Intérpretes da Vida ou Reprodutores do Acaso?


            A vida não é o que você pode ver, ouvir, sentir, mas o que de tudo isso és capaz de traduzir em significados! Sentidos também têm os animais, nem por isso são capazes de formular ideias, valores, mudança de comportamento. Nós somos intérpretes da vida, pensar nisso não é simplesmente fazer uma construção poética da realidade, mas tomar sobre si a responsabilidade tanto do sucesso, como do fracasso.
           

Quem olha o mundo dessa maneira nunca será capaz de atribuir aos acontecimentos a total culpa por suas frustrações, pois entenderá principalmente que o modo como interpreta os fatos é o que lhe faz sentir-se bem ou mau. Então significa que a vida não passa de uma mera interpretação do acaso?  Não, pois os fatos falam por si mesmos o que são. É impossível, por exemplo, mudar um acontecimento, a morte de um ente querido, a perca de uma casa, a traição, um amor não correspondido, esses são fatos, no entanto, o modo como interpretamos cada um deles não fazem deles diferentes, mas sim, com outros significados, propósitos, sentido. Pensando assim, interpretar a vida não significa mudar os acontecimentos em sua real natureza, mas dar a eles um significado diferente do que sua natureza sugere. Ora, se damos outro sentido, logo, criamos uma nova natureza em substituição da anterior. Construímos então novas possibilidades em meio a mesma realidade, e mais uma vez isso não é mudar os fatos, mas possibilitar a criação de novos acontecimentos através de sua interpretação.

            Nós somos intérpretes da vida, mesmo assim muitos preferem se deixar interpretar por ela. São folhas jogadas ao vento podendo a qualquer momento serem apanhadas e postas no saco de lixo. São os que se deixam pintar pelas circunstâncias, não traduzem os fatos em experiências que lhes geram aprendizado, mas lamentando constantemente o “leite derramado”, fazem de si mesmos murmuradores ambulantes...

            Como ser diferente? Ora, a vida é arte, como uma pintura que requer sentimento, porém, uma pintura que não termina até que o artista decida parar. Ele para quando perde a “sensibilidade de artista”. Ele perde essa sensibilidade quando deixa de sonhar! Sonhos, porém, não é a imaginação poética de uma fantasia mística, os que sonham assim se frustram constantemente, por isso correm o risco de “perder a sensibilidade”. Sonhos:

...são desejos concretos de uma realidade palpável, possível de ser construída no seu presente, dia-a-dia, passo a passo. O grande sonho que alimenta os artistas da vida não é o que um dia se realizará, mas o que é possível de realizar, no presente, diariamente...

            Você é intérprete da vida ou interpretado por ela? Quem constrói seus sonhos, a arte que você vem pintando chamada vida, você mesmo(a) ou as circunstâncias alheias? Ser interpretado é ter a sensação de não ter o controle, estar perdido, como folhas jogadas ao vento aguardando apenas o momento de cair. É o sonho não vivido diariamente, em troca disso, uma fantasia distante ansiosa por um momento mágico. Porém, nesse espetáculo o mágico não é você, tu és a cobaia acorrentada numa mesa, aguardando o verdadeiro mágico, bem a sua frente, enquanto a plateia de longe apenas assiste, mais um grande momento, o ápice de uma fantasia mascarada de verdade.

Abraço e até a próxima...

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Anônimo
28 de setembro de 2012 07:52

Lindas palavras,gosto muito das suas publicaçoes. Felicidades!

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28 de setembro de 2012 08:29

Obrigado amigo(a), fico feliz por ter gostado. Abraço.

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