As Sete Fases da Mentira - Como Identificar a Manipulação Social




Você pode pensar que para acreditar numa mentira é preciso ser muito “bobo”, desatento ou ter muita falta de conhecimento acerca do que estão afirmando ser verdade. Diante da manipulação social, muitos são tão "seguros" de suas convicções que nem chegam a considerar a possibilidade de mudar a opinião, quando, sem perceber, já mudaram, mas não porque puderam entender a necessidade dessa mudança, mas simplesmente porque esta mudança, embora baseada numa mentira,  lhe foi sugerida como verdade, através da Manipulação Social! Duvida? Vejamos:

O método de imposição ideológica mais eficaz e amplamente utilizado pelos veículos de comunicação, organizações e líderes, não é o que lhe convence de algo de um dia para o outro, mas sim aquele que te faz assimilar gradualmente o que podemos chamar de Sugestões Preliminares Contínuas. Estas sugestões não configuram a mentira, propriamente, mas elementos do dia-a-dia que, estrategicamente, apontam para aquilo que deverá ser assimilado como uma verdade. Vemos esse conceito claramente na famosa frase de Adolf Hitler, ao dizer:

“Torne a mentira grande, simplifique-a, continue afirmando-a, e eventualmente todos acreditarão nela”

Ora, as palavras desse homem não são apenas teoria, mas um conceito provado por ele próprio ao fazer em pleno século XX com que milhões de pessoas acreditassem na existência de uma raça “superior”, sendo outras destinadas à escravidão ou extinção, como verdadeiras pragas! Só em pensar que tamanha mentira convence fiéis até os dias de hoje, dá para notar a gravidade do problema e como ele pode afetar uma sociedade por gerações, baseando-se, apenas, numa cultura de mentiras! Estamos falando do que afeta diretamente a conduta humana, os valores que norteiam suas ações e objetivos. Não se trata de "esconder o doce de uma criança", mas de estabelecer concepções pelas quais uma população inteira poderá seguir, e colher, consequentemente, os frutos de uma mentira.

Como identificar o processo de implantação da mentira?

A mentira social passa por sete fases, são elas: Questionamento, Sugestão, Argumentação, Divulgação, Defesa, Normatização e Verdade. Por isso chamo de “As Sete Fases da Mentira”. Em cada fase existem características que podemos observar, pois são típicas e necessárias para que o objetivo da mentira possa “evoluir”. Este processo muitas vezes não é consciente, ou seja, aqueles que defendem a mentira nem sempre sabem que é uma mentira, pois acreditam ser uma verdade, no entanto, são suas ações em prol dessa suposta “verdade” que vão caracterizar se o que defendem é realmente uma verdade ou não. Vejamos abaixo as sete fases da mentira e suas características:

1º - Fase – QUESTIONAMENTO!

Levanto a pergunta; “A pedofilia é realmente uma doença?”

2º - Fase – SUGESTÃO!

Resposta: “A pedofilia pode ser apenas uma orientação sexual”

3º - Fase – ARGUMENTAÇÃO!

É criada uma teoria ou simples pensamento que visa “justificar” e “fundamentar” a sugestão, por exemplo:

A pedofilia é vista como um crime em nossa cultura devido ao padrão sexual desenvolvido ao longo dos tempos, mas era/é uma prática comum em outros povos, principalmente na antiguidade, quando moços e moças, a partir dos 08 (oito) anos eram “despertados” à sexualidade por seus senhores, sacerdotes e mestres, através de ritos religiosos e lições morais. O estereótipo criado em torno dessa – orientação sexual – é fruto de uma normatização cultural, influenciada, principalmente, pelo cristianismo, cujas leis estão baseadas na crença de que para Deus “a sexualidade infantil é um pecado”. Algo muito contraditório.

Obs. Você já está convencido? Saiba que este simples comentário é suficiente para deixar muitos em dúvida. Continue a leitura:

4º - Fase – DIVULGAÇÃO!

