Marco Feliciano e a Intolerência da "Diversidade" - CDHM





A escolha de Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, vem revelando nos últimos dias as diferentes "faces" do ativismo político no Brasil, especialmente do que podemos chamar de "Ativismo Gay de Esquerda". Com toda uma polêmica gerada em torno do seu nome, sob acusações de “homofobia”, “racismo” e “estelionato”, podemos ver um cenário político em que, nem sempre, a imparcialidade jornalística e preocupação com a pessoa humana estiveram em primeiro plano, por que será?

A filosofia base da Comissão de Direitos Humanos e Minorias é, justamente, a defesa da pessoa humana, em especial aquela privada de direitos por uma condição excludente, discriminatória e/ou não amparada politicamente. Entende-se por essa filosofia que todos os indivíduos podem, e devem, ter acesso a leis que lhes garantam a cidadania e dignidade, sem distinção de raça, credo ou condição bio-psico-social. Mas o que fazer, quando tal comissão, ao invés de assegurar os direitos da pessoa humana como um todo, dando voz e vez as diferentes classes e segmentos sociais, exemplificando, portanto, no próprio exercício da liberdade a inclusão da diversidade com vistas ao melhoramento comum da sociedade, usa do seu poder (e bandeira) para direcionar as ações e recursos destinados a uma minoria, para apenas parte dessa minoria?

Durante os 16 anos consecutivos de liderança petista na CDHM, dentre todas as temáticas abordadas, uma se destaca pelo tom exaustivo (para não dizer gritante, o que talvez fosse o mais apropriado citar) como é tradada; é a temática da “Diversidade Sexual” ou direitos da comunidade “GLBTTS” (gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e simpatizantes). Outros temas como a situação indígena, negros, a mulher – aborto (resumindo-se quase sempre ao tradicional discurso feminista), o menor, pessoas especiais, grupos de risco – moradores de rua, dependentes químicos, prostitutas, etc. são paralelos ao que parece constituir a principal bandeira da CDHM, isto é, a sexualidade e sua diversidade em diferentes “compreensões”. De fato, seria impossível não “pincelar” esses outros temas, uma vez que falamos em direitos humanos, caso contrário já não seria CDH, mas sim “Comissão de Direitos Sexuais da Diversidade”, estou certo?  Outros temas como a prostituição e o aborto estão diretamente relacionados à sexualidade... “diversa”, amparada evidentemente pelo ativismo de esquerda GLBTTS. Muito diferente do que o intérprete “inocente” possa imaginar haver com direitos da mulher, tais questões envolvem a “liberdade” sexual em pleno poder de direito, incluindo a vida de outro ser humano, mesmo que ainda no útero! 

Ora, como pensar em legalizar e tornar profissão “reconhecida” a prostituição, sem que também não torne legal o direito da mulher em decidir abortar? Uma vez que a quase totalidade dos abortos são motivados por concepção irresponsável da vida (não por estupros ou incapacidades psicológicas, como querem fazer pensar), estando direta e indiretamente relacionados à prostituição (em diferentes aspectos), fica evidente que o discurso em defesa desse direito (aborto) tem também como pano de fundo, a vivência da sexualidade “diversa”.

E o motivo de tanto ódio contra Marco Feliciano na presidência da CDHM?

A presidência de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e Minorias representa uma ruptura desse poder, não político, apenas, mas principalmente IDEOLÓGICO. No entanto, não é uma ruptura de ideologia humanitária, a que está disposta incluir os menos favorecidos politicamente, ter um olhar de direito e cidadania para as minorias sem distinção, não, de fato! É uma ruptura da ênfase ideológica dada ao tema da “diversidade sexual”, cujo principal objetivo não era/é a busca para um entendimento comum através da liberdade de expressão social, mas sim a instauração de privilégios constitucionais, alcançados na base do grito e influências políticas por um grupo. É a ruptura de um direcionamento quase exclusivo aos ideais de esquerda GLBTTS retratados nas pautas da CDHM, para a -- possibilidade -- de um olhar mais amplo das minorias, em que a busca por soluções e melhorias, incluindo os GLBTTS, passa pela aprovação social, isto é, da liberdade de escolha popular.

É a ruptura do instrumentalismo do poder, em prol de uma parcela cujo entendimento não é partilhado por todos. 

Não pudemos ver durante a presidência petista da CDHM a convocação de plebiscito nacional (embora tivesse sido solicitado várias vezes) em tornos de temas sensíveis, tais como a união civil homossexual, o aborto para o caso de anencéfalos, a aprovação da PL122, por qual motivo? Ora, a voz popular em sua grande maioria é CONTRÁRIA a esses projetos, não importando por qual motivo. Para os seus defensores, no entanto, a exemplo do Dep. Jean Wyllys, o motivo para tal é a DESINFORMAÇÃO da população, o que a impediria (como assim?) de julgar corretamente a melhor decisão. Ora, o exercício da liberdade ideológica é um direito assegurado constitucionalmente e sua maior forma de expressão é através do VOTO! Questões sensíveis à população, modo de vida, segurança, educação, saúde, são plenamente viáveis de serem postas à aprovação popular, a exemplo do desarmamento, onde por vários meses diferentes opiniões fizeram campanha contra e a favor e ao final, democraticamente, a população expressou sua opinião com a maioria dizendo NÃO ao desarmamento. 

A Bandeira é de Liberdade, mas a Prática é de Intolerância!

