PROFECIA CELESTINA - UMA CRÍTICA CRISTÃ

Certo amigo meu, veterano, pai de família, resolveu seguir uma religião, a Igreja dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida como a igreja de Mórmon. Então este amigo me convidou a ir em sua nova igreja, eu fui e não manifestei opinião, afinal ele não havia me pedido. Apos o dia em que fui, por sinal trajado a moda e costume da “aba” (nome dado as igrejas deles), este amigo me convida agora para uma reunião em sua casa, para que algumas das perguntas que antes fizera a ele os missionários da ISUD, chamados “élderes” (aqueles que andam sempre em dois de gravata e tal) pudessem me responder com “clareza”, visto estarem preparados para tal ofício.

No dia marcado os rapazes começaram a me explicar o que segundo eles foi a “revelação” dada a Josef Smith, foram mais ou menos uma hora de explicações. Após isso pedi a palavra e discretamente puxei um enorme livro de minha bolsa e uma pasta com mais alguns documentos colocando-os num pequeno centro em nosso meio. Eles ficaram curiosos e o meu amigo, surpreso perguntou-me exatamente assim: 

_O que é isso? _eu disse; é uma bíblia _ele então diz: _veio preparado? – eu respondi; sim, preparado para dialogar, e não deveria?eles ficaram rindo.

Então comecei fazendo algumas perguntas cuidadosamente elaboradas encima de suas principais argumentações filosóficas e “históricas”, pedi respostas de coisas básicas, que para surpresa deles constavam no seu principal livro; o livro de Mórmon, pensando eles eu não conhecer achando que fosse usar apenas a bíblia, que por sinal nem cheguei a abrir (não deu tempo)! Eles não responderam, meu amigo então ficou raivoso comigo, disse que eu tinha ido muito criterioso parecendo estar numa batalha de argumentos e refutações (risos). 

Então percebendo o clima da situação diante do desconforto dos “élderes” decidi parar, pois vi que não íamos chegar a lugar nenhum de modo --- racional ---. Ora, eles estavam ali para me fazer engolir algo e não me fazer pensar. Encontrar alguém que gosta de conversar reflexivamente parecia não ser o objetivo deles...

Após isso: eles afirmavam que para eu entender o que haviam me dito (...), para perceber “quão grande verdade” foram às revelações e a “incrível” coerência que dispõem o livro Mórmon, Pérolas de Grande Valor e Doutrinas e Convênios, eu teria que ACEITAR primeiro, ANTES DE QUESTIONAR. E para isso, me ofereceram uma ORAÇÃO, em que se eu REPETISSE estaria declarando minha aceitação do que fora falado, mesmo que não houvesse concordado com “pata-fina” nenhuma! Af! Após não aceitar me disseram que eu teria de solicitar alguém mais especializado para responder as questões que havia feito, pois eles não estavam “aptos” a responder! 

Sai de lá como o rebelde... (rsrs)

Para mim esse exemplo demonstra o que não é um tipo de fé paltada a elementos doutrinariamente e racionalmente sustentáveis. Mas entenda que não estou generalizando o julgamento que fiz da fé dos Élderes  a todos que professam a mesma fé,  cada caso é um caso.

Sempre que questionado quanto a fé, digo que a fé não é algo vazio sem fundamentos. Diferente do que muitos são levados a acreditar, a fé não é cega. Ter fé é possibilitar que as razões fundamentais dos fatos dos quais observamos e temos registro nos permita confiar em algo, mesmo quando sem motivos aparentes, mesmo ANTES de experimentá-los (leia o artigo "De que tipo de fé estamos falando?" publicado também  aqui no blog).

Nas escrituras bíblicas a definição de fé é “o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. Na afirmação “o firme fundamento” vemos que a existência da fé exata, diferente da crendice, depende de uma causa, mas causa ratificada a algo, algo tão firme quanto a certeza de que pato não é elefante! Uma causa firmada a fatos, evidências observáveis para que só então haja, possa haver a possibilidade de vir a ser “a prova das coisas que não se vêem”. Fundamentos não do que alguém disse, afirma ter visto, vivenciado ou sentido, mas onde uma soma de fatos constróem um conjunto suficientes de evidências acerca do que (e ai sim!) muitos viram, sentiram, ouviram e experimentaram.