Nesta fase, a mentira tida como verdade, será divulgada o máximo possível. Isso visa à popularidade do – conceito --, pois quanto maior o número de pessoas em contato com ele, maior será a probabilidade de aceitação. Essa divulgação não é feita de qualquer maneira, ela é pensada estrategicamente para não ser vista de forma negativa, por isso é comum associar o conceito (mentira) às coisas comuns do dia-a-dia, procurando, SEMPRE, passar a imagem de naturalidade e aceitação. Perceba que o melhor recurso para tratar isso em público, é a comédia e o drama, sendo os filmes, novelas e programas de TV as melhores ferramentas para o alcance desse objetivo.( Obs. Tenha como exemplo alguns filmes norte-americanos, de grande sucesso, voltados para jovens).

5º - Fase – APOLOGIA/DEFESA!

Diferente da divulgação (que não demonstra opinião, mas apenas ilustra o conteúdo), nesta fase, acompanhando a divulgação, é atribuído valores e benefícios ao conceito-mentira, para tornar a aceitação ainda mais fácil. Por exemplo:

A pedofilia, se entendida como orientação sexual, poderá ser regulamentada, dando ao pedófilo a oportunidade de se mostrar, ao invés de se esconder. Isso diminuiria significativamente os abusos cometidos atualmente, pois assim essas pessoas poderiam ter acesso a material controlado, em que a sexualidade infantil fosse tratada não como um “tabu”, mas sim de forma natural, “instintiva”, como realmente é. Definir uma idade para a expressão sexual infantil é um equívoco, pois existem crianças com 10 anos que se comportam como se tivessem 20, enquanto adultos de 30 agem como crianças, isso, porque, não são os pais ou a sociedade quem determina sua iniciação sexual, mas sim o seu próprio organismo. A expressão sexual infantil, portanto, assim como a – identidade de gênero --, deve ser encarada com olhos do humano, puramente humano, sem os preconceitos construídos por tradições culturais e religiosas. Fazendo isso teremos pessoas mais equilibradas emocionalmente, uma sociedade menos artificial e mais natural, na forma como determina a espontaneidade de nossos instintos e sentimentos.


6º - Fase – NORMATIZAÇÃO!

Esta é a fase em que o questionamento e a argumentação, CONTRÁRIOS, são eliminados, geralmente distorcidos, esquecidos ou simplesmente ultrapassados, dando a eles o status de “banalidade”. Isso acontece para que não haja possibilidade de contra-argumentar as sugestões que já foram dadas, disseminadas e assimiladas como uma possibilidade real. Nesta fase, todo e qualquer entendimento contrário ao que já foi proposto é visto como retrógrado, fundamentalista, conservador, etc. Perceba que as fases anteriores de divulgação e apologia continuam agindo, porém, dessa vez, tornando o conceito-mentira uma normatização cultural.

7º - Fase – VERDADE!

Nesta fase pensar ou sugerir uma ideia contrária não é apenas ser ultrapassado ou “fundamentalista”, mas absurdo, ignorante e ofensivo. Insistir com essa postura seria equivalente a cometer um crime! Para tal, organizações são/foram criadas no intuito de fiscalizar e defender os “direitos” daqueles que defendem o tal – conceito-mentira --, justamente para inibir, nos moldes da – lei --, toda forma de expressão que contrarie não só as ideias desse “novo” conceito, mas também os interesses sociais, políticos e comerciais envolvidos. A sociedade nesta fase já assimilou o que antes era uma mentira, como verdade, por isso ela se divide em opiniões contrárias. A base de sustentação para normatizar determinado pensamento ou conduta, nesta fase, não é mais o conhecimento científico, ético, puro e imparcial, mas sim os interesses que norteiam o pensamento e – filosofias – de seus defensores.