Não suportando a perca de domínio na linha temática privilegiada na CDHM, devido à presidência ser assumida por um parlamentar com opiniões – diferentes – dos interesses de uma – parcela – da CDHM, e agora “ameaçados” de ver trazidos à APROVAÇÃO POPULAR (Feliciano foi um dos principais que solicitaram oficialmente o plebiscito para os temas da união homoafetiva) temas sensíveis que antes foram – aprovados – por “estratégia política” (conferindo virtualmente poder legislativo, por exemplo, ao STF), restou a essa parcela de parlamentares promoverem o maior “alvoroço” possível, atingindo à vida pessoal do Dep. Marco Feliciano, na intenção de DESVIAR e confundir a população, misturando sua atuação política com particularidades de sua vida, na intenção de criar uma imagem negativa do parlamentar frente à opinião pública. 

Não tendo sucesso no primeiro momento, os deputados Chico Alencar (Psol-RJ), Domingos Dutra (PT-MA), Erika Kokay (PT-DF), Janete Pietá (PT-SP), Jean Wyllys (Psol-RJ), Luiz Erundina (PSB-SP), Luiz Couto (PT-PB), Luiz Alberto (PT-BA), Padre Ton (PT-RO), Nilmário Miranda (PT-MG), Vitor Paulo (PRB-RJ) e Alice Portugal (PCdoB-BA), decidiram criar a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos. Na prática, uma espécie de comissão alternativa à CDHM oficial. Ora, amigos leitores(as), quero chamar bem atenção para esse feito. Não consigo interpretá-lo de outra forma, senão a comprovação da incapacidade desses (e certamente outros) parlamentares em dialogar e tratar em par de – igualdade -- com as opiniões contrárias. Está claro que essa atitude é parte de uma estratégia que visa desacreditar a competência legislativa do Dep. Feliciano. O que isso revela, um ato de corajem e “revolução” desses parlamentares? Não, na verdade de intolerância e discriminação!

Nas duas tentativas de reuniões da CDHM sob a presidência de Marco Feliciano, as quais tive a oportunidade de acompanhar ao vivo pela internet, ficou evidente que os mesmos ditos “defensores” da liberdade, diversidade e inclusão, são também na verdade intolerantes quando existe a possibilidade de que seus interesses não sejam atendidos. Quando um embate ideológico não ocorre de forma honesta, a estratégia utilizada por aqueles que “não tem argumentos” é a mudança de foco na discussão, de preferência atingindo à sensibilidade dos seus oponentes, no fim de desestabilizá-los. Nas reuniões da CDHM isso é feito na base do grito, xingamentos e ameaças. O caminho possível não é o diálogo, para que através dele se chegue à compreensão dos fatos, mas à OPRESSÃO emocional e política exercida de forma organizada, apesar de gritante. Como se não bastasse este cenário em plenário, a estratégia não para por aí, ela se estende por todas as esferas de comunicação; sites, blogs, revistas, telejornais, jornais, entidades, movimentos, onde ganham voz e palco privilegiado aqueles que “ecoam” os gritos de uma parcela, sem, contudo, dar o mesmo espaço para outras opiniões. 

Diante de uma possível renúncia de Feliciano à presidência da comissão, nossa maior preocupação deve estár nos motivos que o levariam a isso. Será o peso de sua consciência sobre declarações outrora infelizes ou será a “carga” de um julgamento ofensivo e intolerante dos que em nome das minorias instrumentalizam o poder público para fazer jus aos seus próprios interesses? Diante das cenas em que “ativistas políticos“ (não são manifestantes populares) fazem protesto em frente à IGREJA no qual pregava, cercando seu carro, xingando-o, lado a sua família, ameaçando-o, dos milhares de comentários explicitamente agressivos, ameaçadores, coercivos em suas redes sociais e notícias pela internet, não tenho dúvidas de que não são comentários mal colocados (ou mal compreendidos) suficientes para lhe fazer renunciar, mas sim:

 ...a demonstração de que é impossível se fazer ouvido por um grupo que, apesar de hastear a bandeira de igualdade e RESPEITO ao diferente, esconde por trás o antigo veneno da DITADURA intelectual nazista!

Ressalvas que Você Precisa Saber

Já escrevi um texto explicando o que provavelmente foram às intenções nos comentários de Feliciano, diferente do que a mídia intencionada faz pensar. Se quiser ler, clique AQUI. Apesar disso, quero frisar que sou contrário a muitas posições de Feliciano, longe de mim reproduzir as suas palavras, principalmente no que diz respeito à Teologia. No entanto, suas contradições teológicas não me impedem de aceitá-lo enquanto parlamentar, por serem esferas de atuação e – compreensão – diferentes. Cabe a mim julgá-lo politicamente com base nas ações – políticas -- que este JÁ possui, e não no que outros interpretam de forma especulativa e tendenciosa acerca de sua vida pessoal. Se toda essa “onda” de revolta fosse restrita a sua gestão política, a situação seria diferente, mas está claro no meu entender que não é esse o motivo. Uma vez que eleito democraticamente, assim como todos os outros, por meio do VOTO, a não aceitação de uma parcela que se faz notável por meio de gritos, tumultos, ameaças, xingamentos e manipulação de informações, deixa claro que se trata de INTOLERÂNCIA e ditadura intelectual. 

Por fim, deixo para que os amigos pensem: se atualmente a situação é esta, imaginem o que seria se aprovada a PL122? 

Abraço e até a próxima...

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21 de março de 2013 22:44

Concordo com vc... E vc detalhou muito bem o que está por traz dessa "luta pela liberdade"... Parabéns! Vou compartilhar!

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22 de março de 2013 07:34

Muito obrigado pelo comentário Silmara! Fico feliz que tenha compreendido a intenção do texto.

Abraço.

Resposta
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