Isto, claro, se justifica conhecendo a diferença entre fé e crendice, mas isto é outro assunto que você vai encontrar no artigo que recomendei mais acima...

 Cristo nunca impôs sua fé ou pediu que alguém acreditasse simplesmente por precisar acreditar para entender, pelo contrário... (risos) ele argumentava e falando “como quem tem autoridade” demonstrava os fundamentos, as razões, os indícios daquilo que atestavam a veracidade de seus ensinos e divindade fazendo com que os ouvintes ficassem “desarmados” ante a absoluta harmonia entre o que ensinava e vivia. Deus é pura razão.

Durante toda a história o humano deseja ser Deus, através dos antigos imperadores, reis, mitologias. Por que será? A primeira proposta feita a Eva pela serpente foi a promessa de que eles seriam “como Deus” conhecedor do bem e do mal. Sabemos que na verdade a idéia central ai é fazer o humano pensar que ele pode ser um deus, não tem nada haver com a elucidação de – ser filho – de um Deus, mas em – ser deus – isto é, ser tão igual quanto o próprio Deus Criador. Para justificar a isso muitas teorias literalmente “arrancam” textos bíblicos como o Salmo 82:6 ou João 10:34 e sem qualquer análise exegética e hermenêutica do conteúdo postulam haver na bíblia fundamentos para tal pensamento. Lamentável perceber a agressão que tais pessoas fazem ao conteúdo integral, a totalidade das escrituras. É basicamente uma violação de 1 para 1000, ou seja, de um texto que dá a idéia (isto é, assemelha-se ao que se busca entender) contra 1000 outros que falam totalmente o contrário do que se quer entender, no entanto o indivíduo na ânsia por ser “deus em evolução” se satisfaz com os resquícios FIGURATIVOS que consegue achar, isso é trágico!

Você leitor(a) pensa ser um deus? Tudo bem é direito seu achar, mas em nome do bom senso e da lógica aristotélica (óia!) não queira usar os textos bíblicos para tal pensamento, é uma agressão fatal a inteligência literária que a própria Escritura dispõe independente de qualquer intérprete. Para não ficar feio e fora de contexto as pessoas que pensam assim devem usar qualquer outro documento, como “achados” de Atlântida e do grande , “revelações cósmicas”, doutrina Céltica, filosofia teosófica ou até mesmo Física Quântica, mas não as escrituras bíblicas. O duro é que, se não posso usar a bíblia discrepantemente significa que tenho que ir de encontro a ela, pior que isso, é que se minha teoria vai de encontro a ela esta minha teoria tem que ser tão atestada sob inúmeros crivos quanto à própria bíblia e o Cristo que consuma toda a 1ª e 2ª bíblia em si mesmo! Mas é uma opção não é? Claro, e você tem esse direito...
Vamos ao filme?

Desconsiderando a produção “chinesa” do filme, (A Profecia Celestina download do filme aqui),  o conteúdo traz uma abordagem antiga para a questão “evolução” utilizando-se de um simbolismo profético cunhado de alguns passos para tal evolução, os insights (risos). Se você conhece as literaturas “ocultas” sabe que esta abordagem é tão antiga quanto a própria ciência. Prefigura a mãe e o pai de toda uma ideologia mística de evolução e auto-deificação; o Hinduísmo com uma mãozinha do Taoísmo.

Todos nós podemos acreditar em tudo, desde que queiramos, a questão é pensar: quais os meus critérios para creditar em algo? No entanto quando falo de critérios não me refiro a quantidade, mas a QUALIDADE destes critérios. Alguns são propensos a acreditar naquilo que idealizam, outros naquilo que podem ver como testemunho histórico e científico para só então constituir o que virão a idealizar. Quais os critérios de sua avaliação?