Os resultados de uma mentira implantada na sociedade como verdade, são devastadores por gerações, prostituindo todas as áreas de atuação humana, a começar pela produção de “conhecimento”, e eles estão intimamente relacionados aos interesses humanos daqueles que mais dominam o “poder” (isso é muito grave), e não necessariamente ao compromisso com a realidade dos fatos. Por isso, uma mentira mascarada de verdade, sempre é percebida quando confrontada, pois ela NÃO SUPORTA O CONFRONTO, uma vez que suas bases ideológicas são destituídas de elementos lógicos, “palpáveis”, mas sim, e apenas, “pintadas” por teorias segundo os interesses particulares de quem as formulam. Temas como o aborto, religião, sexualidade, direitos humanos e economia, são quase sempre instigados por tais conceitos, onde a verdade nem sempre está em acordo com a realidade, isto é, são mentiras disfarçadas. O exemplo que fiz com a Pedofilia pode ser facilmente aplicado a vários tipos de condutas e “conceitos”. Os argumentos apresentados como exemplo são reais, utilizados por pessoas e grupos defensores da Pedofilia como sendo uma “orientação” sexual, e não um transtorno. Portanto, acredite, isso é mais real do que você imagina...

As sete fases da mentira aqui apresentadas são um processo longo, duram anos, décadas, onde a conquista ocorre principalmente na mudança de geração. Daí o motivo pelo qual crianças e jovens são constantemente “bombardeados” por diversas formas de comunicação, não dando a eles a oportunidade de pensarem criticamente por sí (é um engano quem pensa o contrário), mas sim de pensar segundo as diretrizes que o sistema lhe "determina". 

Finalmente, cabe a cada cidadão ter o cuidado para se informar, construir conhecimento suficiente para saber discernir o montante de informações que são “jogadas” diariamente em nossa mente, e perceber que muito do que se entende e vivencia como verdade, ou naturalidade, foram apenas sugestões de uma mentira implantada!

Abraço e até aproxima...


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24 de janeiro de 2013 11:09

Muito bom o texto Wil. O que você entende ser a mentira da vez e qual é a verdade?

Resposta
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24 de janeiro de 2013 16:51

Opa! Lembro de algumas amigo(a) Desordem. Considerando apenas as que são "a bola da vez", certo?

Penso que;

No esporte, a importância da copa do mundo - A verdade é que tal evento atende muito mais aos interesses de grandes empresas, pois as reais necessidades da população estão na educação, saúde, segurança e infraestrutura.

Na religião, o crescimento protestante - A verdade é que o número de evangélicos atualmente não reflete o verdadeiro "protestantismo". Existe um povo atraído pelo misticismo de falsas teologias, tais como a da "prosperidade". Esses, penso eu, não reflete a realidade evangélica do nosso país.

Qualidade de Vida - A verdade é que o crescimento econômico da população não é sinônimo de bem viver, ele atende muito mais aos interesses de consumo, do que da melhoria de vida da pessoa humana como um todo;

Na sexualidade, a homossexualidade - A verdade é que a homossexualidade é uma aquisição do comportamento, baseado em múltiplos fatores sociais, dos quais muitos já puderam ser observados, e não uma identidade de gênero comum ao organismo, como querem fazer pensar.

É isso, abraço.

Resposta
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25 de janeiro de 2013 18:41

Ok Will, entendo que exista a manipulação da população

no intuito de defender interesses próprios ou de uma

comunidade, seja ela de cristãos, empresários, pobres,

homossexuais,pessoais, etc. Mas ainda assim estaremos

falando de interesses, onde cada um vai defender sua

causa pra justificar que algo está errado e que o certo

é o que ele ou ela diz. Ou seja, estaremos dentro do que julgamos como verdade, baseados em nossa formação cultural,

religiosa, educativa, acadêmica, etc. Você citou situações

que pode parecer claro e correto para alguns e obscuro

para outros, que parecem serem fundamentadas em tudo

que citei acima. Alguém pode dizer que a Copa do mundo pode trazer

benefícios também, como empregos, turismo, através dele

geração de renda, etc, na verdade parece mais uma questão de

como serão empregados este dinheiro gerados pela Copa do que o fato da

Copa ser realizada aqui. Sem entrar no mérito dos outros

exemplos que você citou, acho que sempre vai haver

alguém para explicar, contra-argumentar, provar por a+b

que o certo é isso e não aquilo. E num mundo governado

pelo poder do dinheiro, quase sempre vencerá o mais rico.

