Geração Viagra! Sexo à custa da imaturidade!



Quem não quer horas e horas de muito sexo e prazer? Mas o quanto você está disposto(a) fazer para alcançar o máximo de prazer na cama? Este é um dilema que vem sendo enfrentado por milhares de pessoas, especialmente jovens, que tem nas relações sexuais mais do que um momento de natural realização, um momento de autoafirmação. Você é um deles? Leia com atenção.

Essa nova motivação sexual, típica do que chamo “Geração Viagra”, é preocupante do ponto de vista psicológico, pois revela dificuldades na compreensão não apenas do relacionamento sexual propriamente dito, mas principalmente sobre si mesmo. O que faria jovens, cada vez mais jovens, encarar uma pílula para impotência sexual como um estimulante da relação, sem que estejam sofrendo nenhuma disfunção sexual? 

Essa “turbinada” na hora do sexo na verdade é uma ilusão de autoestima que demonstra as seguintes dificuldades:

1 – Super valorização da performance  Resultado = dependência psicológica (podendo ser química), alienação ideológica, incapacidade de avaliar relações interpessoais e desenvolvê-las com base na qualidade das pessoas na forma como elas são, criando a imagem de "sujeito ideal". Propósitos e conflitos;

2 –Relacionamentos cada vez mais descartáveis Resultado = pessoas consequentemente descartáveis, diminuição do valor humano pela supervalorização da performance/estética;

3 – Insegurança afetiva, emocional, ideológicaResultado = imaturidade afetiva, despreparo para lidar com as frustrações pessoais pela dependência do artificialismo "milagroso" que dá a ilusão de "potência" resumida ao sexo, mas não a vida;

4 – Falta de conhecimento e domínio próprioResultado = sujeição à qualquer coisa que prometa fazer por ele aquilo que ele mesmo aparentemente não consegue dominar.


5 - Ansiedade - Resultado = Aprofundamento da dependência pela ilusão de "potência" adquirida sob o efeito da substância. 

Estes são alguns problemas visíveis nesta Geração Viagra. Destes, o que me chama mais atenção é o número um e três. Um, porque demonstra o total desvio de foco no relacionamento humano, e três porque revela a pobreza com que tratamos a educação de filhos e filhas, não sendo capazes de transferir valores e afirmação de caráter suficientes para lhes dá segurança nas relações sociais.

Fiquei de certa forma surpreso quando certos conhecidos falavam com total naturalidade que não tinham relações sexuais sem fazer uso do azulzinho (Viagra). Não estou me referindo a homens com disfunção erétil, mas de jovens entre 20 e 30 anos, o que dirá adolescentes? Nossa! Será a capacidade dessas pessoas de se relacionarem de forma tão deficiente emotivamente, o que faz elas pensarem que horas de sexo "estético" é o maior determinante para a satisfação sexual? Penso que sim. E se for, pobre ilusão! Ora:


A "cama" é parte do que vivenciamos no dia-a-dia. O mesmo caráter demonstrado numa relação sexual, seja implícito ou explícito, o que nos motiva, aprisiona, satisfaz e frustra, é também o que buscamos em situações comuns do cotidiano. Em outras palavras: o sujeito é, no sexo, nada mais do que já experimenta no seu dia-a-dia. Eis o motivo pelo qual recorre a "pílulas", no fim de potencializar não o sexo, propriamente, mas o seu comportamento como um todo!

O desempenho sexual não é medido no tempo que se passa fazendo sexo, mas em como e o porquê se faz o sexo. E esta maneira de fazer sexo não vem em um manual de instruções. Não acompanha pílulas, muito menos receitas milagrosas. Ela é desenvolvida naturalmente, com o tempo, da melhor maneira possível, quando seu principal objetivo se chama relacionamento. Porém, relacionar-se implica em conhecer a si mesmo e também ao outro, de tal forma que a insegurança (n. 3) torna-se confiança. Que a falta de domínio (n.4) torna-se conhecimento próprio. Que a superficialidade (n.2) se torna em valor próprio e que a supervalorização do prazer (n.1) se torna em valorização do momento, da maneira como ele acontece ali, na hora, ao lado de quem você ama (ao menos deveria amar)! Significa construir sentimentos e pautar suas escolhas na coerência que eles possuem ao te fazer feliz, não por um instante apenas, mas de preferência por toda sua vida.

Esta compreensão parece difícil para você? Acredite, é mais simples do que pensa, alias, sua simplicidade é tanta que parece não agradar a muitos. Objetivar as coisas parece mais fácil, afinal, o prazer não seria mais um meio de consumo? Por que não transformá-lo em produto, certo? Assim, quem sabe, teremos pessoas-produtos e então poderemos escolher mulher e homem no mercado. Família? Que isso! Um dia compraremos nas prateleiras o kit prazer e a família virá de brinde envolto por uma fita plástica em que estará escrito: relacionamento!

Abraço e até a próxima...

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