Dom Odilo Scherer diz que crescimento protestante é cultural e transitório!

O Serviço de Evangelização para a América Latina, organização protestante de estudos teológicos conhecida pela sigla Sepal, fez, recentemente, uma estimativa surpreendente: de que a metade dos brasileiros será evangélica em 2020. A projeção baseia-se na premissa de que a taxa de crescimento dessa religião na próxima década continue a mesma dos últimos 40 anos. Em 1960, os evangélicos eram apenas 4% da população. Hoje, na falta de estatísticas recentes, estima-se que sejam quase 24%. Agora os estudiosos do Sepal preveem que em 12 anos essa proporção poderá dobrar. Seria um salto enorme.

Edição de aniversário da Revista Época, publicada em 25 de maio

Ontem em entrevista dada ao programa Jô Soares, quando questionado pelo apresentador qual a posição da Igreja romana ante ao crescimento das religiões protestantes, Dom Odilo Scherer, ex-secretário geral da CNBB e atual Cardeal, disse que para a Igreja Romana isso é um fator cultural, pois reflete as necessidades da população numa determinada época. Mas disse que a Igreja Romana está atendendo as necessidades do povo lhe dando muito bem com a situação. Afirmou ainda ter absoluta certeza de que o crescimento dos segmentos neo-pentecostais terá queda em relatório do senso 2010, pois como antes falado, tal crescimento se dá por uma questão cultural “momentânea”, dizendo também que os fiéis dessas igrejas não as integram devido a uma evasão de fiéis das igrejas católicas, mas sim por conta da migração de membros das próprias igrejas evangélicas.


Em princípio é importante ao leitor entender o que são religiões evangélicas. Atualmente uma igreja como a Universal do Reino de Deus, por exemplo, não é considerada mais como evangélica, mas sim como uma seita carismática derivada do protestantismo, (Veja aqui) bem como uma série de outras como a Mundial do Poder de Deus, Deus é Amor e outras menores inclusas ao que classificamos também por igrejas neo-pentecostais. Essas igrejas assumem o que chamamos de teologia da prosperidade, uma visão materialista das bênçãos de Deus, que utiliza a Bíblia segundo os seus interesses distorcendo a sua mensagem mediante o entendimento de seus líderes. Seus líderes (não pastores, mas palestrantes) não estão fundamentados as escrituras bíblicas e aos saberes históricos, mas sim a transmissão de uma visão e comportamento copiados de seus lideres (por isso são todos parecidos), realizando uma espécie de sincretismo religioso para agregar o maior número possível de fiéis. Tais igrejas se aproveitam, sim, da ignorância dos povos sedentos de transformação social, fazendo-os acreditar num Deus que é determinado segundo as ambições do homem. Isto faz com que esse segmento cresça bastante, pois alcança uma parcela da população a qual o Estado não atende, muito menos a liturgia das igrejas católicas.


Por outro lado, temos as igrejas tradicionais, históricas ou protestantes. São elas as igrejas Batista, Presbiteriana, Episcopal, Luterana, Anglicana, Metodista e suas denominações segmentadas e pentecostais (XIX–XX) como a Assembléia de Deus, o Brasil para Cristo, Projeto Vida Nova, Renascer em Cristo (penalizada por seus líderes, talvez, mas frutífera por seus fiéis), Comunidade Evangélica, Batista Cristo Vivo, e tantas outras com nominações diferentes, mas fundamentadas a Bíblia, sendo assim, portanto CORRETAMENTE consideradas igrejas EVANGÉLICAS.


Quando Dom Odilo diz que o crescimento dos Evangélicos é uma questão cultural, ele esta certo, pois foi com o rompimento da cultura católica que por mais de um milênio obscureceu o entendimento dos povos, das ciências, das artes e, principalmente, da liberdade religiosa que os Evangélicos cresceram. Foi com a revolução protestante culminada em 1517 lado a revolução industrial que propiciou ao mundo a chance de escolher e enxergar a bíblia com seus próprios olhos e em sua própria língua. De fato, é uma questão cultural, onde os simples alcançam mais a palavra de Deus sem terem que ser segregados as partes inferiores dos templos e por isso vêem numa mensagem de esperança o conforto para suas angústias, afinal se é de pobres que cresce o evangelho “bem aventurados... porque deles é o Reino dos Céus”. É uma questão cultural realmente, ver que atualmente os povos tem mais acesso a educação e a informação, por isso julgam com mais racionalidade o que é apenas uma tradição humana e politicamente infundada, do que é bíblico e averiguável.


É tanto uma questão cultural, que ante a estas mudanças a Igreja Romana se vê surpresa ante a notícia do ministério público querer retirar os símbolos religiosos dos prédios públicos, ora, tal simbologia representa o domínio cultural do catolicismo durante séculos, uma vez que abolidos estes símbolos, significa o enfraquecimento desse domínio, patrocinado, claro, pelo crescimento de outros... mas, como não é pela sustentação escriturística que esse (antigo) domínio Romano se mantém, então o Cardeal Odilo apela para a tradição história, afinal talvez isso ainda convença. Veja a reação do Cardeal ao saber da notícia no vídeo abaixo:





É importante não fugir aos dados e fatos e, principalmente saber separar as coisas. Se por um lado o crescimento de igrejas neo-pentecostais disfarçadas de evangelho é com base na ignorância das massas, essa mesma ignorância partiu de onde? O que fez com que estas pessoas encontrassem a esperança e conforto num outro lugar, que não a igreja romana? Ora, “Nenhum que verdadeiramente conheceu a Cristo, deixa-o para voltar-se na lama” Por outro lado, as igrejas evangélicas tradicionais aumentam a cada dia sua representação na política, nas mídias, nas artes, na educação, na cultura e moral social. Transitório? Sim, uma transição para uma nova fase cultural.

Deixe seu comentário abaixo e contribúa para nossa reflexão positivamente. Até a próxima...

Notícia relacionada aqui.



COMPARTILHAR

Edição:

Somos uma mídia independente, oferecendo conteúdo com perspectiva cristã através de comentários sobre notícias do Brasil e do mundo. Para apoiar, compartilhe nossos textos e curta a página no Facebook.

Anterior
Proxima