SUA VIDA NÃO PASSA DE UM RETRATO?



No dia-a-dia quase tudo é paisagem; os passageiros do ônibus, gente que nos passa nas ruas por toda a cidade, as árvores que sofrem no caos urbano, as crianças drogadas nas calçadas e sinais;

No dia-a-dia quase tudo já é passado; o escândalo político matinal, os assassinatos dos becos, do tráfico das favelas às avenidas luxuosas das capitais lado-a-lado às notícias do esporte, ou melhor, do futebol;

No dia-a-dia de uma era escrava do ideal de “evolução” quase tudo é interesse; de ser o melhor, o maior. De ser “alguém” mesmo que isto não expresse o real querer, mas ser algo, mesmo que sem saber o quê;

Nestes dias de vida programada quase tudo é planejado, a hora de dormir, de vestir ou sair, hora até mesmo para sentar no vaso do banheiro, hora de ser você e outra de ser quem eles querem que seja alguma coisa qualquer;

Neste dias de vida em que quase tudo é paisagem, somos pinturas molduradas a desejos, mitos, crenças desconfiguradas. Retratos de um eu esquisito pendurado nas paredes do tempo, alguns sendo mais admirados, outros esquecidos as traças;

Nestes dias de vida enquadrada, pensamos ser os artistas de nossa história, descobridores, estudiosos, sabedores na verdade de que um dia após o outro é nada mais que hora a pós hora. Sim, isso é o que em certos momentos em verdade apenas sobra...

Mas em dias em que a vida quase não é percebida em sua essência, há os que tentam encontrar sua verdade diária, nas paisagens que vêem na expressão das faces, nos feitos do homem, no porque do passar das horas;

Em tempos de vida moldurada, há os que rasgam suas telas, desprendem-se das paredes, colunas de conceitos que sustentam molduras curvas, pendentes, quadradas, idéias nem sempre vivas, em sua maioria apenas telas pintadas...

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17 de janeiro de 2010 23:26

Wilzen, ótimo texto!! Gostei mesmo!! E vou dizer mais:

Que estranha covardia é essa de não querermos sair da galeria de telas distorcidas?? Ou será que estamos tão fascinados com nossas próprias bizarrices penduradas no Tempo, que sempre queremos mais nos afundar nessa "viagem psicodélica"??

Não queremos nossas telas ao sol!! Queremos elas ali, para serem interpretadas, reinterpretadas, abstraídas e contrídas. Queremos e estamos sempre aprimorando nossa técnica de pintura "contemporânea"

Por isso que a arte é um bom termômetro da sociedade: mostra, de forma "zipada" o teor do inconsciente da mente coletiva e suas aflições!!

Quem não se lembra da tela "Guernica", pintada durante a gripe espanhola e tempos de guerra???

Abçs!!

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8 de março de 2011 12:42

fantástico seu comentário... Obrigado pelo privilégio do seu raciocínio e tempo...

Abraço de Wilzen...

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Anônimo
4 de maio de 2012 14:50

Lindo, simplesmente perfeito. Um fato social. Adorei.

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7 de maio de 2012 08:38

Valew anônimo conhecido, rsrs, prazer!

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