Mais a minha dúvida é mais profunda. Já que a verdade me

parece ser uma questão de época, argumentos e poder, eu

quero crer que ela não exista de fato, senão para aqueles

nela acreditam, seja qual for a sua verdade. O próprio Deus ( se é que existe, não quer dizer que eu não creia)

não deixou muitas pistas sobre ela. Você poderá dizer, siga seu coração, faça o bem... mas como você mesmo disse, o pedófilo acha que está fazendo o bem. Por mais que você ou eu ou 90% das pessoas digam o contrário, existem pessoas que irão concordar com ele. Bom se 90% diz que é errado então é porque deve ser mesmo. Aí a gente pega exemplos na história em que a maioria achava certo matar mulheres porque achavam que eram bruxas, ou matavam pessoas que diziam que era aterra que girava em torno do sol, ou porque acreditavam em Cristo, enfim exemplos não faltam. A questão do gênero também é uma convenção, um conceito humano para identificar uma característica. Ou seja, tudo passa por nossa intelectualização, nós classificamos, damos nomes, entendemos por nós mesmo o que é certo e o que é errado e um século depois tudo pode mudar. Aí eu pergunto, onde está a verdade absoluta? aquela imutável, irrepreensível, incontestável? Aquela que poderá passar anos e anos e não mudará uma vígula...para mim não existe, pelo menos não me foi apresentada ainda. Existe sim coisas com as quais eu não concordo, você não concorde, mas outras pessoas concordam e vise-versa. Para mim cada um tem a sua própria verdade, como diria Santo Agostinho, e cada um sofrerá a consequência de seus atos, independente de sua crença, gênero ou condição social. Uma pessoa que mata alguém, pode achar que está certo, pode até ter feito um bem pra sociedade, mas trará consequências, que podem ser boas ou más, pra ela, e/ou pra outras pessoas independente da verdade que ela acredite. Eu acredito nessa verdade, a responsabilidade por seus atos e consequências que deles advenham. Se os políticos acham que estão certos, os empresários, os religiosos, os pobres, os ricos, você, eu, não importa, cada um deve lutar pela sua verdade em busca do seu bem sem prejudicar ninguém e sofrer as consequências de seus atos, porque o bem comum é quase impossível, acho que o bem comum é o resultado de um bem individual que não prejudique o coletivo e vise-versa. Eu posso ser gay, ou um rico empresário, ou um político, ou ser pobre, ou um macumbeiro e viver muito bem assim, acreditando na minha verdade e sofrendo as consequências de meus atos, independente de função, gênero ou papel social que eu represente. Bom, pode parecer ofensivo, mas apenas disse o que penso, se está certo ou errado, também não sei, mas vivo melhor comigo mesmo pensando assim. Grande abraço.

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28 de janeiro de 2013 07:50

Meu caro amigo "Desordem", mais uma vez obrigado pela excelente contribuição ao nosso pensamento.

Engraçado que nos últimos dias venho lidando com algumas pessoas adeptas do "relativismo". Estas que, ao falar de valores e normatizações, logo "torcem" o rosto em sinal de repúdio, uma vez que para elas "tudo" é relativo, nada absoluto!

