A Educação Familiar e o Social - Uma Tragédia Anunciada?


A educação familiar sempre foi a base fudamental para o desenvolvimento de caráter das pessoas. Mesmo em famílias comunitárias, onde os filhos são criados não apenas pelos pais, mas também pelos parentes, vizinhos e líderes, a referência educacional continua sendo familiar, uma vez que tal compreensão engloba como família outros integrantes da comunidade. Mas, podemos dizer que nossos filhos continuam tendo a referência familiar como base do seu desenvolvimento educacional? E se não tiver, quais as implicações que isso pode acarretar em nossa geração?

Em boa parte das famílias, a educação deixou de encontrar referências em suas relações e representações. A triste realidade é que a formação de caráter de muitos jovens tem sido tão confusa e vazia quanto são as concepções sociais. Daí o motivo pelo qual vemos pessoas inseguras, emocionalmente imaturas, inconstantes em suas ideias, ansiosas, inquietas muitas vezes por coisas que nem ela mesma sabe definir o porquê! 

A inconstância de suas ideias refletem a fragilidade do seu caráter...

Ora, tal situação reflete uma possível trágica constatação; nossas famílias não estão sendo referência positiva na formação dos filhos. Positiva porque na ausência dela vem a referência negativa, uma vez que todas as nossas atitudes servem de exemplo para algo, ou seja:

Imparcialidade não existe na educação, a ausência é tão significativa quanto a presença, o que muda são as consequências.

Na ausência da família, quem educa é a sociedade, temos nisso um grande problema. Pois nesse modelo de educação social não existem padrões ou a oportunidade de compreensão "olho no olho". É na experiência "muda" ou, geralmente, impositiva, que se tem a referência para a formação de caráter. Tão variável é a educação social, como variável é aquele que a recebe, por isso a inconstância emocional-afetiva de muitos filhos. Tal instabilidade de personalidade é nada mais, nada menos, que o reflexo do aprendizado social.

Muitos pais acreditam que estão educando seus filhos ao demonstrá-los que trabalham muito, não tendo tempo para eles. Que uma festa ou compras no shopping são momentos educativos. A questão é; quais referências (significados) esses pais passam para os filhos diante dessas atitudes? Impossível generalizar, mas a regra geral, penso eu, está no próprio filho, em como ele reage a essas ações, considerando que nem sempre suas frustrações são verbalizadas, mas sim demonstradas em inúmeros gestos e interesses (sabe aquele filho que você diz ser rebelde, indiciplinado ou passivo (conformado) demais? Pois é...). Porém, como os pais poderão saber identificar e -- interpretar -- quais esses gestos ou palavras dos filhos que denunciam suas maiores necessidades, se não passam o tempo suficiente -- qualificado --, (entenda-se tempo por qualidade, e não apenas quantidade) com esses filhos para os conhecer melhor?

A cada pai e mãe, família, que não serve de referência educacional para seus filhos, ajudando-os a -- pensar a vida -- com base na ética humana, experimentamos cada vez mais o surgimento de uma geração vulnerável aos ditames de grandes indústrias, entidades financeiras, idealizadores políticos, não a um desenvolvimento natural da cultura com base no próprio humano, suas reáis necessidades e vivências, mas naquilo que estas grandes organizações precisam para se manter. Na realidade, as configurações familiares que hoje experimentamos, penso eu, já demonstram o resultado dessas influências. O que nos resta fazer é pensar; os frutos que temos observado e colhido na organização social, traduzidos na qualidade de vida da pessoa humana como um todo, apontam um bom ou mau desenvolvimento? Minha opinião, levando em consideração a pessoa humana e não particularidades da economia ou tecnologia, é que a coisa não anda nada boa!

Abraço e até a próxima...

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