Por muito tempo tive que me conformar com o fato de não poder elucidar a alguns. Percebi que o maior problema está no fato das pessoas serem pouco criteriosas quanto a exigências de provas lógicas e elementos para aquilo que acreditam. Com isto estas pessoas tornam-se muito especulativas, pouco coerentes, distanciando-se, e muito, da existência que estão inseridas. Isto causa uma espécie de separação entre o humanamente natural e o humanamente potencial. Essas pessoas tendem a se concentrar no vir-a-ser de um humano em potencial imaginário ou auto-sugestivo ao ponto de esquecer a irônica e simples potencialidade de dar água ao colega do lado! Na verdade... (risos) é a velha separação de corpo e mente trazida a tona sob uma nova roupagem. Uma roupagem de possibilidades agora de cara mais... científica. Fantástico!

Na ânsia de solidificar o que especula o humano sugere tanto que acaba vivendo o poder de sua própria sugestão.

É capaz de enxergar flúidos, “emanações dos chacras”, etc. Assim se solidificam a maioria das terapias medicinais alternativas e tantos outros sistemas. Isso nada tem haver com o poder de configuração espacial do cosmos em torno de mim, mas com a flexibilidade que tem o meu corpo enquanto fisiologia multi-configurativa em se modificar mediante a sugestão que eu mesmo deposito sobre mim.

O filme (A Profecia Celestina) sugere uma compreensão além de nossa natureza. Reflete claramente a ânsia/sonho moderna(o) para obtenção de um “paraíso celestial” contrário as turbulências que estamos vivendo. Simplesmente sugestão! Isto evidencia-se na idéia de alteração perceptiva das coisas da forma como elas são. Ou seja, é preciso “desenvolver”, atingir certos “níveis de consciência” para poder, só então descobrir os bastidores da vida, pois “a vida não é o que você vê”, ao invés de se pensar, que talvez, a vida simplesmente não seja o valor que nós depositamos. Valores mediante os quais somos conduzidos, algo que, se mudarmos poderemos então “ver a vida com o seu real valor”.

Mas quando é instituído uma necessidade de “desenvolvimento e alargamento de percepções”, isso se torna perigoso, pois toda a filosofia que implica em desenvolvimento acarreta invariavelmente num tipo de “realidade diferente” da que, de fato, vivemos. Cristo não pregou níveis diferentes de evolução, pelo contrário, mostrou que tal compreensão se dá nas atitudes diárias em relação com o próximo, estando em submissão aquEle que é o Autor da vida. Nisso não há nada de sobre-humano, não há energias além daquelas que podemos ver nos olhos de quem chora, clama, perdoa, arrepende-se, sorri, agradece, ama, exorta... De fato, os insights de Cristo é “ver ao próximo” e a causa de seus milagres é o fundamento de sua fé ratificada a quê ou em quem? Nele? Não, mas naquEle que o enviou, referido por Ele mesmo não como uma energia ou forma impessoal, mas um ser de identidade própria capaz de ser buscado pelo humano assim como Ele mesmo buscou em João cap. 17 detalhadamente.

A física quântica, esperadamente vem servindo de instrumento potencializador às idéias que distanciam o humano as responsabilidades práticas de suas ações ironicamente mais simples. Mas verdade é que isso nada tem haver com a física quântica propriamente, não parte dela, senão daqueles que se utilizam de suas “possibilidades” para criar conexões mirabolantes com suas filosofias e dessa forma já não defendem possibilidades, mas afirmações conclusivas, como pudemos ver no documentário “Quem somos nós uma crítica cristã” e que também fiz uma análise sobre ele para postar aqui no blog.

Finalmente, o filme ao meu ver não trata de ciência e mesmo enquanto filosofia os conceitos que traz são tão questionáveis pela lógica que certamente pessoas de bom crivo e que saiba fazer uma boa correlação das diferentes áreas do conhecimento saberá identificá-los facilmente. É a sugestão de uma crença milenar sob nova roupagem cinematográfica. De resto, as impressões que ficam para aqueles que o assistirem serão relativas às conveniências de cada um e o grau de sugestibilidade que dispõe.

Tenho profundo interesse em ser questionado, revogado se preciso em todos os aspectos que acredito, por isso me disponho a tudo e a todos que me foram viáveis a trazer novos conhecimentos e aprendizados. Dessa forma, se você gostaria de compartilhar sua opinião, crítica proveitosa e etc. Deixe seu comentário abaixo, abraço e até a próxima...


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