Seu comentário muito bem exemplificado, pelo que entendi, reflete muito bem esse relativismo, com a diferença de ser respeitoso e cauteloso, não prepotente (algo que não é fácil de encontrar, ironicamente nos relativistas), mas tenho uma forma de pensar diferente que talvez sirva para algo:

O relativismo radical me parece muito mais uma versão, revestida de pensamento filosófico, da abstenção humana frente aos desafios que tem ao julgar os fatos da vida, se bons ou ruins. Seria isso uma maneira de aliviar no ser humano as pressões exercidas sobre ele da --- função --- ética em sua mente? (veja o histórico de vida dos seus principais idealizadores e tire suas conclusões) Desacreditar nesta capacidade humana em DEFINIR (de fato) sua contuda, se boa ou má, enxergando isso como apenas uma variante cultural, não me parece construtivo (para não cogitar insensato). Ora, penso, piamente, que uma laranja pode ser vista por vários ângulos, e assim ter opiniões diferentes quanto à ela, pois tais opiniões serão mediante o ângulo que foi enxergado, concorda? Mas todas as opiniões tratam da MESMA LARANJA, percebe que a laranja neste caso exemplifica a existência de uma verdade absoluta? Isto é, ter conclusões diferentes acerca de um objeto, não tira do objeto o estatus de verdade, uma vez que para que o significado exista, é necessário, antes, que o significante exista primeiro. Opa!

Há no "ser" humano, penso eu, uma necessidade constante (misticamente falando, o re-ligare?), ela se traduz no comportamento. Agora chegamos ao -- X -- da questão, ora, muita atenção, você não acha que a experiência do comportamento ao longo de todas as culturas, são indícios da busca humana por definir valores que o tornem satisfeitos? Se a resposta for SIM, logo, você não acha que temos nessas experiências, os elementos que vão nos dizer, não apenas quais são as maiores necessidades, mas também quais dessas experiências o humano gostaria de eliminar de sua história?

Ora, se a resposta for NÃO, entramos em contradição com a evolução histórica das culturas, pois nenhuma cultura é estática, antes, porém, demonstra com o passar do tempo a busca por uma "EVOLUÇÃO", e isso meu caro, surpreendentemente, não é feito por acaso, é algo pensado pelo próprio humano, a exemplo do que estamos fazendo agora, eu e você, "evoluindo".

Se a resposta for SIM, parabens amigo, você acabou de compreender a sua primeira VERDADE ABSOLUTA.

Meu "conselho" é; aplique esse raciocínio aos exemplos que você deu, quanto à Pedofilia, ao Infanticídio, a Amputação Ritualística, Sacrifícios Rituais, a criação de Leis, etc, etc, etc... Então verás que cada item desse não se trata de mero convencionalismo cultural, mas sim da tentativa humana em traduzir as suas maiores necessidades, através da organização social, o que inclui, também (risos), o relativismo...

Grande abraço...

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28 de janeiro de 2013 18:09

Mas o significado que damos ao significante, é ainda e sempre será, fruto de nossa percepção. Como você mesmo disse, cada um terá uma visão do que é a laranja. Não desacredito nessa capacidade de definição de uma conduta. Mas ela sempre será uma versão da laranja, observada por ângulos diferentes, em partes diferentes, sem que nunca pudéssemos ter a visão do todo. Como aquela alegoria dos cegos e o elefante. Em que cada um segura uma parte do elefante, e perguntando a cada um dos cegos o que ele acha o que seja um elefante, cada um deu sua resposta, baseado na parte em que segurou o animal. O que segurou na tromba disse que o Elefante parecia com uma mangueira, o que segurou na pata, disse que que parecia com uma pilastra. Mas nenhum conseguir definir o que realmente era um elefante. Outra ilustração dessa questão é: Pode um verme que se encontra nas entranhas de um indivíduo, saber onde ele realmente se encontra e questionar a verdade sobre seu hospedeiro? Acho que somos este verme, que estando dentro das entranhas, só poderemos indagar sobre as coisas que nos cercam, mas nunca saberemos de fato a verdade. Isto não quer dizer que ela não exista, como a laranja do seu exemplo. Mas quando nós, vermes que somos, quando falamos da laranja, de qual laranja estamos falando? Da real ou da que concluímos ser a laranja, baseados nas observações cegas que obtivemos? Claro que seria de um laranja que achamos ser a real. Ao longo do tempo podemos até melhorar nossa visão, obter novos ângulos, construir novos conceitos a respeito da laranja, adaptar nossas novas visões, aos novos conceitos, e criar uma nova ideia do que achávamos ser uma laranja, viveremos por mais 200 anos com este novo conceito de laranja. E a verdadeira laranja seguirá incólume ignorando a versão humana que deram dela. O que quero dizer amigo Will, não é que a verdade não exista, sim ela existe! Quando disse que ela não existia, quis dizer que não existe para nós. Mas não nos foi dada essa capacidade de conhecê-la, senão a de vislumbra-la, ou deduzi-la. Estaremos sempre evoluindo buscando alcançá-la, e credito nesta evolução, talvez chegaremos perto um dia. É em busca dela que evoluímos. Mas mesmo esta evolução, por mais contrário que possa parecer, pode estar bem distante da verdade. Pois nós adaptamos o que pensamos sobre a laranja às nossas vidas, para assim podermos melhor viver. Mas a laranja real, pode ser completamente diferente de tudo o que já dissemos sobre ela, como era o elefante para os cegos. Grande abraço.

