O Sofrimento do Idoso em Ônibus lotado e a Sensibilidade de uma Mãe!


Ontém fui de ônibus para a faculdade, voltando do trabalho. Estava cheio, lotado, e no meio da multidão uma senhora de idade, aparentando uns 74 anos. Assim como eu, ela estava em pé, na área comum do ônibus, pois a preferencial estava lotada também, mas não por idosos apenas, também por jovens que estavam ocupando as cadeiras dos idosos.

Fiquei observando aquela senhora em pé, segurando uma pequena sacola, lenço na cabeça e uma expressão de cansaço e desespero inquestionáveis na face envelhecida de uma gente que "cheira sacrifício". Olhei em volta, haviam jovens, adultos, crianças sentados. NINGUÉM OFERECEU O LUGAR para aquela idosa sentar. Meu Deus, pensei comigo mesmo; o que é o ser humano? Milênios de história e conhecimentos acumulados, para quê? Para não perceber ao próximo. Para ser o mesmo ser "primitivo" sob uma roupagem tecnológica infundada por tratados científicos que advogam alguma razão?

Era evidente o sofrimento daquela senhora, mas quem poderia se por no seu lugar e perceber a sua angústia? Quem nessas horas é humano (ser) o suficiente para colocar em prática aquilo que tanto deseja para sí mesmo? Meu sentimento era de tristeza. Meus Deus, um ônibus lotado de pessoas que poderiam facilmente ceder por um momento aquele lugar, mas não... ninguém!

Uma reflexão simples me faz lembrar de Cristo: "amar ao próximo como a sí mesmo". Me faz lembrar de João; "aquele que não ama, não conheçe à Deus, porque Deus é amor". "Como dizes tu que ama à Deus, que não vê, sem a mar o teu irmão, que ves?" A simplicidade do evangelho e sua tamanha Verdade constrange a qualquer indivíduo que ainda vivencia sentimentos e exercita um mínimo de bom senso, pois enxerga nele o quanto é falho e carente de perdão, misericórdia e transformação...

Quando minha frustração chegava a um ponto "agonizante", depois de um bom tempo alguém percebeu -- o outro --, sua agonia e, principalmente, necessidade, muito mais do que um simples conforto. Mas para minha surpresa, não fora um jovem forte "dormindo" na cadeira. Não foi o homem adulto sério e relaxado na cadeira "curtindo" a viagem. Não foi a mulher, moça, com fones de ouvido e chiclete na boca. Foi a mulher que tinha uma criança de colo (meses) e mais uma, talvez entre 6 e 8 anos de idade, que percebeu ao longe a presença de uma idosa cansada precisando de um lugar para sentar. Ficou com as duas crianças no colo, cedendo um dos lugares para aquela senhora.

Você certamente pode ter se indignado com essa história, mas meu objetivo é mais do que isso. É fazer refletir que não basta se indignar, é preciso ser exemplo! A começar por mim, será que eu não poderia ter intimado alguém à ceder o lugar aquela senhora? Enquanto direitos, talvez não, mas enquanto pessoa humana, não seria esse o meu dever? Quando o discurso não se traduz na prática o resultado é de uma sociedade hipócrita, que colhe nos seus problemas as consequências de suas escolhas. Sejamos "...praticantes, e não apenas ouvintes", assim como o Cristo, mesmo que no seu caminho à espera esteja posta uma cruz no monte das caveiras!

Abraço e até a próxima...

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