Quebra de tabu - Um passo para evolução? Nem sempre!


Ainda vale a pena casar? Para muitos a resposta a essa pergunta está na ponta da língua:não vale a pena casar”. Esse pensamento ganha cada vez mais adeptos e o casamento parece já não mais figurar entre os grandes sonhos de uma “princesa”. Ele representa bem os anseios da sociedade moderna por uma postura questionadora, ávida por novos conhecimentos e soluções para seus dilemas, dedicada a quebra de tabu. Mas até onde isso deve ir?

Deixando como exemplo o tema "casamento" de lado, parte do pensamento destruidor de tabus deriva de outra concepção, a de que o modelo antigo de pensamento social representa um fundamentalismo a ser superado, onde ideias como fidelidade, família, amor e sexo são as que mais estão em pauta. A questão, no entanto, não se trata no que se deve ou não "superar", questionar, mas no como e por quais motivos?

Na Filosofia sabemos, por exemplo, que a grande definição do conhecimento, suas qualidades e proveitos não estão, necessariamente, nas respostas que damos, mas sim e principalmente nas PERGUNTAS que fazemos. Essa é uma lição elementar. Ora, se questionamos errado, temos grande probabilidade de responder errado e assim encontrar respostas inadequadas acerca daquilo que desejamos saber. Em outras palavras, a "quebra de tabu" é proporcional a maneira como entendemos e questionamos o valor de um tabu! Se compreendemos errado os conceitos representados por um tabu, romperemos com ele de forma igualmente errada.

Tendo esta noção, com relação ao tipo de questionamento que fazemos proporcional a qualidade das respostas, podemos colocar em foco, por exemplo, a primeira pergunta desse texto em dois formatos e tentar avaliá-las observando qual deva ser a melhor pergunta:

a)    Ainda vale a pena casar?
b)    Ainda é importante casar?

Parecem à mesma pergunta, certo? No entanto, acreditem, as respostas são naturalmente diferentes. Enquanto a letra A traz um significado mais social, político e cultural, a letra B denota valores, afetividade, moralidade. Se você fosse questionado por cada pergunta isoladamente, certamente responderia sob essas perspectivas  e consequentemente as respostas seriam diferentes. Todavia, se não soubermos diferenciar a qualidade desses questionamentos em relação ao contexto das respostas que pretendemos obter, seremos induzidos a tratar de forma equivocada a natureza do problema.

Chegamos ao ponto “X do texto, onde a pergunta é:

A sociedade atual quando quer reavaliar seus tabus, sabe fazer os questionamentos certos para obter soluções corretas?

Sendo mais sensato do que precipitado, posso assumir que a resposta não está na ponta da língua, mas também posso dizer que não me foge a intuição, porque o que se pode afirmar acerca de como a sociedade tem encontrado as soluções para seus tabus está na própria sociedade. No modo como vive, “evolui”, cumpre regras, trata os seus. Como se desenvolve política, econômica e culturalmente. Caso tenha dificuldade em olhar para a sociedade de modo geral, basta olhar para sua própria família, que é uma pequena célula desse corpo. Como ela tem passado, se desenvolvido? Quais seus dilemas e soluções, felicidades e frustrações? Ou seja, como a sociedade tem refletido seus padrões de comportamento e compreensão de mundo (modelagem cultural) dentro do seu ambiente familiar? O efeito causado tem sido bom ou ruim? Tudo isso demonstra não apenas o que questionamos, mas COMO questionamos e, principalmente, suas finalidades.

Olhando para os resultados de séculos quebrando tabus, podemos seguramente dizer se temos feito às perguntas certas ou não. Devemos enxergar nosso contexto, perceber a nossa volta o que existe de bom na perspectiva humana, ambiental, cultural, e avaliar se as quebras de tabus que estamos proporcionando tem contribuído para uma sociedade mais "humanizada", emocional, psicologicamente e ambientalmente saudável, politicamente coerente ou não. O resultado dessa análise é o que dirá se temos feito progressos, permanecido no mesmo lugar ou retrocedido.

Finalmente, podemos com isso pensar que o importante não é exatamente “quebrar tabu”, mas fazer deles uma ponte para conhecimentos que valorizam e favorecem o ser humano. Isso não tem relação alguma com o tipo de tabu, sua natureza, mas sim com os objetivos que pretendemos com base nas necessidades que possuímos. Desse modo não importa se a natureza do tabu estiver vinculada a questão comercial, sexual, religiosa, política, mas sim o que os resultados do seu questionamento e, possivelmente, "quebra", podem acarretar para nós hoje e amanhã.

Se, todavia, para algum progresso da civilização for necessário abandonar certos tabus, que assim seja, mas como consequência de uma compreensão onde, de fato, nos permita evoluir como seres sociais, morais, emocional, biológico e psicologicamente constituídos. Tudo que na prática vai de encontro a isso, não representa uma quebra de tabu, mas uma sucessão de questionamentos e respostas incorretas que hora ganhou espaço numa demanda que contraria às próprias necessidades.

Abraço e até a próxima...

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