode Gaiato "conta a nossa história" através do humor. Tomara continue prezando pela realidade de nossa cultura, de forma sadia e criativa, como sempre faz...

Abraço e até a próxima!

Comentários
0 Comentários

0 comentários:

/
2leep.com