Paixão Vs Modelo Ideal - A causa dos relacionamentos frustrados!


Quando estamos apaixonados temos a sensação de que tudo é maravilhoso na relação. Que todos os nossos sonhos são possíveis, que a felicidade está em nossas mãos. A paixão realmente encanta, faz pensar em fantasias, viver momentos mágicos apesar da realidade muitas vezes contrastante. Mas atualmente muitos estão desacreditando na paixão, a encarando apenas como um ingrediente necessário para uma química momentânea do desejo sexual até que ele seja satisfeito e substituído. Será mesmo?

            Realmente, a paixão é um ingrediente do desejo sexual, mas não é, necessariamente, momentânea. Ela também não é o desejo puramente sexual que se tem numa “balada”. O “calor subindo” quando olhamos alguém atraente, muito menos aquele prazer carnal do primeiro beijo. A paixão é confundida com tudo isso, então finalmente, o que é a paixão?

            Muitos tentam explicar a paixão como um conjunto de reações fisiológicas/químicas do organismo, esquecendo-se de que estas reações são possíveis apenas por meio de uma “percepção” inerente a cada pessoa, não determinante/padronizada e, portanto, não originalmente fisiológica, mas sim o resultado de um conjunto de experiências da percepção que nos faz criar expectativas, modelos de imagem, jeitos e ideais. É na identificação com esse “modelo” construído (para alguns aprendidos) que nos apaixonamos. A paixão, então, é na verdade uma identificação com algo que nós mesmos criamos, um “modelo ideal”, a diferença é que projetamos isso em outra pessoa, logo, dizemos que estamos apaixonados por ela.

            Dificilmente uma paixão surge como consequência da maneira de ser da outra pessoa, sem que possamos depositar nela o nosso “modelo ideal” de ser. Aceitar a pessoa como ela é, na verdade, é uma grande mentira, contada ou se preferir, cantada poeticamente por alguns barbudos pensantes. O fato é que para aceitar o outro da forma como ele é, primeiro fazemos um acordo com nós mesmos, concluindo quais pontos podemos abrir mão daquele velho “modelo” ideologicamente perfeito, lembra? O outro, por sua vez, faz o mesmo (risos) conosco, logo, a paixão é, também, uma relação de concessões, onde ambas as partes terão que ceder um pouco de seu “modelo ideal” para viver uma relação.

            As frustrações?

            Frustrações amorosas estão diretamente relacionadas à ruptura desse “modelo ideal”. É quase sempre o momento em que se descobre no outro uma realidade diferente das expectativas depositadas nele. O grau de frustração é diretamente proporcional à quantidade desse depósito, por esse motivo, um relacionamento é mais sadio à medida que ambas as partes aprendem a enxergar no outro, não o próprio modelo ideal, mas o do outro. Por quê? Ora, porque isso permite saber se o que sente pelo outro é por aquilo que ele(a) realmente é, ou se não passa de uma máscara modelada por você no contexto da outra pessoa, com vistas a lhe atender nos momentos de necessidade, sejam estas afetivas, sexuais, sociais ou financeiras.

           Relacionamentos sadios, portanto, são aqueles que conseguem assimilar suas diferenças "aceitando" no outro o modelo que ele é, sem obrigá-lo a mudanças repentinas. Isso não é dizer que você deve abrir mão do seu "modelo ideal", mas compreender que o "ideal" não é aquilo que você cria e determina, mas o que consegue --- conquistar --- através da cumplicidade, respeito, sentimentos. Neste caso, as mudanças acontecem por que existe um entendimento entre o casal, onde ambos se dispõem a conceder ao outro uma chance de ser quem ele é, segundo suas próprias impressões. Quando isso acontece, os dois perceberão que não haverá necessidade de serem "outra pessoa", pois a paixão entendida corretamente fará respeitar cada um os seus próprios limites, tornando as mudanças, quando necessárias, apenas um aperfeiçoamento da união e do caráter de cada um.

Abraço e até a próxima...

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