QUAL É O VALOR DE SUA IDENTIDADE?



Uma das coisas mais imperativas no comportamento humano é a necessidade do reconhecimento de uma identidade. Falo da identidade nominal, a que se apresenta como aparência de algo criado como o nome, dados pessoais e características físicas.
Nas vezes em que entro em salas de bate-papo sempre utilizo o apelido – Alguém – e não é surpresa tipos de perguntas como: “alguém de onde? Você é homem ou mulher? Qual é o seu nome? Quantos anos?”
Sempre respondo que “sou apenas alguém”, mas isto parece não ser suficiente para a absoluta maioria. Alguns discutem argumentando que se quero entrar numa página de relacionamentos, tenho que me identificar com um mínimo de dados, como localidade e gênero sexual. Outros simplesmente se revoltam recusando-se a conversar com “alguém” que se quer diz ser homem ou mulher.
Propositalmente não dou nenhuma informação, evitando até mesmo alguns termos lingüísticos que possam significar tipo de gênero sexual, com isto, percebo que em muitos suscito uma curiosidade compulsiva em saber com quem estão falando, especialmente quando o assunto em pauta requer algum tipo de conhecimento e colocações que expressem autoridade.
Aproveitando o clima e a curiosidade, tento despertar em alguns a reflexão daquilo que venha a ser a identidade do ser humano e o porquê somos tão presos a um conceito de identidade que pode não significar o que realmente é capaz de qualificar o sujeito. Com isto pensamos o seguinte:
Uma coisa é o que QUALIFICA o sujeito e outra é aquilo que o IDENTIFICA. Na identificação temos duas formas de reconhecimento; a que podemos chamar de nominal ou social, são os dados cadastrais, gênero sexual e características físicas. A outra é exatamente o que é o sujeito; suas qualidades e caráter respaldados por sua conduta.
A problemática desta questão é até que ponto somos identificados por nossas qualidades ou identidade social, isto implica em dizer que esta mesma identificação não é nada além daquilo que vemos no outro, se são dados de gênero e cadastros ou se é a qualidade que faz o caráter/identidade.
Pensamos também que ser – alguém – não é ser - ninguém -, pois alguém implica em algo desconhecido, porém, existente tanto quanto o A, B, e C conhecidos, enquanto que o ninguém, sim, nos traz a idéia de algo que não é!
Mas a verdade é que alguém e ninguém pode ser a mesma pessoa quando se enxerga não a qualidade deste alguém, mas apenas a nomenclatura como uma coisa vaga e sem definição. A verdade é que numa sociedade de aparências ser alguém é o mesmo que ser ninguém, pois ser algo não é uma definição vinda pela qualificação moral do sujeito, mas quase sempre por sua descrição e posição social.
A verdade também é que a identidade deve ser as duas formas de identificação, tanto a moral como a social, estas em harmonia refletindo o – SER - do sujeito. Mas parece não ser essa a compreensão social quanto à questão da identidade. Talvez sejamos números... do cartão de crédito, da conta corrente, do CPF, do título de eleitor. Somos quem sabe o número 42 da poltrona reservada, o 52º da arquibancada ou simplesmente o 20º da fila do hospital público.
Talvez sejamos nomes... de clientes em potencial para compra de aparelhos de som, TV, frigideira, celular, planos de saúde, seguro de vida e do caixão na hora da morte! Nomes que abrem portas, garantem descontos, despertam sonhos através dos famosos, influenciam a mídia, manipulam a justiça, perpetuam-se na história.
Talvez sejamos apenas a estética... da cintura, da curvatura do queixo ou o desenho da boca, do tamanho do músculo, do seio ou da bunda, quem sabe do... (!!!) da cor dos olhos, do tipo de cabelo, da altura ou da marca da camisa.
Talvez sejamos um pouco de cada coisa, um mesclado de conceitos e opiniões, assim somos tudo. Tudo que provavelmente se torna em nada quando percebe que lhe falta singularidade, aquela que vem do EU, da personalidade omitida em substituição pela “marca social” copiada, o slogan de uma identidade popular. Com essa marca talvez estejamos cansados, de ser esse – tudo isso – quando ao mesmo tempo não passamos de números, nomes e estética. Talvez, melhor fosse ser apenas um – Alguém!

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