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29 de janeiro de 2013 08:05

Grande amigo "Desordem", você não imagina o quanto fiquei feliz em perceber que você compreendeu o exemplo que dei anteriormente. Não apenas isso, você aprofundou com o exemplo do Elefante e os cegos!

Meu caro, "evoluímos" muito em nosso diálogo. Você não é um relativista radical, como alguns dos quais já conversei. Você consegue entender, assim como eu, a pre-existência do significante e a "dinâmica cultural" ao longo dos tempos como indícios de alguma possível verdade. Este último plenamente observável por sinal.

Concordo que nunca chegaremos ao conhecimento do TODO, e por isso SEMPRE haverá versões diferentes acerca dele. Mas tenho um outro pensamento que talvez sirva para algo:

Acredito que podemos nos aproximar ao máximo da verdade(s) acerca da vida, mediante a própria experiência que ela nos trás, eis o motivo da -- função -- ética. Vejo exatamente na "evolução cultural", histórica, científica, filosófica, as formas que a PRÓPRIA VIDA tem de apontar quais são as verdades que compõem esse todo. Isso é em parte, involuntário, e em parte voluntário, como estamos fazendo agora.

Chegando nesse dilema extremamente ideológico, não tenho como deixar de observar o sentimento religioso humano como evidência de algo maior a ele próprio. Não tenho como deixar de observar as sociedades, TODAS ELAS, se -- movendo -- em torno desse elemento, criando costumes, leis e condutas em acordo com suas versões desse sentimento. Ou seja, a existência da mística humana, aliada à capacidade de transcender em nosso pensamento (o que estamos fazendo agora) a mera "objetividade" material, é para mim a verdade de que algo maior existe entre o céu e a terra...

Após essa compreensão, procuro entender o que é mais "lógico" dentre as místicas existentes, e encontro sentido no ensinamento bíblico, ao afirmar que um dia a humanidade se tornou CEGA, deixando de enxergar o TODO DA VERDADE (Elefante e os Cegos), vindo então a trilhar seu caminho conforme as versões que cada um dava para sí mesmo.

Mas também acredito no ensinamento de que, por amor, a Verdade resolveu se revelar NOVAMENTE, curando a cegueira hos homens e trazendo luz sobre seu entendimento. Para isso foi necessário não apenas escolher um povo dentre as nações que lhe servisse de testemunho durante séculos (Hebreus), como também precisou andar entre nós, sendo chamado Emanuel (Deus Conosco). Por isso está escrito:

Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.(Jo 8.12).

Uma questão de fé? Também, diria eu, pois imagino ser possível para alguém honesto e cauteloso compreender através da razão. Você disse no primeiro comentário que o importante era se sentir bem na forma como está, certo? Quanto a mim, posso afirmar:

"Eu antes era CEGO, mas agora vejo", pois compreendi as palavras do Cristo quando disse:

"Eu sou o caminho, a VERDADE e a vida..."

Grande abraço!

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